Erica Dezonne/Diário SP
Uma das pessoas mais benquistas e influentes nos bastidores do Morumbi, Kalil Rocha Abdalla deixou de lado a diretoria jurídica do São Paulo. Chateado com os rumos do clube, queria mais. Em abril de 2014, ele vai concorrer à presidência do Tricolor contra o amigo Carlos Miguel Aidar.
Representante da oposição, ele está confiante. “O candidato que diz que vai perder está derrotado. Então, os dois dizem que já ganharam”, brinca Kalil.
Questionado sobre quantos votos acredita que receberá no pleito, não pensa duas vezes: “Muitos. Não tenho um número exato, mas sei que será bem superior ao deles. Não vai ser uma diferença de dois ou três votos”, aposta Kalil, que uniu forças com o conselheiro Marco Aurélio Cunha ao lançar sua candidatura.
Com a campanha baseada principalmente na transparência, ele tem o apoio de amigos importantes, mas garante não ser “financiado”. “Estou me bancando. Tenho um grupo de empresários me apoiando, não mais do que isso. Minha candidatura é independente”, diz o advogado, que divide seu tempo entre o Tricolor e a Santa Casa de Misericórdia, onde atua como provedor.
Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO, Kalil falou sobre as bases de sua campanha, analisou o mandato de Juvenal Juvêncio e prometeu, se for eleito, deixar o cargo em dezembro de 2016.
“Pode escrever aí”, garante.
DIÁRIO: Quais são as bases da sua campanha?
KALIL ROCHA ABDALLA: Luto para fazer uma renovação. O presidente atual (Juvenal Juvêncio) não condiz mais com a realidade. É o senhor absoluto do São Paulo, manda e desmanda e não conversa com ninguém. Qualquer coisa é ele quem decide. Até para nomear um funcionário.
Ele centralizou muito...
Então, é isso. Vou descentralizar. É a transparência.
O que diferencia a sua campanha da base do Carlos Miguel Aidar?
Não sei qual é a base dele.
O que o senhor pretende fazer para o São Paulo ter mais transparência?
Para começar, não vou esconder contrato.
Há clubes que liberam até seus balancetes à imprensa...
Vou fazer isso também. Vou liberar tudo. Os ex-jogadores também terão direito a ir ao Morumbi, tudo isso vai voltar a ser assim. Por que o Luiz Rosan (fisioterapeuta), o Carlinhos Neves (preparador físico) foram mandados embora? Eu não sei e trabalhava lá. Eram só o rei e o diretor de futebol que sabiam e decidiam tudo. (Juvenal) Nunca veio a público para falar os motivos. Tudo é secreto. Não há transparência.
O senhor é contra a reforma no Morumbi?
Acho imprescindível fazer a reforma no Morumbi. E perdeu a Copa do Mundo porque o Juvenal brigou com quem não podia. Ele achou que o poder dele era grande. Se não houver nenhuma irregularidade no contrato, eu assino amanhã.
O senhor possui uma grande amizade com o Aidar...
Sim, eu fui o diretor jurídico dele, foi ele quem me levou para o STJD.
O Aidar disse que gostaria de tê-lo como vice. O senhor aceitaria ser o vice dele?
Não aceitaria (risos).
E o senhor aceitaria tê-lo como seu vice?
Sim, não tem problema. Ele pode ser o presidente do meu Conselho Deliberativo. Ele pode escolher. Não estou fazendo negócio, mas, se ele quiser...
O que é preciso ser feito para o clube crescer no futebol?
Não sei. Porque não sei o quanto o São Paulo deve. É tudo secreto, ninguém sabe de nada. Quero saber onde foi parar o dinheiro do Lucas. Foram mais de R$ 100 milhões. Onde está esse dinheiro? Enquanto eu não tomar pé da situação, não dá para falar nada. Mas é claro que, para poder melhorar o time, você precisa comprar jogadores. Temos de tentar isso.
É possível imaginar um time forte em 2014?
Não sei, acho muito difícil. Porque vamos iniciar a gestão em abril. Aliás, eu quero modificar isso, em vez de ser de abril de 2014 até abril de 2017. Vou encurtar o meu mandato. Isso porque, se eu esticar até o fim de 2017, vão achar ruim. Vou para o sacrifício e termino o mandato em dezembro de 2016. Faço a eleição em outubro ou novembro de 2016. Eu pretendo fazer isso, meu mandato não vai se prolongar. Pode deixar isso escrito.
Seu mandato terminaria em dezembro de 2016?
Isso, exatamente para propiciar a quem entrar ter condições de assumir. Até porque, do jeito que está, a porta do mercado já está fechada (ao término da eleição) e não dá para contratar ninguém de fora. Como vou fazer? Inclusive é um ano atípico por causa da Copa. Gostaria de começar o ano tendo pé da situação e não será assim.
Cotia reverteu bem financeiramente ao São Paulo?
Não sei. Tem muito jogador desviado de lá, que é dispensado e o agente está na esquina o esperando para levá-lo para a Europa. Esta maldita Lei Pelé destrói o futebol nacional. Todos defendem a Lei Pelé, que acabou com a escravidão. Acho que o escravo devia continuar, o verdugo deveria ser o clube. O jogador deveria continuar ligado ao clube. Com essa Lei Pelé, tudo mundo é agente. Todo mundo defende e eu sou contra. E o criador da Lei Pelé foi Carlos Miguel Aidar. Não quero criticá-lo, mas é o padrinho do Lei Pelé.
O Muricy não vai ficar?
Não sei quem vai ficar. Se o Muricy perder daqui até abril, é capaz que saia. Não sei. Técnico de futebol é o que ganha, você vê o Cuca: perdeu e caiu.
O Adalberto Baptista está apoiando a situação?
Claro que sim, ele ainda é secretário-geral do São Paulo, faz as atas de todas as reuniões.
Como o senhor avalia o trabalho do Juvenal?
O trabalho do Juvenal Juvêncio sempre foi muito bonito e bem elaborado. No fim, não sei por qual motivo, ele está se perdendo totalmente.
Candidato questiona falta de transparência em reforma
Antes mesmo da eleição, Kalil Rocha Abdalla conseguiu a sua primeira vitória. O candidato da oposição mobilizou conselheiros e, com a falta de quórum, fez com que a votação da última semana para a aprovação da reforma do Morumbi fosse adiada.
O advogado garante não ser contrários às obras no estádio tricolor, mas questiona a falta de transparência da atual administração, que não divulgou o valor e as bases do tal contrato.
“Como você vai assinar para ser avalista de uma nota promissória no verso, mas sem ver a frente? O que é isso?”, questiona o ex-diretor jurídico. “Eu não quero ver o problema estourar na minha mão. Por que não fez isso no ano passado?”, indaga.
Propostas do candidato
1] Transparência total no São Paulo
O candidato da oposição garante que vai abrir todos os números do clube.
Diz que, na hora certa, divulgará balancetes e informações que são guardadas na atual gestão — até mesmo como os motivos do desligamento de funcionários.
2] Mudança do período de gestão
Para evitar que o mandato do presidente coincida com o fim da janela da transferências, ele pretende diminuir
a sua gestão até dezembro de 2016. Desta maneira, a transição seria feita sempre no início de cada temporada.
3] Fortalecimento da base e conciliação
Kalil Rocha Abdalla pretende reforçar ainda mais a base do São Paulo. Se for eleito, ele pretende contratar profissionais renomados para fortalecer o trabalho no CT de Cotia. Nos bastidores, espera estreitar os laços com os times rivais.
Kalil promete encurtar seu mandato no Tricolor
Fonte Diário de SP
23 de Dezembro de 2013
Avalie esta notícia:
38
7
VEJA TAMBÉM
- CRAQUE NO RIVAL?! Possível traição: Neto crava acerto de craque do meio de campo com o Flamengo- VÍDEO: Clima pesado! Luciano faz forte desabafo e ainda provoca rival perto da zona
- NÃO FIZEMOS O QUE TREINAMOS! Confusão no elenco: jogadores repetem frase e expõe problema interno
- URGENTE! Guerra política explode no São Paulo: Olten destitui Comissão de Ética e caos toma conta do Conselho
- VAI TER DINHEIRO PRA TROCAR O TÉCNICO? São Paulo pede fortuna à BYD para mudar nome do Morumbi