75 jogadores que deixaram SP desde 2012. E quase metade não ficou nem 1 ano

75 jogadores que deixaram SP desde 2012. E quase metade não ficou nem 1 ano

fernandodellavega

Com um time em reformulação desde o início da temporada, o São Paulo enfrenta o Flamengo, neste domingo, às 16h, no Estádio Luso Brasileiro (Ninho do Urubu). As saídas e chegadas de jogadores que aconteceram no time do Morumbi estão ligadas à mudança de perfil que o clube sofreu nas últimas temporadas. Antes apontado como modelo de administração, o clube do Morumbi atravessou crises políticas e até viu um presidente, no caso Carlos Miguel Aidar, em 2015, renunciar após ser acusado de envolvimento em negociações polêmicas.



Coincidência ou não, a equipe dentro de campo não conquistou mais um título desde a Copa Sul-Americana de 2012. Neste período, a troca de treinadores e de jogadores também ganhou um ritmo acelerado. No total, 80 jogadores deixaram o clube nesta época, sendo que destes, 33 atletas - 41,25% - atuaram um ano ou menos com a camisa do time profissional do São Paulo.

Os motivos para os jogadores ficarem tão pouco tempo no clube são variados. Há casos dos que assinaram vínculos curtos e utilizaram o São Paulo como vitrine, para recuperar o bom futebol ou ganhar visibilidade no exterior. Calleri, por exemplo, chegou em janeiro de 2016 e saiu em julho do mesmo ano. Dória e Kaká também tiveram histórias semelhantes.

Outros foram solicitados por um determinado treinador e não agradaram quem assumiu o cargo depois. Wilder Guisao, que fora contratado a pedido do colombiano Juan Carlos Osorio e ficou no Tricolor entre julho de 2015 a junho de 2016, entra nesta lista. Emprestado pelo Toluca, do México, o colombiano disputou só 13 partidas e marcou apenas um gol pelo clube.

Existe ainda o caso do jogador que ficou pouco tempo no São Paulo porque não agradou à torcida e não caiu nas graças da comissão técnica. Contratado durante a crise do time em 2013, o lateral esquerdo argentino Clemente Rodríguez disputou apenas três partidas pelo São Paulo, sendo expulso em uma delas - e, no fim, acabou afastado do elenco principal. O zagueiro Lúcio seguiu caminho parecido e logo depois de sete meses deixou de integrar o time profissional.

Falta de identificação

Esse ritmo acelerado na troca e venda de jogadores no São Paulo faz com que os torcedores critiquem a falta de identificação dos atletas para com o clube. Em fevereiro de 2016, o zagueiro Maicon, por exemplo, chegou em baixa após falhar e deixar o campo alegando uma contusão quando defendia o Porto, de Portugal. No Morumbi, ele recuperou a imagem e, seis meses depois, foi contratado por 6 milhões de euros - mais 50% dos direitos de Inácio e Luizão.

Com o novo acordo assinado, o defensor caiu de rendimento e, nesta temporada, apresentou-se acima do peso. Por isso, perdeu a faixa de capitão e, logo quando surgiu uma oferta do Galatasaray, da Turquia, não pensou duas vezes e pediu para ser liberado para retornar ao futebol europeu. Nesta semana, o volante Thiago Mendes seguiu o caminho de Maicon e também quis ser negociado após receber oferta de 9 milhões de euros do Lille, da França.

A aparente falta de preocupação com o São Paulo não assusta a diretoria. "Não tenho medo de ficar refém [dos jogadores que querem sair>, é algo pessoal. O perfil de atletas que estamos procurando é de jogadores que querem ficar aqui, acreditamos no nosso trabalho. Tem jogadores que também querem vir para cá Acreditamos no trabalho que vem sendo feito", disse o diretor executivo de futebol, Vinícius Pinotti.

Vitrine

O São Paulo, por sua vez, vê de maneira positiva o fato de ser considerado uma vitrine no mercado . Por isso mesmo, o clube tem o costume nos últimos anos de fazer contratos curtos com jogadores. Nesta temporada, por exemplo, Marcinho e Morato assinaram em abril vínculos somente até o fim desta temporada. Já Wellington Nem e Jucilei chegaram com empréstimos de um ano para recuperar o futebol e a visibilidade no país.

"O São Paulo é uma grande vitrine na América Latina. Quando chega proposta a gente apresenta ao jogador, a gente quer que ele fique. Se jogador quer ir e a proposta é boa para todo mundo, acaba acontecendo", disse Pinotti, na última semana, durante a apresentação do atacante Denilson, que está emprestado ao clube só até o fim do ano.

Para reforçar a sua equipe, o clube também negocia os empréstimos do volante Matheus Jesus, que acabou de assinar contrato com o Estoril, de Portugal, e Aderlan Santos, do Valencia, da Espanha. Ambos devem ter contratos curtos com o clube.
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