Boicote ao São Paulo: a hipocrisia dos clubes brasileiros

Fonte esportefino.cartacapit
Aconteceu ontem, no Rio de Janeiro, a reunião entre dirigentes de categorias de base de alguns dos principais clubes do país. Em pauta, o boicote ao São Paulo, acusado pelas agremiações de aliciamento de jogadores. O movimento estuda ficar de fora da próxima edição da Copa São Paulo de Juniores, caso o tricolor paulista participe. O encontro contou ainda com a presença do advogado do São Paulo, Carlos Eduardo Ambiel, e do presidente da Fedração Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero.
Em tom conciliatório, Ambiel ouviu os dirigentes e prometeu analisar as queixas. Até o momento, nove times encabeçam oficialmente o projeto de boicote, provisoriamente adiado após a reunião. Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Atlético-MG, Cruzeiro, Goiás, Sport e Vitória já haviam informaram à FPF sobre a desistência em participar da Copinha.
Os clubes usam dois exemplos como justificativa para a revolta. René Simões, quando ocupava o cargo de diretor executivo do Vasco, protestou contra a saída do lateral Foguete. Afirmou que o São Paulo havia se aproveitado da fragilidade financeira do clube carioca para contratar o jovem. Foguete estava há meses sem receber salários, entrou na Justiça e conseguiu a liberação. Outro caso é o do goleiro Lucão, até então da Ponte Preta, que acertou sua transferência para o São Paulo. Com 15 anos de idade, não podia assinar o contrato com o time de Campinas, que alega não ter sido indenizado pela saída do jogador, que tem passagens pelas categorias de base da Seleção Brasileira.
Quando se coloca uma lupa sobre a gestão profissional do futebol, torna-se evidente a hipocrisia de boa parte dos reclamantes. Poucos clubes no Brasil possuem o certificado de formação de atletas. É o caso de Nova Iguaçu, América-MG, Portuguesa, Goiás, Atlético-PR, Paraná, Vitória, Grêmio, Santos, Palmeiras e São Paulo. O documento, além de atestar o bom trabalho feito na base, é uma maneira de proteger as agremiações formadoras, algo previsto no artigo 29 da Lei Pelé. Ou seja, quem conquista o certificado tem participação em eventuais negociações de atletas, ou pode obter indenização no caso de um jogador (com no mínimo 14 anos) assinar contrato com outro clube.
É sabido que o São Paulo tem uma das melhores estruturas para as categorias de base. E muitos empresários de outros clubes vão até Cotia para tentar transferir seus jogadores para lá. Alertam os familiares, exibindo o abismo que separa a estrutura são-paulina dos demais. Dessa forma, natural que o São Paulo ofereça propostas mais vantajosas para atletas descontentes em seus clubes de origem. Muitos deles estão com salários atrasados e não recebem os benefícios exigidos pela CBF para obtenção do certificado, como assistência educacional, e médica. Assim como em qualquer mercado de trabalho, o São Paulo tem o direito de procurar e contratar jovens talentos.
Investigar cada caso parece ser a melhor saída para evitar generalizações. José Francisco Manssur, assessor da presidência do São Paulo, garante que todos os atletas negociados tinham problemas contratuais e que nenhum clube consegue a transferência se o contrato estiver regular. Ao pedirem a formatação de um Código de Ética, os clubes brasileiros devem olhar para os seus próprios umbigos e avaliarem se estão agindo corretamente com seus atletas.
É honesto reivindicar que o clube paulista dialogue mais antes de acertar transferências. Entrar em contato com os clubes e negociar sobre os cenários posíveis. Se estiver infringindo alguma lei, que seja punido por isso. Entretanto, o “acordo de cavalheiros” defendido pelos dirigentes não pode ser uma medida paliativa e deve valer para ambos os lados. Afinal, o que diferencia o caso do São Paulo com o do Vitória, que contratou esse ano (sem pagar indenização) o lateral Alef e o zagueiro Maracás, liberados do Bahia por atraso no recolhimento do FGTS?
Não se pode boicotar o São Paulo simplesmente porque o rival consegue atrair bons jogadores ao redor do país com mais eficiência. A sensação até o momento é que, em vez de investirem em suas próprias estruturas nas categorias de base ou sanarem dívidas trabalhistas, os clubes brasileiros optaram por uma ameaça camuflada de acusação. Sem provas concretas de aliciamento, o que se torna público é o desespero de clubes que pregam a profissionalização do futebol em uma ponta e pouco contribuem para esse fim. A ética no futebol brasileiro não é um princípio fundamental. É uma múmia desenterrada sempre que alguém percebe estar em desvantagem.
Crédito imagem: Rafael Ribeiro / CBF
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