Ormuzd Alves - 19.out.93/Folhapress
O ex-atacante Muller, 47, autor do gol que garantiu o bicampeonato mundial do São Paulo em 1993, reconhece 20 anos depois da conquista, completados na última quinta, que aquele lance foi sem querer.
O hoje comentarista da SporTV conta, em entrevista à Folha, como o São Paulo, que "era a zebra", conseguiu superar o poderoso Milan.
Muller fez o terceiro gol da vitória por 3 a 2 sobre o Milan, então vice-campeão europeu, em Tóquio, no Japão, na final do Mundial-1993. Os outros gols foram do ex-atacante Palhinha e do ex-meia Cerezo.
O São Paulo já havia conquistado o mundo em 1992, ao bater o Barcelona, e, com o feito de 1993, igualou o Santos de Pelé, como único time brasileiro bicampeão mundial de forma consecutiva. Em 2005, contra o Liverpool, conquistou o tri, feito inédito no futebol brasileiro.
A conquista do bi completou 20 anos na última quinta-feira e o clube disse à Folha que ainda irá organizar uma homenagem aos campeões no início da temporada 2014.
Folha - No aniversário de 20 do Mundial, qual a lembrança mais marcante daquela taça?
Muller - Tudo foi marcante. Foi nosso segundo mundial. Em 1992, vencemos o Barcelona. Em 1993, foi a vez do Milan, um time poderoso, base da seleção Itália. Sabíamos da grandeza deles, mas não esquecemos da nossa. Antes do jogo, eu disse aos companheiros: "assim como foi em 1992, será contra o Milan. O jogo não vai para os pênaltis. Vamos ganhar no tempo normal". E acertei [risos].
Como foi a preparação para aquela decisão?
O [técnico] Telê Santana não gostava de falar do adversário. Focava a palestra no nosso time, o que deveríamos fazer no jogo e o que poderíamos fazer. Todo mundo era pró-Milan. O São Paulo era zebra. Nós ouvimos as críticas e ficamos quietos. Trabalhamos durante a semana de treino. Nós viajamos para o Japão uma semana antes do jogo. A gente tinha confiança e mostramos isso em campo.
Os times eram equivalentes?
O nosso time era muito experiente. O Cerezo, o mais velho da equipe, era o líder. Mas tinha o Zetti, o Ronaldão, eu, o Palhinha. Havia mais jogadores experientes do que jovens, como o André Luiz e o Doriva. No Milan todos eram experientes, mas jogavam juntos há mais de dez anos. Um time muito bom e badalado. Vencer o Milan deu um gosto maior, é uma dimensão maior ao nosso feito.
Você conhecia os craques daquele Milan?
Na época em que joguei no Torino (1988-1990) enfrentei várias vezes o Milan, em Campeonato Italiano e em Copa Itália. Sabia da qualidade deles e principalmente da arrogância. Eles choraram depois do jogo. Eles não acreditavam que tinha perdido.
O jogo contra o Milan foi um dos mais difíceis que você fez?
Não existe partida fácil. Foi difícil como a decisão contra o Barcelona. O Milan criou as melhores oportunidades. Além de ter feito dois gols, poderia ter feito quatro porque criou mais chances que o São Paulo. Nós aproveitamos bem as chances que tivemos durante o jogo. Foram três oportunidades e três gols.
Teve até seu gol inusitado.
Foi um gol sem querer mesmo, um milagre de Deus. A bola bateu no meu calcanhar e entrou. E eu estava de lado e não de frente para o gol. Ela bateu e entrou no gol. Foi inusitado. Essa é a pergunta que eu mais respondo. Sempre digo que o gol realmente foi sem querer e que milagre não se explica, milagre se aceita.
Lembra como foi o gol?
Sim, foi um lançamento do Toninho Cerezo. O goleiro Rossi [do Milan] chegou primeiro na bola. Para não machucá-lo, eu pulei, o que é normal nesse tipo de lance, mas o Rossi não segurou a bola, ele rebateu. A bola tomou força e, na velocidade que eu estava, ela bateu em mim e tomou a direção do gol.
Você até provocou o zagueiro Costacurta após o gol [apontou para o rival e disse "este gol é para você, palhaço"].
Foi coisa de jogo. Alguns minutos antes do meu gol teve uma confusão e a gente começou a discutir e brigar. Após o gol, houve a provocação. Mas foi uma coisa de jogo, não era uma rixa, nem nada. Todo mundo queria ganhar e numa final vale tudo.
Entre os clubes brasileiros, antes do São Paulo, apenas o Santos havia sido bicampeão mundial consecutivo. Qual foi o impacto daquele título?
Ajudou as equipes do futebol brasileiro a se conscientizaram sobre a importância da Libertadores. Depois daquele título os times pegaram gosto pela Libertadores. O brasileiro não dava tanto valor antes. Por isso os argentinos são até hoje os maiores campeões.
Vinte anos após bicampeonato mundial, Muller admite ter feito gol sem querer
Fonte Folha de S. Paulo
15 de Dezembro de 2013
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