[SPFC.Net] Técnica e raça. Don Dario Pereyra, um dos maiores zagueiros da história

Todos sabem, Don Darío é são-paulino de coração, assim como Pedro Rocha, Pablo Forlán, Lugano e outros uruguaios acrescentaram glórias ao São Paulo. Don Darío Pereyra é um pedaço da história Tricolor

Fonte SPFC.Net
(Crédito: saopaulofc.net)
Em 19 de outubro de 1956, em Sauce no Uruguai, nasceu um dos melhores zagueiros da história do futebol. O pequeno Darío começou a jogar futebol no time amador do Sportivo Oriental e em seguida passou pelo Artigas de Sauce até ser descoberto em 1970, quando foi levado para o Dente de Leite do Nacional. Conhecido pela união de técnica e raça, característica dos jogadores uruguaios, Alfonso Darío Pereyra começou sua carreira, na época, como meia. Classe e tranqüilidade caracterizavam bem o seu jeito de jogar futebol.
Em 1973, seu futebol já era comparado a craques como Monteiro Castilho e Pedro Rocha, o que resultou em seu aproveitamento na equipe principal do Nacional a partir de 1974, quando passou a morar no próprio clube que o revelou.
A intimidade com a bola é facilmente explicada. Sempre atuando como meia esquerda ou ainda volante, Darío chegou rapidamente à “celeste olímpica”. Com 19 anos, já era capitão no Nacional e da Seleção Uruguaia. Em abril de 1976, Darío Pereyra era uma das estrelas do selecionado uruguaio que esteve no Maracanã para a disputa da Copa do Atlântico. O São Paulo já tentava sua contratação, no entanto havia uma lei que proibia a saída de atletas uruguaios antes de 21 anos completados. Darío nessa época tinha apenas 20.

(Crédito: site do Milton Neves)
Naquele tempo, o futebol uruguaio vivia uma grave crise financeira. Assim, finalmente, em 16 de outubro de 1977, o craque uruguaio desembarcou em Congonhas, recepcionado por ávidos torcedores Tricolores, deixando de lado as também insistentes investidas do Real Madrid. Dario chegou com fama de craque e com a responsabilidade de manter o legado de sucesso deixado por jogadores estrangeiros como Sastre, Pedro Rocha e Forlan.

(Crédito: revista Placar)
Existiam dúvidas quanto aos valores envolvidos e divulgados na contratação (300 mil US$ ou ainda 170 mil US$, conforme publicado na época pela revista Placar). Entretanto, Don Darío custou Cr$ 5,5 milhões aos cofres Tricolores, depois de uma longa novela entre o clube paulista e o jogador uruguaio. Foi a segunda contratação mais cara da época no futebol brasileiro, perdendo apenas para Palhinha que custara Cr$ 7 milhões.

(Crédito: revista Placar)
Sua estréia com a camisa tricolor aconteceu somente em 11 de dezembro de 1977, quando entrou na segunda etapa da partida contra o Internacional. Dario sentiu a pressão. Coloram muito peso sobre o garoto. Darío sentiu-se intimidado pela grandiosidade da torcida, pela distância na família e as dificuldades com o português. Mesmo na conquista nacional de 1977 não rendeu o que era esperado. Em um jogo emocionante contra o Atlético Mineiro, um time fantástico formado por Valdir Perez, Getúlio, Tecão, Bezerra e Antenor; Chicão, Teodoro, Darío Pereyra e Viana; Mirandinha e Zé Sérgio conseguiram um feito notável, faturar a taça em pleno Mineirão, contra um time que não havia sido derrotado em todo o campeonato.
Pouco depois, começou o seu martírio de contusões. Atacado por uma distensão, que se tornou uma companheira inseparável, superando qualquer tipo de tratamento existente na época,
Darío vivia no Departamento médico do clube. O camisa dez também não se adaptava ao estilo de jogo praticado e nem aos esquemas adotados. Mesmo assim, seu nome era sempre certo nas convocações da celeste que disputava as eliminatórias da Copa de 1978. Darío também disputou a copa de 1978 pelo Uruguai.

(Crédito: revista Placar)
O São Paulo passou a amargar derrotas entre 1978 e 1979, a coisa não ia nada bem. Um 1980 a promessa era a de um novo São Paulo, remodelado, que iria entrar para a história. Na época, em um clássico empatado contra o Corinthians, sem um quarto zagueiro no banco de reservas para substituir Gassem, que estava contundido, o técnico Carlos Alberto Silva escalou Darío na posição, deixando todos apreensivos. Foi a partir de 13 de julho de 1980 que Darío mostrou seu futebol. Nesse ano ele foi considerado o melhor jogador do campeonato paulista atuando como quarto zagueiro. A experiência deu certo e Darío foi decisivo para a conquista do bi-campeonato paulista de 1980/1981.

(Crédito: revista Placar)
Nesse mesmo ano, em um golpe de mestre, o tricolor contratou o zagueiro da Seleção Brasileira Oscar para atuar ao lado de Darío. Então, formou-se a maior dupla defensiva da história do futebol brasileiro. Foi um entrosamento perfeito e Darío evoluiu. Ambos saíam da área para fazer gols, e Darío, com habilidade de meia, tinha um chute poderoso e preciso. Defendendo, era impecável nas divididas e nas antecipações, não perdia uma bola. Ganhava pelo alto e por baixo! Don Darío Pereyra pode ser comparado ao grande Roberto Dias, cujo comentário é dispensável. Ao longo de seus onze anos no Morumbi, formou ao lado de Oscar Bernardi uma dupla de zaga que até hoje é lembrada como uma das melhores na história do Clube, quiçá da história do futebol.

(Crédito: revista Placar)
Ainda em 1981, Dario ganhou a Bola de Prata da Revista Placar e sempre que alguém perguntava ao técnico Carlos Alberto Silva o que ele achava de colocar Darío novamente no meio-campo, a resposta do técnico era a mesma: “Eu por acaso sou louco?”.

(Crédito: revista Placar)
Campeão paulista de 1985 e campeão brasileiro de 1986, Darío vestiu a camisa da seleção uruguaia durante a disputa da Copa do Mundo de 1986 pela segunda vez em Copas do Mundo.

SPFC 1986: Gilmar; Fonseca, Wagner Basílio, Darío Pereyra e Nelsinho; Bernardo, Silas e Pita; Müller, Careca (capitão) e Sídnei. Técnico: Pepe. (Crédito: saopaulofc.net)
Novamente campeão paulista de 1987, Darío permaneceu no São Paulo até o final da campanha no campeonato paulista de 1988, quando foi negociado com o Flamengo. Ao todo, o craque realizou 451 partidas com a camisa são-paulina, obtendo 222 vitórias, 127 empates e 102 derrotas, anotando 38 gols em suas investidas ao ataque. Conquistou quatro Paulistas e dois Brasileiros. Fonte: Almanaque do São Paulo, de Alexandre da Costa.

(Crédito: gazetapress)
A partir daí, defendeu as camisas de Flamengo em 1988, com rápida passagem, e do Palmeiras em 1989 onde ficou pouco tempo por problemas de relacionamento com o técnico Leão. Já em fim de carreira, jogou no futebol japonês, sagrando-se campeão da Copa do Imperador em 1990. Como jogador, é conhecido como um dos zagueiros mais técnicos que já passaram pelo futebol nacional.
Darío tornou-se técnico de futebol. Iniciou o trabalho no Maior do Mundo, comandando as divisões de base, e depois liderando a equipe profissional em 1997 sucedendo Muricy Ramalho. Foi vice-campeão paulista com o Tricolor.
Em 1998 deixou o São Paulo e dirigiu o Coritiba. No ano seguinte, em 1999, obteve sua maior conquista como técnico: campeão mineiro pelo Atlético. Darío dirigiu ainda o Guarani (2000), o Corinthians (2001), o Paysandu (em 2002 e 2003) e Grêmio (2003). Após algum tempo sem trabalhar em clubes de futebol, Darío Pereyra aceitou o convite para trabalhar de dirigente do Avaí (SC), em 2007.
Em 2003, ele fez bela campanha no comando do Payssandu na Libertadores da América. A campanha foi tão exuberante, que a equipe paraense venceu o Boca Juniors, em pleno estádio da La Bombonera, por 1 a 0, gol de Iarley. No jogo de volta, perdeu e foi desclassificado da competição sul-americana. Deixou a marca de um feiro histórico.
Em novembro de 2011, Darío assumiu o comando técnico do Arapongas Esporte Clube, do Paraná, mesma equipe que revelou o atacante Borges, que brilhou nos times do São Paulo, Grêmio e Santos. E, atualmente faz parte da chapa de Kalil Rocha Abdalla para devolver o São Paulo Tricampeão Mundial aos trilhos da soberania conhecida.

(Crédito: gazetapress)
Curiosidade
Em 1981 e 1982 circulavam rumores de que CBF tentaria naturalizar Dario Pereyra. A seleção brasileira, com Oscar e Dario Pereyra, fatalmente não tomaria os três gols da Itália em 1982.
Peixoto
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