Campeão pernambucano deste ano pelo Santa Cruz, Marcelo passou pelos três grandes times pernambucanos na temporada. Dirigiu o Sport e, nas últimas seis rodadas, comandou o Náutico. Venceu duas partidas, empatou uma e perdeu três. Matematicamente, o Timbu pode ainda escapar do rebaixamento, apesar de ser o último colocado do torneio com 17 pontos ganhos.
Em conversa com o Blog do Boleiro, Martelotte contou que está trabalhando a equipe para 2014, mesmo sem saber se vai continuar no cargo. A ideia é dar liberdade de jogo e diminuir a responsabilidade e tensão de quem vai ser rebaixado.
Assim, ele prepara uma armadilha para o São Paulo, aproveitando que o tricolor paulista tem mais a perder.
Blog do Boleiro – Quando você foi contratado, a diretoria do Náutico falou em escapar do rebaixamento ou preparar o time para 2014?
Marcelo Martelotte – Quando fui chamado, a diretoria já sabia que a situação era irreversível. A própria matemática joga contra. O Náutico fez nove pontos no primeiro turno e precisa fazer 35 no returno se quiser escapar, é campanha de time campeão.

Então a questão é preparar o time para a próxima temporada?
Não é bem assim. Temos um trabalho a fazer neste Campeonato Brasileiro. Nos últimos seis jogos, ganhamos dois, empatamos com o Santos e perdemos para equipes que estão na briga lá em cima (Botafogo, Internacional e Cruzeiro). Equilibramos alguns destes jogos. Contra o Internacional, fomos bem até a expulsão do Maranhão.
O time tem jogado bem no primeiro tempo, mas perdendo na segunda etapa. É uma questão de preparo físico?
Não é isso. A questão é que quando se joga nesta situação, você está jogando no limite sempre. A equipe não pode ter qualquer tropeço dentro do jogo, porque fica difícil recuperar. Pelo retrospecto, o jogador acha que o pior vai acontecer. Perdemos jogos aos 46 minutos do segundo tempo. Então é muita pressão.
Mas o Náutico tem sido mais ofensivo. Até porque, pela situação que em que estamos, a gente pode arriscar. Eu soltei mais o time. A ideia é deixar os jogadores na condição de jogar com menos responsabilidade. Assim dá para dar mais liberdade e podemos observar melhor o potencial de alguns atletas jovens para ver se eles podem ser aproveitados em 2014.
Você vai continuar?
Meu contrato dura até o final do Campeonato Brasileiro. No ano que vem, tem eleição no clube. Então temos que esperar para ver o que a próxima diretoria vai fazer. Mas estou pensando em 2014, por isso este trabalho de soltar o time um pouco mais para dar liberdade para todo mundo mostrar o que sabe.
Pelo menos, um jogador subiu de produção: Maikon Leite. Você vê. Eu cheguei e ele estava meio encostado, desmotivado até. Chegaram até a falar com o Palmeiras para devolvê-lo antes. Ele está emprestado até maio de 2014. Sabemos da capacidade dele, trabalhei com ele no Santos. E nos últimos seis jogos, ele marcou seis gols. Bom para ele, para o Palmeiras e, quem sabe, para o Náutico mantê-lo até o fim do contrato.
Nesta quarta-feira, vocês enfrentam o São Paulo no Morumbi. O que você pretende taticamente?
Acho que podemos tirar proveito do fato do São Paulo estar sob pressão. Eles têm a responsabilidade de vencer em casa. Agora, a gente só tira proveito disso se jogarmos, não deixarmos que o adversário jogue com a bola. Temos que marcar bem, jogar com qualidade. O São Paulo vai ter que buscar o jogo, vai se abrir e podemos melhorar nossa condição aí.