Com promessa de anunciar se vai se aposentar ou não no fim deste ano, Ceni é o maior produto de marketing do clube
A cada quatro camisas vendidas pelo São Paulo, uma corre risco de não ter como cor principal os tradicionais vermelho, branco ou preto, marcas do time do Morumbi.
Esse uniforme já foi amarelo, dourado, rosa, cinza, laranja. Hoje, em tom azul bem claro, lembra o traje vestido pela seleção do Uruguai. E sempre tem o número 01, ou 10 ao contrário, nas costas.
Rogério Ceni, 40, faz com que 25% dos torcedores são-paulinos abram mão de comprar um uniforme tradicional do São Paulo para adquirir uma roupa de goleiro. É, disparado, o jogador do clube que mais vende camisas.
Afinal, não existe no futebol brasileiro (e provavelmente em todo mundo, ainda que não exista comprovação oficial) um ídolo com mais partidas disputadas por um único time que Ceni.
Contra o Botafogo, hoje, em casa, o goleiro defenderá o São Paulo pela 1.117ª vez na carreira e deixará para trás o recorde do maior jogador da história, Pelé, que disputou 1.116 jogos pelo Santos.
A vida do camisa 1 no Morumbi já dura 23 anos, praticamente 30% dos 77 anos de existência do clube. Ceni esteve presente em mais de 21% das 5.223 partidas e em quase 22% de todas as vitórias da história da equipe tricolor.
Mas são outras duas marcas que transformam o jogador em um ídolo capaz de receber o apelido de "Mito".
Ceni estava no elenco de 17 dos 41 títulos oficiais já conquistados pelo São Paulo, ou seja em mais de 40% deles. Foi protagonista de duas das maiores conquistas: Libertadores e Mundial de Clubes de 2005, seu ano de ouro.
O capitão também tem uma contribuição para a história são-paulina além das tarefas normais de um goleiro. Seus 113 gols representam 0,01% dos tentos que o clube marcou desde sua fundação. Parece pouca coisa, mas nenhum arqueiro, nem no Brasil e nem no exterior, balançou tanto as redes quanto ele.
"O Rogério é nosso maior ídolo, é o maior produto de marketing que temos. Além do desempenho em campo, ele se destaca pela conduta profissional, é um cara que sempre respeitou o torcedor. É nosso principal agente, nossa alavanca", disse o vice de marketing Julio Casares.
Só com os royalties da vendas de camisas de Ceni, o São Paulo fatura anualmente cerca de R$ 1,8 milhão.
O clube acredita que poderia fazer muito mais dinheiro com o ídolo, mas esbarra numa questão contratual. O goleiro é dono dos seus direitos de imagem e não libera o uso dela para muitas ações.
Esse, aliás, é um dos pontos que a diretoria pretende alterar caso Ceni desista da ideia inicial de se aposentar em dezembro a aceite jogar por mais uma temporada.
O São Paulo quer que o novo contrato do goleiro tenha uma cláusula que permita ao clube aproveitar o último ano da carreira do ídolo para faturar com venda de todo tipo de produto licenciado por ele.
Ceni diz que só irá anunciar sua decisão no fim de 2013, depois do encerramento da participação são-paulina na Sul-Americana --o time perdeu em casa por 3 a 1 o confronto de ida com a Ponte Preta e joga na quarta por uma virada e vaga na final.
"Acho [que ele continua]. Desde que a gente melhorou no Brasileiro, ele mudou. Está mais entusiasmado, acho que considera mais a possibilidade de não se aposentar", disse o vice de futebol João Paulo de Jesus Lopes.
São Paulo quer ampliar uso de imagem de Rogerio Ceni em 2014
Fonte Folha de S. Paulo
24 de Novembro de 2013
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