Deu errado o plano de Juvenal Juvêncio para abreviar a disputa eleitoral no grupo situacionista do São Paulo. Ao acelerar a escolha de um candidato à presidência, o dirigente esperava acabar com a concorrência entre seus correligionários e evitar turbulências na diretoria. Porém, ao indicar o ex-presidente Carlos Miguel Aidar, ele abriu um corte profundo, que ameaça sangrar ainda por muitos meses.
Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, vice-presidente, disse a Juvenal não aceitar que a decisão fosse empurrada goela abaixo. Também se recusou a conversar com Aidar, que tentaria uma composição.
Leco pretende continuar com sua campanha. Aidar, candidato oficial, também. Assim, em meio à luta do time contra o rebaixamento a disputa deve se acirrar.
“Acredito na minha candidatura, ela está viva”, afirmou Leco ao blog. “Acho que vamos nos entender. Agora, se não houver acordo, vamos pro pau, vamos para a disputa”, disse Aidar.
O grupo que defende Leco fala em traição, palavra até agora não usada pelo vice-presidente. Antes de mudar o estatuto para tentar seu terceiro mandato, Juvenal explicou o plano a Leco. Disse que se a estratégia não fosse colocada em prática, ele seria escolhido para a sucessão.
Leco apoiou a permanência de JJ . Ficou no ar uma promessa não cumprida com o apoio a Aidar, que elaborou o projeto para a permanência de Juvenal. O quadro se agravou depois que Juvenal oficializou quatro pré-candidatos da situação e liberou seus aliados para medirem forças. E na segunda recuou, escolhendo Aidar.
Um dia antes se ser oficializado, Aidar esteve na casa de Juvenal. Fato interpretado no clube como uma prova de que costuras políticas a seu favor foram feitas na residência do presidente. E de que ele não se afastou do processo, contrariando o discurso feito na quarta.

“Domingo fui à casa do Juvenal, mas foi uma visita a um amigo. Não trabalhamos na minha candidatura. Aliás, eu era o menos candidato. Só entrei porque fui escolhido”, declarou Aidar. Juvenal não atendeu aos telefonemas do blog.
Enquanto isso, a oposição esfrega as mãos. Avalia que se Leco for candidato, entregará de bandeja a vitória ao ex-diretor jurídico Kalil Rocha Abdalla. Isso porque os eleitores (conselheiros) situacionistas dividiriam seus votos entre dois candidatos.
Na quinta, durante a partida entre São Paulo e Ponte Preta, no Morumbi, será possível medir o tamanho do distanciamento entre Leco e Juvenal. O vice costumar ir aos jogos em casa com a delegação, ao lado de Juvenal. Também assiste às partidas com o presidente. Desta vez, não deve aparecer.