"Marini: CBF vai ficar mais Paulista?"
12
Mar
16h12
Teixeira fora. Guerra agora será entre os a favor e os contra “paulistização” da CBF e COL
Tags: a favor e contra cbf paulista, brioga, caiu, cbf, demissao, fim de uma era, jose maria marin, paulistizacao, r7, ricardo teixeiraSem Comentários
Guto Maia / Gazeta Press
Ricardo Terra Teixeira, 64 anos, está oficialmente fora da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
E também do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2012.
A renúncia do advogado e empresário acaba de ser anunciada, nesta segunda-feira (12), em carta de Teixeira lida pelo novo presidente da CBF e do COL, o paulista José Maria Marin, vice-presidente da CBF para o Sudeste desde 2008 e mais velho dos cinco vices regionais da entidade,
com 79 anos.
Empurrada por denúncias recentes feitas pelo Grupo Record, em vários pontos do País, a tempestade de ontem se foi e o sol voltou a brilhar.
Pelo que se tem de oficial até agora, Marin ficará no poder até 2015, quando terminaria o mandato de Teixeira.
Pelo estatuto da CBF, Teixeira, ao pedir licença médica, na sexta-feira (9), poderia ter escolhido um dos cinco vices para sucedê-lo.
Preferiu, contudo, não apontar um nome.
Sabia que se não indicasse nenhum deles, o cargo, pelo estatuto, cairia no colo do vice mais velho – no caso, Marin, exatamente quem ele desejava.
Teixeira queria Marin por ele ser, ao menos teoricamente e até aqui, seu amigo e a favor da continuidade. Ao
assumir, nesta segunda-feira (12), o novo presidente falou em “continuação de uma gestão reconhecida no mundo todo por suas vitórias”.
Assim, Teixeira tem, ao menos publicamente e até agora, o substituto desejado sem o desgaste adicional de ter escolhido um e, por conseqüência, preterido os outros quatro.
Para alguém numa fase em que o que não faltam são desgastes, preocupações e dores de cabeça, pode ter sido alguma coisa...
Se Marin permanecerá fiel a Teixeira ou dará o golpe branco para mudar tudo, seduzido pelo mel denso do poder, saberemos nos próximos dias.
Ou semanas. Ou meses.
Afinal de contas, para além de se merecer ou não, poucos ambientes são tão volúveis e traiçoeiros como o do futebol.
Nele, a verdade de hoje é inevitavelmente a mentira ultrapassada e derrotada de amanhã.
Marin é, por exemplo, muito próximo do presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo del Nero, homem
que deverá tomar força no futebol brasileiro.
Sabe-se que o último desejo de Del Nero é ver mantido na CBF o poder da chamada “patota”: o ex-presidente do
Corinthians, Andrés Sanchez, o ex-craque Ronaldo Fenômeno e o diretor de
comunicação da entidade, Rodrigo Paiva.
Del Nero e Sanchez, definitivamente, não se bicam.
Neste exato momento, salpicam pelos veículos de comunicação textos, análises e opiniões sobre os pontos positivos e
negativos dos 23 anos de Teixeira à frente da CBF (talvez o pior deles tenha
sido exatamente este: cair na tentação de ficar longos 23 anos à frente da CBF,
algo difícil de aceitar na rotatividade exigida por qualquer cargo eletivo).
Os títulos conquistados, as manipulações, os casos vergonhosos de corrupção nos quais está envolvido.
E ainda outros textos sobre as, digamos assim, heterodoxias de nosso José Maria Marin.
Um homem que tentou ser jogador de futebol na juventude, no São Paulo, formou-se em Direito, foi cartola da FPF
e entrou para a política.
Um homem que tem no currículo cargos de vereador em São Paulo (1964), presidente da Câmara Municipal (1969) e deputado estadual (1971 a 1979).
Um homem que assumiu por dez meses o governo de São Paulo, entre 1982 e 1983, filiado ao PDS, após a saída do titular, Paulo Maluf, para concorrer ao cargo de deputado federal, “puxando” para Brasília, pelo sistema de legenda, vários companheiros de partido com as grandes votações que ele, Maluf, tinha até então.
Um homem que chefiou a delegação brasileira na Copa do Mundo de 1986, no México.
Um homem que, abrigado no PTB, faz política até hoje, à beira das oito décadas de vida.
Mas um homem que, apesar de todo esse passado, só ficou mesmo conhecido e, vamos lá, célebre em todo o País neste início de 2012, ao, vejam só, literalmente embolsar a medalha do goleiro reserva do elenco do Corinthians na premiação da Copa São Paulo de Juniores.
Discute-se tudo isso à mão cheia neste momento.
Com o tempo, vamos conversar sobre cada um desses temas.
No momento, em meio a tantas dúvidas geradas pela dupla renúncia de Teixeira, estou mais interessado em especular sobre a seguinte questão: até que ponto os presidentes das federações estaduais de futebol espalhadas pelo País irão se conformar e conviver pacificamente com a paulistização da CBF e do COL.
Isso porque a esses senhores, aliados quase unânimes de Teixeira, cabe eleger os presidentes da CBF.
E, com o apoio quase unânime a Teixeira, esses dirigentes de todo o País isolaram até aqui, a tomada de poder
pelos paulistas.
Que, na visão deles, representaria a perda total das benesses dadas pelo ex-cartola e o controle definitivo dos “ricos
inimigos do futebol do resto do País”, como costumam dizer vários deles.
Não por acaso, muitos já se movimentam para tentar uma nova eleição na CBF.
Marin, ao contrário de Teixeira, é um político experimentado.
Se, agora no PTB, ele for habilidoso o suficiente para estabelecer um bom diálogo nesta reta final com a presidente Dilma Rousseff (que, ao contrário do ex-presidente Lula, não tinha e nem fazia a menor questão de ter boas relações com Teixeira), ganhará força nesta briga com os descontentes.
De qualquer forma, este embate entre paulistas e as outras federações será o maior neste caminho até a Copa
2014.
Pelo estatuto, a transição está feita.
Resta saber, depois de medalhas no bolso e tanto tempo de reinado de Teixeira, até que página ela terá suporte
político.
Sinceramente, não ouso arriscar agora quem sairá vencedor.
E você, tem ideia de quem levará a parada?
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