De troca de nomes a desnível no solo, Romildão coleciona curiosidades
Estádio do Mogi já foi chamado de Vail Chaves, Wilson de Barros e João Paulo II até nomenclatura atual. No campo, desnível provoca diferença entre as traves de um gol
Fonte Globo Esporte
27 de Novembro de 2013
As várias faces do Romildão, palco do duelo entre Ponte e São Paulo, nesta quarta-feira (Editoria de Arte)
Nada da grandiosidade do Morumbi ou do charme do Majestoso. A disputa nos bastidores entre Ponte Preta e São Paulo levou o segundo jogo da semifinal para o estádio do Mogi Mirim, atual Romildão, mas que também já foi chamado de Vail Chaves, Wilson de Barros e Papa João Paulo II. A troca de nomes é uma das curiosidades do palco do duelo desta quarta-feira que define o finalista brasileiro do torneio. A bola rola a partir das 21h50.
Com 22 anos de vida, o estádio prepara para receber a principal partida da sua história até o momento. O próprio São Paulo já foi campeão paulista no local, em 2005, Santos e Mogi fizeram uma das semifinais do último estadual dele, mas por se tratar de uma competição internacional, o confronto entre Macaca e Tricolor é visto como histórico em Mogi Mirim, apesar de não envolver o dono da casa.
A HISTÓRIA DE NOME EM NOME
Antes de virar um estádio, o local era utilizado como depósito para a Companhia Paulista de Força e Luz. Com a desativação da companhia, o terreno foi doado uma parte para o município, que aproveitou o espaço para construir escolas, e uma parte para o Mogi. A negociação foi intermediada por Vail Chaves. Daí no primeiro nome do estádio, inaugurado em 7 de julho de 1981, na vitória do Mogi por 4 a 2 sobre o Palmeiras.
Na década de 90, o então presidente Wilson Fernandes de Barros fez uma grande reforma no estádio, construindo arquibancadas de cimento e dando uma modernizada na estrutura. O investimento fez o conselho do clube decidir prestar uma homenagem a ele e votou por chamar o local de Wilson de Barros, ainda mandatário do clube.
Mas foi o próprio Wilson de Barros que fez a terceira mudança no nome. Por conta de uma promessa. O presidente do Mogi teve a mulher e a filha sequestradas e prometeu que, caso as duas fosse devolvidas, chamaria o estádio de Papa João Paulo II. E assim foi até 2011, quando Rivaldo assumiu a presidência do Sapão. Inicialmente, o pentacampeão quis renomear para Wilson de Barros, mas a ideia não foi aceita pela família. Então, ele resolveu colocar o nome do pai dele no local: Romildo Vitor Gomes Ferreira, o Romildão.
PRÓS E CONTRAS
Atualmente, o Romildão, assim como a maioria dos estádios, tem os pontos positivos e negativos. A favor, tem a localização. No centro da cidade, é de fácil acesso. A visão do campo para a torcida também é privilegiada, devido à proximidade das arquibancadas com o gramado. Por outro lado, o estádio necessita de melhorias estruturais. A diretoria reconhece e está disposta a fazer novas reformas. Mas precisa de tempo. E, principalmente, verba. O acesso para a Série B era visto como a chance de corrigir algumas falhas do estádio.
Devido ao desnível do solo, existe uma diferença entre as traves de um dos gols do Romildão (Foto: Heitor Esmeriz)
O que mais chama a atenção é um desnível do solo provocado pelo acúmulo de água. Uma falha da drenagem que acelerou o processo de erosão. O lado que fica contrário às cabines de rádio e televisão é mais baixo. A diferença fica mais evidente no gol do fundo.
Quando houve a diminuição do tamanho do campo de 75 metros para 70, a marcação da baliza ficou bem em cima de um buraco. Por conta disso, o lado esquerdo é dez centímetros maior que o direito.
Ciente da situação, a diretoria já sabe o que precisa fazer. Vai tirar a grama dali e colocar terra para equilibrar. Para isso, no entanto, precisa de tempo, o que tem sido raro de alguns meses para cá. Além do profissional, atualmente parado, as categorias do Mogi também mandam jogos no Romildão. Sem contar as vezes em que o estádio é alugado para partidas da elite nacional e jogos festivos.
Outro ponto que deixa a desejar, segundo jogadores e técnicos, é a iluminação. Existem apenas duas torres e ambas estão do mesmo lado, o que deixa o lado oposto, onde há o desnível do gramado, com a visão prejudicada nos jogos noturnos, como é o caso de Ponte Preta e São Paulo nesta quarta-feira.
- Pelo que deu para perceber, isso vai dificultar muito a vida dos goleiros. Acho que a rapaziada vai arriscar bastante amanhã. É um pouco ruim, compromete um pouco a visão. Mas é ruim para a gente e para eles também. Então, está na mesma – comentou o atacante Leonardo, da Ponte Preta.
Em relação à condição do campo, também há ressalvas. É uma grama do tipo esmeralda, mais fofa e alta, o que, consequentemente, deixa o jogo mais devagar, além do desgaste natural de um gramado que já foi considerado modelo no interior paulista, um tapete.
- São situações que não estamos acostumados e que não iríamos precisar passar se o jogo fosse no nosso estádio, que, nestes pontos, tem bem mais condição. Mas estamos aqui e é aqui que vamos jogar. Fora isso, nos sentimos muito bem no estádio – disse o técnico Jorginho.
Com seus prós e contras, o Romildão entrará para a história de Ponte Preta ou São Paulo nesta quarta-feira. Para a Macaca, pode ser o palco de uma classificação inédita para a final de um torneio continental. Para o Tricolor, o lugar de uma virada épica. A vantagem é alvinegra. Com a vitória por 3 a 1 no Morumbi, os campineiros podem perder por até 2 a 0 que estarão classificados. Ao São Paulo, resta vencer por três gols de diferença ou dois, desde que marque pelo menos quatro. Um novo 3 a 1, só que a favor do Tricolor, levará a decisão para os pênaltis. Quem passar, enfrentará o vencedor do duelo entre Lanús, da Argentina,e Libertad, do Paraguai.
Nada da grandiosidade do Morumbi ou do charme do Majestoso. A disputa nos bastidores entre Ponte Preta e São Paulo levou o segundo jogo da semifinal para o estádio do Mogi Mirim, atual Romildão, mas que também já foi chamado de Vail Chaves, Wilson de Barros e Papa João Paulo II. A troca de nomes é uma das curiosidades do palco do duelo desta quarta-feira que define o finalista brasileiro do torneio. A bola rola a partir das 21h50.
Com 22 anos de vida, o estádio prepara para receber a principal partida da sua história até o momento. O próprio São Paulo já foi campeão paulista no local, em 2005, Santos e Mogi fizeram uma das semifinais do último estadual dele, mas por se tratar de uma competição internacional, o confronto entre Macaca e Tricolor é visto como histórico em Mogi Mirim, apesar de não envolver o dono da casa.
A HISTÓRIA DE NOME EM NOME
Antes de virar um estádio, o local era utilizado como depósito para a Companhia Paulista de Força e Luz. Com a desativação da companhia, o terreno foi doado uma parte para o município, que aproveitou o espaço para construir escolas, e uma parte para o Mogi. A negociação foi intermediada por Vail Chaves. Daí no primeiro nome do estádio, inaugurado em 7 de julho de 1981, na vitória do Mogi por 4 a 2 sobre o Palmeiras.
Na década de 90, o então presidente Wilson Fernandes de Barros fez uma grande reforma no estádio, construindo arquibancadas de cimento e dando uma modernizada na estrutura. O investimento fez o conselho do clube decidir prestar uma homenagem a ele e votou por chamar o local de Wilson de Barros, ainda mandatário do clube.
Mas foi o próprio Wilson de Barros que fez a terceira mudança no nome. Por conta de uma promessa. O presidente do Mogi teve a mulher e a filha sequestradas e prometeu que, caso as duas fosse devolvidas, chamaria o estádio de Papa João Paulo II. E assim foi até 2011, quando Rivaldo assumiu a presidência do Sapão. Inicialmente, o pentacampeão quis renomear para Wilson de Barros, mas a ideia não foi aceita pela família. Então, ele resolveu colocar o nome do pai dele no local: Romildo Vitor Gomes Ferreira, o Romildão.
PRÓS E CONTRAS
Atualmente, o Romildão, assim como a maioria dos estádios, tem os pontos positivos e negativos. A favor, tem a localização. No centro da cidade, é de fácil acesso. A visão do campo para a torcida também é privilegiada, devido à proximidade das arquibancadas com o gramado. Por outro lado, o estádio necessita de melhorias estruturais. A diretoria reconhece e está disposta a fazer novas reformas. Mas precisa de tempo. E, principalmente, verba. O acesso para a Série B era visto como a chance de corrigir algumas falhas do estádio.
Devido ao desnível do solo, existe uma diferença entre as traves de um dos gols do Romildão (Foto: Heitor Esmeriz)
O que mais chama a atenção é um desnível do solo provocado pelo acúmulo de água. Uma falha da drenagem que acelerou o processo de erosão. O lado que fica contrário às cabines de rádio e televisão é mais baixo. A diferença fica mais evidente no gol do fundo.
Quando houve a diminuição do tamanho do campo de 75 metros para 70, a marcação da baliza ficou bem em cima de um buraco. Por conta disso, o lado esquerdo é dez centímetros maior que o direito.
Ciente da situação, a diretoria já sabe o que precisa fazer. Vai tirar a grama dali e colocar terra para equilibrar. Para isso, no entanto, precisa de tempo, o que tem sido raro de alguns meses para cá. Além do profissional, atualmente parado, as categorias do Mogi também mandam jogos no Romildão. Sem contar as vezes em que o estádio é alugado para partidas da elite nacional e jogos festivos.
Outro ponto que deixa a desejar, segundo jogadores e técnicos, é a iluminação. Existem apenas duas torres e ambas estão do mesmo lado, o que deixa o lado oposto, onde há o desnível do gramado, com a visão prejudicada nos jogos noturnos, como é o caso de Ponte Preta e São Paulo nesta quarta-feira.
- Pelo que deu para perceber, isso vai dificultar muito a vida dos goleiros. Acho que a rapaziada vai arriscar bastante amanhã. É um pouco ruim, compromete um pouco a visão. Mas é ruim para a gente e para eles também. Então, está na mesma – comentou o atacante Leonardo, da Ponte Preta.
Em relação à condição do campo, também há ressalvas. É uma grama do tipo esmeralda, mais fofa e alta, o que, consequentemente, deixa o jogo mais devagar, além do desgaste natural de um gramado que já foi considerado modelo no interior paulista, um tapete.
- São situações que não estamos acostumados e que não iríamos precisar passar se o jogo fosse no nosso estádio, que, nestes pontos, tem bem mais condição. Mas estamos aqui e é aqui que vamos jogar. Fora isso, nos sentimos muito bem no estádio – disse o técnico Jorginho.
Com seus prós e contras, o Romildão entrará para a história de Ponte Preta ou São Paulo nesta quarta-feira. Para a Macaca, pode ser o palco de uma classificação inédita para a final de um torneio continental. Para o Tricolor, o lugar de uma virada épica. A vantagem é alvinegra. Com a vitória por 3 a 1 no Morumbi, os campineiros podem perder por até 2 a 0 que estarão classificados. Ao São Paulo, resta vencer por três gols de diferença ou dois, desde que marque pelo menos quatro. Um novo 3 a 1, só que a favor do Tricolor, levará a decisão para os pênaltis. Quem passar, enfrentará o vencedor do duelo entre Lanús, da Argentina,e Libertad, do Paraguai.
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