No duelo que marcou o encontro de Ney Franco com seu ex-clube, o destaque da partida foi o zagueiro Antônio Carlos, autor de dois gol e bons desarmes na defesa. A irritação de Rogério Ceni na saída para o intervalo, e o azar são-paulino no lance do segundo gol do Vitória também marcaram a quarta vitória de Muricy Ramalho em seu retorno ao São Paulo.
O Tricolor interrompe sua série de três derrotas seguidas e segue na luta cotra o rebaixamento. Na próxima quarta-feira, sem Ceni, suspenso, o time volta a campo contra o Cruzeiro, no Mineirão. O Vitória faz o clássico 'Ba-Vi' contra o Bahia, na Fonte Nova.
Ney, Ceni? Juan!

No jogo que começou com os holofotes sobre Ney Franco, que reencontrou o ex-clube, e Rogério Ceni, um dos mais críticos ao trabalho do seu ex-técnico, quem chamou a atenção no primeiro tempo foi o lateral-esquerdo Juan. Primeiro com faltas duras sobre Ganso, depois marcando o gol do empate do Vitória.
O jogador começou o ano vinculado ao São Paulo. Sem espaço após ser devolvido pelo Santos, passou meses treinando sozinho no CT de Cotia, da base tricolor. Foi reintegrado ao elenco são-paulino depois da eliminação do time na Taça Libertadores. Disputou algumas partidas do Brasileirão (no primeiro turno, em Salvador, contra o Vitória, foi titular da equipe paulista na derrota por 3 a 2), mas depois acabou negociado com o Leão.
Neste sábado, o lateral-esquerdo pegou a bola aos 34 minutos, depois de Rogério Ceni derrubar Dinei dentro da área, cometendo um pênalti claro, em lance que começou com um erro de passe de Ganso. Naquele momento, o São Paulo vencia por 1 a 0, graças a uma boa cabeçada de Antônio Carlos, aos quatro minutos, após escanteio da direita.
Juan correu para a bola, escorregou e, com o pé esquerdo, que já foi tão vaiado pela torcida tricolor, colocou a bola no gol: 1 a 1. A cobrança tirou Rogério Ceni do sério. O goleiro reclamou muito de dois toques do lateral-esquerdo, por causa de um escorregão antes de efetuar a cobrança. O árbitro gaúcho Anderson Daronco mandou o jogo seguir e validou o gol.
O São Paulo teve mais posse de bola e foi perigoso quando Ademílson esteve com a bola nos pés. O atacante, que entrou no time na vaga de Osvaldo, foi o responsável por criar as principais jogadas do time, ora fazendo fila pelo lado direito, ora pressionando a saída de bola do Vitória. O time baiano foi cauteloso. Tentou segurar o adversário, não evitou o gol, mas conseguiu reagir quando colocou a bola no chão e acertou os passes.
Salvo pelo zagueiro

A torcida do São Paulo roía as unhas, nervosa com o empate por 2 a 2 até os 40 minutos do segundo tempo. Foi aí que Antônio Carlos aproveitou cruzamento da direita, de Ganso, e completou para o gol vazio: 3 a 2, festa no Morumbi e alivio dos torcedores.
Esse lance foi o desfecho para o segundo tempo muito sofrido. No atual momento da equipe, quando a fase está ruim, tudo tende a dar errado. Até chute errado do adversário vira assistência.
Foi isso que aconteceu aos 24 minutos. Vander deu um voleio torto, sem jeito, mas acabou servindo de maneira precisa Dinei na pequena área. O camisa 9 do Vitória escorou firme para o gol e empatou o jogo no Morumbi: 2 a 2 e banho frio no São Paulo, que havia acabado de voltar à frente do placar.
Minutos antes, o atacante Ademílson encontrou Luis Fabiano na área, sem marcação. O camisa 9 do Tricolor bateu bem rasteiro, na saída do goleiro Wilson, e colocou o São Paulo à frente. Festa no Morumbi para o gol 21 do atacante na temporada, o sexto neste Brasileirão.
O São Paulo fez uma blitz na saída de bola do Vitória. Aloísio e Lucas Evangelista foram a campo. A ideia era sufocar o time baiano no campo de defesa. O Tricolor teve chances para marcar, mas só conseguiu deixar o Morumbi aliviado depois que a bola chegou em Antônio Carlos.
Fotos: Rubens Chiri/saopaulofc.net