Ninguém acreditava que Muricy Ramalho aceitaria. No Náutico, ele era rei. Quase presidente. Já o Santa Cruz convivia com salários atrasados, cartolas politiqueiros e o fantasma do rebaixamento. Mas estava na Série A.
A atração de trabalhar na elite foi irresistível. O técnico aceitou assumir o time pernambucano no Brasileirão de 2001. Acabou rebaixado. Fato que deseja, a todo custo, evitar agora, em outro clube tricolor. Neste sábado, às 21h, comanda o São Paulo contra o Vitória, no Morumbi.
“Ele entrou numa situação complicada. Não havia entrosamento dos jogadores, tinha a questão dos salários... É muito difícil fazer uma equipe escapar assim”, recorda-se o goleiro Mauro que, três anos depois, foi campeão nacional pelo Santos.
O Náutico tentou manter o técnico. Ele havia quebrado, em 2001, jejum de dez anos do clube. Cobriu a oferta da concorrência. Muricy havia sido campeão estadual, no centenário do Timbu. Dirigentes imploraram para que ficasse.
Muricy arriscou. O Santa era comandado pelo então deputado José Mendonça. Político que, segundo integrante do elenco, “entendia tanto de futebol quanto de física nuclear”.
“Começaram a fazer contratações no desespero. Quando a coisa é assim, não dá certo mesmo”, afirma Evando, ex-centroavante do time.
Uma delas foi o artilheiro Túlio Maravilha. Ficou sete jogos. Marcou apenas um gol.
Desfecho/ Em 13 partidas, Muricy levou o time a cinco vitórias. De fato, na reta final, parecia que ele conseguiria salvar o Santa Cruz às custas do Flamengo. Os dois brigavam contra a degola. Até a derrota para o Coritiba e o empate com o Vitória. “Foi a pá de cal. Se ganhasse pelo menos um desses jogos, seria suficiente”, relata o jornalista José Gustavo, do “Diário de Pernambuco”, que cobria o clube naquela época.

Nos últimos jogos, segundo as “testemunhas” ouvidas pelo DIÁRIO, o abatimento de Muricy era evidente. Percebeu — tardiamente — que seria rebaixado. Trauma que não deseja repetir neste ano, no Morumbi.
Arrependeu-se tanto que, na semana seguinte à queda, retornou ao Náutico.
FICHA TÉCNICA:
São Paulo
3-5-2
Rogério Ceni; Paulo Miranda, Rodrigo Caio e Antônio Carlos; Douglas, Wellington, Maicon (Jadson), Ganso e Lucas Evangelista; Ademilson (Osvaldo) e Luís Fabiano
T: Muricy Ramalho
Vitória
4-4-2
Wilson; Ayrton, Victor Ramos, Kadu e Juan; Luiz Gustavo, Luis Cáceres, Renato Cajá e Escudero; Marquinhos e Dinei
T: Ney Franco
BRASILEIRO > 2 TURNO — 26 RODADA
Onde: Morumbi, em São Paulo, às 21h
Juiz: Anderson Daronco (RS)
TV: Pay-per-view