Não se trata de quantificar quanto Paulo Autuori tem de culpa na situação dramática que o time vive no Brasileiro – com certeza é muito menor que dos dirigentes que o estão demitindo - mas de se constatar que algo precisa ser feito. Há muito tempo, diga-se, mas isso também é uma questão menor. Agora, nesse momento, algo precisava ser feito. E a troca de técnico é correta.
Talvez fosse possível esperar mais três jogos. Apostar em seis ou sete pontos contra Ponte Preta, Vasco e Atlético-MG. Ou, então, agir rapidamente. Os dirigentes apostaram na troca do treinador, algo que é visto como ultrapassado, como fora de moda, mas que se impõe nos momentos de crise. Ninguém é obrigado a ser técnico e os profissionais estão sujeitos à mesma lei de mercado que rege todas as outras profissões do mundo. Não rendeu, está fora. Nunca entendi tanta consternação por demissão de profissionais que ganham tanto. Me aflige mais a crise dos jornais brasileiros.
É lógico que há atenuantes. Basta lembrar de toda a pirotecnia montada por Juvenal Juvêncio quando o São Paulo foi eliminado na Libertadores. Teve um de seus rompantes e afastou sete jogadores: Cañete, Wallyson, Fabrício, João Filipe, Cortez, Henrique Miranda e Luis Eduardo. E disse que traria reforços.
Trouxe Caramelo e Silvinho, encostados, e Roni, emprestado ao Goiás.
Mais um pouco e trouxe Clemente Rodriguez, dispensado pelo Boca. E Reinaldo, o único a ganhar posição no time.
Quando Autuori foi apresentado, houve a reintegração de Fabrício.
E a opção por não trazer ninguém na janela de transferências do Exterior. A maior estupidez de todas. Scocco, por exemplo, chegou para o Inter no último dia da janela.
Com o time afundando, Lúcio foi afastado. Vieram Antonio Carlos e Welliton.
É muita incompetência na montagem de um elenco. Os erros de avaliação se acumularam e levaram a outro: que o São Paulo teria um elenco bom, suficiente para brigar pelo título. Os números estão aí para demonstrar o contrário. E, se houver alguma dúvida, o futebol apresentado confirma que o time tem mais nome do que bola.
Como não é possível um suicídio coletivo, como não é possível mandar muitos jogadores embora, como não é possível contratações de peso, o caminho é trocar de técnico. Mesmo que Autuori, que não conseguiu arrumar o time, tenha menos culpa do que os dirigentes do clube.
Chega Muricy. É uma aposta sem risco da diretoria. Não é nada inovadora, não é ousada, é bola de confiança. É o nome pedido pela torcida. Se der certo, ótimo, se não der, a diretoria não será culpada.
Muricy vai cumprir a primeira tarefa de quem não quer cair: parar de levar gols. Parar de perder. Ainda dá tempo dessa primeira etapa, antes de começar a ganhar. Mas é bom se apressar, o time precisa estar fora do rebaixamento daqui a dez rodadas no máximo.
É bem provável que Muricy reintegre Lúcio e aposte no 3-5-2. A aposta no esquema seria boa porque daria segurança a uma defesa que tem Douglas e Reinaldo, maus marcadores e volantes que agregam pouco em termos de proteçao à zaga. E tome bola na área para Aloísio e Luís Fabiano.
É o que dá para fazer. É o que tinha de ser feito, depois de tantos e tantos erros.
