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São Paulo tenta abafar acusação de suborno


UBIRATAN BRASIL
DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente do Conselho Consultivo do São Paulo, Cláudio Aidar, confirmou ontem a existência de uma fita cassete, gravada com uma conversa do ex-presidente do clube, José Eduardo Mesquita Pimenta, e o empresário Francisco Monteiro, o Todé.
Aidar negou, porém, que a fita revelasse um golpe financeiro de Pimenta, na venda do ponta Mário Tilico ao Atletico de Madrid, em 92, intermediada por Todé.
"Há vários cortes. Até as vozes são difíceis de se reconhecer. Mas não fica claro uma tentativa de extorsão", disse Aidar.
O ex-presidente foi acusado pelo empresário de ter oficializado a transação em US$ 500 mil, valor abaixo do que realmente foi negociado (US$ 750 mil).
A diferença seria rateada entre Pimenta, Todé e Fernado Torqual, conselheiro do clube espanhol. Pimenta, porém, teria ficado com a parte de Todé.
Pimenta e Todé negam a existência da gravação. A Folha apurou, porém, que Todé gravou uma conversa com Pimenta, quando o empresário estava na Espanha.
O assunto tratado foi a negociação de Mário Tilico e, em vários momentos, a conversa é travada de forma cifrada. Cópias dessa fita foram enviadas, anonimamente, a conselheiros do São Paulo.
A gravação foi apresentada na reunião do Conselho Consultivo, anteontem. O teor da fita, porém, não foi revelado.
"Vamos chamar o Pimenta para esclarecer alguns pontos. Mas não será um interrogatório", disse Cláudio Aidar.
Outro ex-presidente, Carlos Miguel Aidar, que também ouviu a fita, teve a mesma reação preventiva, não ratificando a acusação.
Miguel Aidar, porém, confirmou a existência de outro negócio nebuloso, acontecido durante a gestão de Pimenta.
Segundo o dirigente, Pimenta teria assinado, em novembro de 93, um contrato com a empresa SP Sport, que ganhou o direito de negociar a imagem do São Paulo.
"Só que o contrato nem apareceu na prestação de contas anuais feitas no clube", disse Aidar.
O ex-presidente disse que foi um mau negócio, porque o clube dispõe de um departamento de marketing que poderia fazer a função, sem ser oneroso.
"A empresa é desconhecida –seu capital hoje é avaliado em apenas R$ 100,00– e a rescisão implica em uma multa de milhões de dólares", disse Miguel Aidar.
"Terceirizamos um serviço que o marketing não podia fazer", disse Pimenta. "E o negócio foi aprovado pelo jurídico e o financeiro."

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