No Morumbi, muita intensidade. Pouco futebol...
Existe uma confusão no futebol com o termo motivação. Há treinadores que usam ela como sua maior arma para se preparar para um jogo. Outros, no entanto, colocam nos conceitos táticos/técnicos a sua prioridade. Enquanto assistimos um São Paulo sem grande volume ofensivo, mas buscando mais o jogo desde o primeiro minuto, vimos do outro lado um Atlético-MG além da conta nessa "motivação". Pilhado e muitas vezes imprudente, o Galo agora leva para o Horto um prejuízo não só no placar (1x0).
Rafael Carioca e Junior Urso, ambos por reclamação, tomaram o terceiro amarelo e não jogam na volta, em Belo Horizonte, na próxima quarta-feira. Marcos Rocha já poderia ter prejudicado todo um trabalho ao ser expulso em um dos primeiros lances do jogo, quando soltou a mão no rosto de Kelvin. Colocar intensidade, competir, pressionar a bola... Tudo isso foi confundido com entradas mais duras e muita reclamação. No geral, foram poucas chances criadas e a equipe ficou longe de marcar o tão importante gol fora de casa.
Fato é que o Galo quis, desde o começo, travar o jogo. Fazer de tudo para se manter vivo para a partida no Independência, onde é muito forte. Dificultou muito as ações ofensivas do Tricolor colocando muita pressão na bola em seu momento defensivo, na maioria das vezes formando duas linhas de quatro no 4-4-2. Diminuiu espaços e tentou incomodar o máximo a tomada de decisão dos rivais. Buscou um jogo reativo com a bola no 4-3-3, mas conseguiu encaixar seu primeiro contra ataque apenas aos 32 minutos do primeiro tempo. Muito pouco.
O São Paulo, apesar de de também pouco brilhante com a bola, "queria mais o jogo". Iniciou no seu tradicional 4-2-3-1, sempre buscando as jogadas pelos lados e a ultrapassagem forte de seus laterais. Com bola rolando, foram poucas as chances criadas. A maioria delas sempre em cruzamentos pouco efetivos. Sem a bola, trabalhou no habitual 4-4-2, também com duas linhas de quatro, com Ganso mais à frente ao lado de Calleri. No geral, encaixou boas reações à perda da bola. Buscou sempre pressionar a bola mais profunda do Galo, com a dupla de zaga fazendo boas antecipações.
Sem atingir ao menos 60% de bola rolando, tudo se caminhava para uma partida que seria resolvida no detalhe. E esse detalhe, no futebol atual, se chama muitas vezes bola parada. Foram pelo menos duas chances antes de Michel Bastos marcar de cabeça após cruzamento de Wesley. A batida sempre buscando a primeira trave. Seja para a finalização ou a casquinha para quem atacava o segundo.
Não faltou intensidade, competitividade e lances tensos no Morumbi. Faltou futebol, principalmente por parte do Atlético, que, ao meu ver, tem elenco para buscar um jogo mais proposto. Vimos duas estratégias claras e um jogo mais truncado do que jogado. Muita disputa e jogo com "cara de Libertadores" (esse clichê é horrível, só o usei para expressar minha opinião sobre ele). No Horto tudo se resolverá, mas não espere algo muito diferente do que vimos nesta quarta. Pouca bola, muita guerra...
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