Nada da grandiosidade do Morumbi ou do charme do Majestoso. A disputa nos bastidores entre Ponte Preta e São Paulo levou o segundo jogo da semifinal para o estádio do Mogi Mirim, atual Romildão, mas que também já foi chamado de Vail Chaves, Wilson de Barros e Papa João Paulo II. A troca de nomes é uma das curiosidades do palco do duelo desta quarta-feira que define o finalista brasileiro do torneio. A bola rola a partir das 21h50.
Com 22 anos de vida, o estádio prepara para receber a principal partida da sua história até o momento. O próprio São Paulo já foi campeão paulista no local, em 2005, Santos e Mogi fizeram uma das semifinais do último estadual dele, mas por se tratar de uma competição internacional, o confronto entre Macaca e Tricolor é visto como histórico em Mogi Mirim, apesar de não envolver o dono da casa.
A HISTÓRIA DE NOME EM NOME
Antes de virar um estádio, o local era utilizado como depósito para a Companhia Paulista de Força e Luz. Com a desativação da companhia, o terreno foi doado uma parte para o município, que aproveitou o espaço para construir escolas, e uma parte para o Mogi. A negociação foi intermediada por Vail Chaves. Daí no primeiro nome do estádio, inaugurado em 7 de julho de 1981, na vitória do Mogi por 4 a 2 sobre o Palmeiras.
Na década de 90, o então presidente Wilson Fernandes de Barros fez uma grande reforma no estádio, construindo arquibancadas de cimento e dando uma modernizada na estrutura. O investimento fez o conselho do clube decidir prestar uma homenagem a ele e votou por chamar o local de Wilson de Barros, ainda mandatário do clube.
Mas foi o próprio Wilson de Barros que fez a terceira mudança no nome. Por conta de uma promessa. O presidente do Mogi teve a mulher e a filha sequestradas e prometeu que, caso as duas fosse devolvidas, chamaria o estádio de Papa João Paulo II. E assim foi até 2011, quando Rivaldo assumiu a presidência do Sapão. Inicialmente, o pentacampeão quis renomear para Wilson de Barros, mas a ideia não foi aceita pela família. Então, ele resolveu colocar o nome do pai dele no local: Romildo Vitor Gomes Ferreira, o Romildão.
PRÓS E CONTRAS
Atualmente, o Romildão, assim como a maioria dos estádios, tem os pontos positivos e negativos. A favor, tem a localização. No centro da cidade, é de fácil acesso. A visão do campo para a torcida também é privilegiada, devido à proximidade das arquibancadas com o gramado. Por outro lado, o estádio necessita de melhorias estruturais. A diretoria reconhece e está disposta a fazer novas reformas. Mas precisa de tempo. E, principalmente, verba. O acesso para a Série B era visto como a chance de corrigir algumas falhas do estádio.
Devido ao desnível do solo, existe uma diferença entre as traves de um dos gols do Romildão (Foto: Heitor Esmeriz)
O que mais chama a atenção é um desnível do solo provocado pelo acúmulo de água. Uma falha da drenagem que acelerou o processo de erosão. O lado que fica contrário às cabines de rádio e televisão é mais baixo. A diferença fica mais evidente no gol do fundo.
Quando houve a diminuição do tamanho do campo de 75 metros para 70, a marcação da baliza ficou bem em cima de um buraco. Por conta disso, o lado esquerdo é dez centímetros maior que o direito.
Ciente da situação, a diretoria já sabe o que precisa fazer. Vai tirar a grama dali e colocar terra para equilibrar. Para isso, no entanto, precisa de tempo, o que tem sido raro de alguns meses para cá. Além do profissional, atualmente parado, as categorias do Mogi também mandam jogos no Romildão. Sem contar as vezes em que o estádio é alugado para partidas da elite nacional e jogos festivos.
Outro ponto que deixa a desejar, segundo jogadores e técnicos, é a iluminação. Existem apenas duas torres e ambas estão do mesmo lado, o que deixa o lado oposto, onde há o desnível do gramado, com a visão prejudicada nos jogos noturnos, como é o caso de Ponte Preta e São Paulo nesta quarta-feira.
- Pelo que deu para perceber, isso vai dificultar muito a vida dos goleiros. Acho que a rapaziada vai arriscar bastante amanhã. É um pouco ruim, compromete um pouco a visão. Mas é ruim para a gente e para eles também. Então, está na mesma – comentou o atacante Leonardo, da Ponte Preta.
Em relação à condição do campo, também há ressalvas. É uma grama do tipo esmeralda, mais fofa e alta, o que, consequentemente, deixa o jogo mais devagar, além do desgaste natural de um gramado que já foi considerado modelo no interior paulista, um tapete.
- São situações que não estamos acostumados e que não iríamos precisar passar se o jogo fosse no nosso estádio, que, nestes pontos, tem bem mais condição. Mas estamos aqui e é aqui que vamos jogar. Fora isso, nos sentimos muito bem no estádio – disse o técnico Jorginho.
Com seus prós e contras, o Romildão entrará para a história de Ponte Preta ou São Paulo nesta quarta-feira. Para a Macaca, pode ser o palco de uma classificação inédita para a final de um torneio continental. Para o Tricolor, o lugar de uma virada épica. A vantagem é alvinegra. Com a vitória por 3 a 1 no Morumbi, os campineiros podem perder por até 2 a 0 que estarão classificados. Ao São Paulo, resta vencer por três gols de diferença ou dois, desde que marque pelo menos quatro. Um novo 3 a 1, só que a favor do Tricolor, levará a decisão para os pênaltis. Quem passar, enfrentará o vencedor do duelo entre Lanús, da Argentina,e Libertad, do Paraguai.