Procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt rebateu com veemência as declarações do presidente do Corinthians, Mário Gobbi, que ironizou seu trabalho ao comentar a briga entre torcedores do São Paulo com policiais militares no Morumbi, domingo, durante o clássico entre os dois clubes pelo Campeonato Brasileiro.
"Lamento a declaração do presidente do Corinthians, demonstra desconhecimento dos nossos procedimentos. Ele deveria consultar mais seu jurídico antes de falar tanta bobagem. Ao invés de jogar para a torcida, deveria trabalhar para que o comportamento do seu torcedor não prejudicasse a equipe", disparou Schmitt em entrevista ao "Lance!".

São-paulinos e PMs entraram em conflito no Morumbi, no domingo
Entre outras coisas, Gobbi disse que "só o Corinthians é punido por briga de torcidas" e que "Paulo Schmitt, que é tão rigoroso, não abriu nenhum processo" sobre "um clássico entre um time paulista e outro carioca" em Brasília uma semana antes do conturbado Vasco x Corinthians, também disputado no estádio da capital federal.
"O ‘Schmittizinho' precisa trabalhar, não só contra o Corinthians. Ele não tem que fazer o nome em cima do Corinthians. Vamos ver se ele é homem com o que aconteceu hoje [domingo] nas arquibancadas do Morumbi", acrescentou Gobbi.
A briga entre são-paulinos de uma torcida organizada e policiais militares aconteceu no intervalo do clássico, após alguns tricolores tentarem romper o cordão que separava a torcida do time da casa da do Corinthians.
A PM agiu soltando duas bombas de efeito moral e fazendo uso de cassetetes, apenas um torcedor são-paulino acabou detido, mas foi liberado após a partida por ser menor. O São Paulo pode perder mandos de jogo.

Paulo Schmitt rebateu as declarações de Mário Gobbi
"Não foi um torcedor da minha equipe que matou um inocente"
Ao rebater Mário Gobbi, Paulo Schmitt ainda fez questão de lembrar a tragédia de Oruro, quando o torcedor Kevin Beltrán Spada morreu em fevereiro durante jogo do Corinthians contra o San Jose, na Libertadores, após um sinalizador o atingir na cabeça.
"Quanto a ser homem para fazer o que já fazemos normalmente contra quem pratica infração, trata-se de uma declaração infeliz de alguém que acha estar falando com algum moleque. Não foi um tircedor da minha equipe que matou um inocente na Bolívia e vem praticando reiterada violência nos estádios. Falta hombridade para assumir isso."
Briga na Marginal
Após o jogo, um ônibus com cerca de 60 são-paulinos foi atacado na Marginal Tietê por corintianos que estavam em outro veículo, isso perto do acesso para a Rodovia dos Bandeirantes. Houve conflito, que acabou com a chegada da Polícia Militar.
O ônibus no qual estavam os são-paulinos teve vidros quebrados e a lataria amassada. Todos os torcedores tricolores foram detidos e levados para o 91º Distrito Policial.