O último ano da carreira de Rogério Ceni vem sendo, talvez, o mais complicado de sua "eterna" passagem pelo São Paulo. Com aposentadoria marcada para o fim da temporada, o goleiro vem sofrendo uma chuva de críticas pela irregularidade de seu futebol em 2013, além das falhas em momentos decisivos e declarações polêmicas contra árbitros, treinadores e até diretores de sua própria equipe.
Só neste ano, o maior goleiro-artilheiro de todos os tempos desperdiçou quatro de sete penalidades que bateu, sendo que as batidas da marca da cal sempre foram consideradas uma de suas grandes especialidades: de lá, ele anotou 53 de seus 112 gols. Antes deste ano, havia perdido apenas 16 cobranças em toda a carreira.
O último erro foi no clássico contra o Corinthians, aos 44 minutos do 2º tempo, no último domingo: Cani bateu no canto, mas Cássio resvalou e a bola foi na trave. A vitória, que acabou não vindo, teria deixado o time tricolor mais tranquilo na luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, mas, devido ao erro do ídolo, o clube do Morumbi segue em situação difícil na tabela.
Mas nem só de falhas em pênaltis dura o "inferno astral" do maior jogador da história do São Paulo. Prestes a pendurar as chuteiras, ele se envolveu em diversas outras polêmicas neset ano. Relembre:
- Pênaltis perdidos
Rogério Ceni bateu sete pênaltis em 2013. Converteu três e perdeu quatro. Entre os desperdiçados, três foram em jogos pelo Campeonato Brasileiro, que acabaram custando quatro pontos ao clube tricolor na tabela de classificação. Confira a relação de penalidades convertidas e perdidas:
CONVERTIDOS
São Paulo 5 x 0 Bolívar - Copa Libertadores - 23/01
The Strongest 2 x 1 São Paulo - Copa Libertadores - 04/04
São Paulo 2 x 0 Atlético-MG - Copa Libertadores - 17/04
DESPERDIÇADOS
São Paulo 0 x 2 Bayern-ALE - Copa Audi - 31/07
São Paulo 1 x 1 Portuguesa - Campeonato Brasileiro - 11/07
São Paulo 1 x 2 Criciúma - Campeonato Brasileiro - 05/09
São Paulo 0 x 0 Corinthians - Campeonato Brasileiro - 13/10
- Apenas dois gols de falta
Autor de dezenas de gols de falta em sua carreira, Rogério Ceni vive uma seca no quesito neste ano. Em 2013, ele converteu apenas dois tiros livres. O primeiro foi contra o Guarani, em 11 de fevereiro, pelo Campeonato Paulista. Na ocasião, a partida terminou 2 a 1 para o clube da capital paulista, com o camisa 01 anotando seu tento nº 109 na história.
O segundo foi no dia 14 de julho, quando ele acertou belo chute contra o Vitória, no Barradão. Desta vez, porém, de nada adiantou, já que o clube rubro-negro venceu por 3 a 2, pelo Campeonato Brasileiro.
- Frangos
Outrora comandante de um "paredão" que garantiu ao São Paulo três títulos consecutivos do Campeonato Brasileiro nos anos 2000, Rogério já não mostra os mesmos reflexos de outros tempos. Nesta temporada, ele levou alguns dos piores frangos de sua carreira.

Rogério Ceni levou vários frangos em 2013
O pior deles foi contra o Ituano, em 16 de fevereiro, pelo Campeonato Paulista. O time do Morumbi venceu por 3 a 2, mas o arqueiro espalmou para dentro de suas redes um chute fraco de Kleiton Domingues, da intermediária. Após o lance, ele demonstrou abalo e ficou recostado na trave por alguns segundos antes de se levantar e dar um soco na trave.
Além deste, Ceni cometeu outras falhas terríveis em competições internacionais. Na Libertadores, marcou um gol de pênalti, mas espalmou novamente para dentro da meta na derrota por 2 a 1 para o The Strongest, da Bolívia, durante a fase de grupos. Depois, na Recopa Sul-Americana, voltou a se equivocar no revés por 2 a 1 para o rival alvinegro, em 4 e julho, quando foi encoberto.
- Azar e bola nas costas
Mesmo quando chega bem na bola, Rogério ainda ficou marcado pelo azar em seu "inferno astral" de 2013. No dia 22 de setembro, o São Paulo perdeu um caminhão de gols contra o Goiás, em jogo de "seis pontos" pelo Campeonato Brasileiro. O castigo veio no fim, quando o zagueiro Rodrigo (ex-jogador da equipe tricolor) bateu falta de longe e viu a bola tocar na trave e nas costas de Ceni antes de cruzar a linha. Lance de azar incrível...
- Rusgas com árbitros
Conhecido por ser diplomático no trato com os árbitros, o capitão são-paulino perdeu a linha diversas vezes neste ano. Uma das piores foi no dia 31 de março, quando o time do Morumbi perdeu clássico para o Corinthians por 2 a 1.

Rogério Ceni ajoelha e implora a não marcação de pênalti
A partida estava empatada até Rogério dividir bola com Alexandre Pato e o árbitro Leandro Bizzio Marinho marcar pênalti, já perto do fim da partida. Inconformado, Ceni chegou até a ajoelhar e pedir para o juiz reconsiderar sua decisão, mas não foi atendido. Por fim, Alexandre Pato bateu e converteu, dando a vitória aos corintianos e deixando Ceni ainda mais furioso.
Heber Roberto Lopes também foi vítima da fúria do experiente atleta no dia 29 de setembro, quando o árbitro não marcou um suposto pênalti de Kleber, do Grêmio, após o atacante colocar a mão na bola. No lance seguinte, o time gaúcho foi ao ataque e conseguiu o gol da vitória por 1 a 0, em pleno Morumbi. Ao fim do duelo, Ceni esbravejou: "Ele mudou o jogo e não teve coragem de assumir o erro".
O último grande entrevero entre goleiro e árbitro foi em 5 de outubro, quando nderson Daronco não marcou dois toques de Juan, do Vitória, em cobrança de pênalti. No intervalo, Rogério usou até palavrão para disparar críticas: "Hoje mais um (árbitro) faz o que faz. Nós já estamos uma bosta, ainda os caras vêm e fazem isso aí...", bradou.
Menos mal que o São Paulo acabou vencendo por 3 a 2, amenizando a ira do veterano.
- Declarações polêmicas
Além de destilar veneno contra os árbitros, Rogério Ceni não poupou críticas ao treinador Ney Franco, que comandou o São Paulo até maio deste ano. Após a demissão do técnico, ele foi perguntando sobre o legado deixado por ele no Morumbi. A resposta foi seca: "Zero, zero, zero...".

Ney Franco e Rogério Ceni: inimigos públicos
Ney Franco, porém, não ficou quieto, e devolveu as provocações de Ceni: "Em 2013, não tive nele o capitão de que precisava. Havia a preocupação de quebrar marcas individuais", acusou o agora comandante do Vitória.
Mas o técnico não foi o único com quem o capitão tricolor se envolveu em polêmica neste ano de "inferno astral". O ex-diretor de futebol da equipe paulistana, Adalberto Baptista, foi outro que trocou farpas afiadas com Rogério. Tudo porque disse que o arqueiro já estaria pensando na aposentadoria, já que estava com muitas dores, que atrapalhavam inclusive sua reposição de bola.
Em entrevista à ESPN Radio, porém, o goleiro disse estar "100%" e disparou uma saraivada de críticas contra Baptista, que depois acabaria se afastando da diretoria tricolor.
Pênaltis perdidos, eliminações, conflitos e fuga do rebaixamento; 2013, o ano mais angustiante de Ceni.