Isolado, o São Paulo se viu obrigado a enviar uma carta à FPF (Federação Paulista de Futebol) na tentativa de selar a paz. No texto, assinado pelo presidente Juvenal Juvêncio, ao qual o Estado teve acesso (veja abaixo), o clube assume o compromisso de "dialogar com todos os outros clubes brasileiros, diretamente ou sob a mediação das entidades representativas, visando a estabelecer condutas que possam atender aos interesses do futebol nacional e a regular a formação de atletas." O documento foi repassado aos clubes, que parecem ter ficado satisfeitos, e a tendência é que um acordo seja selado nos próximos dias. "O São Paulo está vendo que precisa estar junto com os outros clubes. Acho que esse problema vai ser resolvido e todos vão participar da Copa São Paulo", disse o presidente do Vitória, Alexi Portela, um dos líderes do movimento.
Diretor executivo da base do Vasco, Mauro Galvão também mostrou-se satisfeito. "O primeiro passo foi dado e deve ser aceito. A nossa intenção era que o São Paulo reconhecesse e participasse da Copa São Paulo." Ainda de acordo com o ex-jogador, a postura são-paulina de contratar jogadores negociando diretamente com as famílias espalhou "terror" no mercado. "Nós trabalhamos preocupados se o atleta vai fugir ou se vai ser levado para outra equipe. É difícil viver assim, na base do terror constante."
No ano passado, passou a vigorar um código de ética entre os coordenadores de base para não haver mais "roubo" de garotos menores de 16 anos, que não podem assinar contrato como profissionais e, por isso, ficam mais vulneráveis. O São Paulo foi acusado de ser o único a não respeitar o acordo. O caso mais recente envolveu o goleiro Lucão, de 15 anos, ex-Ponte Preta.
Revoltados, os clubes resolveram se solidarizar com a Ponte e protestar em conjunto. Coube, então, ao presidente da FPF e vice da CBF, Marco Polo Del Nero, tentar intermediar o impasse. A Copa São Paulo é a segunda competição de maior peso da federação, atrás apenas da Série A-1 do Campeonato Paulista. Além da Copinha, o boicote também poderia atingir as Copas do Brasil Sub-17 e Sub-20. O assessor da presidência do São Paulo, José Francisco Manssur, escolhido por Juvenal o porta-voz do clube para falar sobre categorias de base, não retornou às ligações do Estado.