O coração de Oscar Bernardi vai estar dividido nesta quarta-feira quando Ponte Preta e São Paulo decidirem uma vaga para a final da Copa Sul-Americana, nesta quarta-feira, no estádio Romildão, em Mogi Mirim. Não é pra menos. No time de Campinas, o então zagueiro deu os seus primeiros passos na carreira, jogando de 1973 a 1979. Depois veio o São Paulo, atuando de 1980 a 1987. Foi campeão paulista de 1980, 1981, 1985, 1987 e Brasileiro de 1986.
Com sete anos em cada clube, preferiu não optar sua preferência hoje. “Sinceramente eu vou ficar em cima do muro, neutro e torcer apenas para que seja um bom jogo”, disse em entrevista exclusiva ao Portal da Band.
Mas o ex-xerifão, que defendeu a seleção brasileira, espera que o time de Muricy Ramalho apresente um melhor futebol do que aconteceu na derrota por 3 a 1, no Morumbi, na quarta-feira passada, no primeiro jogo das semifinais entre as duas equipes. “O São Paulo precisa entrar mais decisivo, com mais vontade, com sangue nos olhos”.
Para Oscar, a Ponte Preta tem todas as condições de se classificar à sua primeira decisão de competição internacional e até receita como se dar bem. “A Ponte Preta deve jogar mais precavida, começando a marcar do meio-campo, dificultando assim a penetração do rival”.
O ex-zagueiro não acredita que o fantasma de o time de Campinas nunca ter conquistado um título possa atrapalhar nesse momento. “Tudo é questão de confiança e os jogadores estão querendo muito. Quem sabe não seja a hora da Ponte ser campeã?”.
Oscar até opinou sobre a briga das duas diretorias nos bastidores para essa partida decisiva. “O campo da Ponte Preta teria todas as condições de fazer esse jogo. Mogi Mirim não é mais seguro. O São Paulo agiu dentro do regulamento”.
Veja a entrevista completa a seguir:
Portal da Band: Você jogou nos dois times. Está torcendo pra quem?
Oscar: Sinceramente eu vou ficar em cima do muro, pois joguei sete anos em cada clube. Na Ponte Preta foi onde iniciei a carreira, e depois fui jogar no São Paulo, aonde tenho muitos amigos como o Muricy Ramalho e o Milton Cruz, que é meu compadre. Gosto dos dois times. Vou ficar neutro. Vou torcer apenas para que seja um bom jogo.
Portal da Band: Acredita que essa partida vai ser melhor que a do Morumbi por valer uma vaga para a final?
Oscar: Esse jogo vai ser diferente do primeiro jogo. Para o São Paulo vai ser decisão e a Ponte tem a possibilidade de administrar a vantagem pelo saldo de gols que fez. Não é um jogo em que a Ponte pode ficar tranquila, apesar da vantagem boa. O Jorginho (técnico) tem orientado seus jogadores para não serem surpreendidos. A Ponte vai jogar com mais cautela e tem mais motivação para segurar o resultado. Na medida em que o tempo vai passando e se o São Paulo não fizer o gol, fica mais nervoso e as chances vão se esgotando.
Portal da Band: O que o São Paulo precisa fazer pra reverter a situação?
Oscar:Tem que jogar bem melhor do que na primeira partida. Semana passada o time estava muito tranquilo, achando que podia reverter o placar a qualquer momento. Foi uma atitude perigosa. Até saiu na frente, mas depois levou o gol de empate no fim do primeiro tempo. Na etapa complementar, com a chuva, a Ponte conseguiu igualar o toque de bola, foi mais decisivo e fez os gols. O São Paulo precisa entrar mais decisivo, com mais vontade, com sangue nos olhos. A defesa da Ponte comportou bem, deu pouco espaço. Por outro lado, o São Paulo cometeu faltas bobas no meio campo, em locais que não levava nenhum perigo.
Portal da Band: Como a Ponte vai se comportar hoje?
Oscar: A Ponte Preta deve ser mais precavida, começando a marcar do meio-campo, dificultando assim a penetração do rival. Vai ser fácil chutar bola pra fora do campo, pois o estádio de Mogi Mirim é menor que o Morumbi, e como diz o ditado: bola pro mato que o jogo vale campeonato. O gandula vai ter muito trabalho.
Portal da Band: O que achou da briga nos bastidores entre as diretorias?
Oscar: O campo da Ponte Preta teria todas as condições de fazer o jogo. Mogi Mirim não é mais seguro. Seria interessante ver esse jogo em Campinas, mas não é de hoje que a Ponte Preta é prejudicada nos bastidores, como no Paulista de 74 e o de 77 contra o Corinthians, onde fizemos três jogos na capital. O São Paulo agiu dentro do regulamento, tentando tirar proveito da artimanha do inimigo. Às vezes dá certo, outras não.
Portal da Band: Você comentou que sempre os dois times tiveram bom relacionamento?
Oscar: Não sei o que aconteceu agora, mas a Ponte Preta sempre foi amiga do São Paulo e cedeu vários jogadores: Waldir Perez, Chicão, Nelsinho, Samuel, eu. Não sei o que aconteceu. Foi um momento de esperteza do São Paulo, mas que não foi maldade.
Portal da Band: Como explica a Ponte estar perto de uma decisão sendo que no Brasileiro está quase rebaixada?
Oscar: É simplesmente matemático. O Brasileiro tem um número de jogos muito grande, com turno e returno. Tem que somar o maior número de pontos no começo. Quando deixa pra recuperar no segundo turno, ou quando faltam 15 jogos ou menos, vai complicando cada vez mais, pois apesar de vencer, o time não sai do lugar. Na Sul-Americana são poucos jogos e o time conseguiu se projetar, se classificar e organizar na medida em que as fases foram se passando.
Portal da Band: O fato de a Ponte Preta nunca ter sido campeã pesa nesse momento decisivo?
Oscar: Não tem nada a ver. Não tem nada enterrado. Tudo depende do plantel, do trabalho feito e o Jorginho tem feito um trabalho muito sério. As coisas estão mudando. Tudo é questão de confiança e os jogadores estão querendo muito. Quem sabe não seja a hora da Ponte ser campeã? Estou na torcida pra que tudo de certo. No ano passado esteve próximo no Campeonato Paulista.
Portal da Band: Quais são os jogos memoráveis pela Ponte contra o São Paulo?
Oscar: A minha missão sempre foi bem ingrata. Quando jogava pela Ponte tinha que marcar nada menos que o Serginho Chulapa. Era bem complicado, porque qualquer vacilo ele fazia mesmo. Alguns jogos ganhei, principalmente jogando em Campinas, outros perdi, mais em São Paulo.
Portal da Band: E as partidas pelo São Paulo diante do ex-time?
Oscar: Lembro-me de alguns jogos, que cheguei a fazer dois gols. Comemorei muito, pois não tinha essa de não comemorar, afinal eu era zagueiro e tinha poucas oportunidades. Quando fazia, extravasava mesmo. Não tinha esse negócio de não comemorar gol como acontece agora. Não tinha nenhum desrespeito. Era profissional.
Portal da Band: Quem se assemelha ao seu estilo no São Paulo e na Ponte atualmente?
Oscar: O estilo que eu jogava era outro. Era um zagueiro que tinha bastante velocidade, a mesma do Lima (atacante) do São Paulo. Tinha uma rápida recuperação e antecipação e era bom cabeceador.