Emprestar os garotos da base é um mau negócio e não resolve nada
Existe uma ideia falsa disseminada de que emprestar os garotos de Cotia para “dar rodagem” é uma coisa boa. Eu vou provar com evidências de que isso é totalmente inútil.
Quando você empresta um atleta, existem duas possibilidades: ele ir bem ou ele ir mal no outro clube.
Se o jogador não se destaca, ele retorna do empréstimo e o problema continua.
Porém, se ele vai bem (que é, em teoria, a melhor coisa que pode acontecer), ele não joga mais pelo clube. Ou seja: não adiantou nada. Vejam o exemplo do Paulinho: se ele for bem em Portugal, ele será vendido por 1 milhão de euros. Acabou. De que adianta ele ir bem então? E se ele for mal, ele volta e continua tendo de jogar no time de cima para mostrar seu valor.
A única utilidade de emprestar um garoto é achar um clube para pagar o salário dele. Mas como os salários são baixos (nunca acima de 50K), mesmo essa economia é desprezível. Se emprestar 10 jogadores e economizar 500k mensais, vai pagar o salário do Victor Sá apenas.
Emprestar jogadores é um mau negócio mesmo com atletas mais velhos. Vou dar dois exemplos recentes: o Erik foi emprestado ao Vitória. Se firmou por lá. Nunca mais retorna. O Mailton se firmou no Fortaleza. Vai voltar? Não. De que serviram os empréstimos desses dois? Repare que, no caso deles, o “melhor” aconteceu: eles voltaram a jogar bem. mas não servirão ao clube mais.
O mesmo irá acontecer com Patrick Lanza, que hoje é titular do Juventude e está jogando bem, quase como um ponta pela esquerda. Ele volta ao S.Paulo? Não. Nunca mais.
Isso já aconteceu com Lucas Perri, que acho que é o caso mais exemplar. Acompanhe o raciocínio. Se o jogador está emprestado por 1 ano faltando 2 anos de contrato e ele vai bem, quando termina o empréstimo só faltam 6 meses para ele assinar um pré-contrato com quem ele quiser. O Lucas Perri se destacou e, dessa forma, ele não quis mais renovar. Como o S.Paulo paga pouco aos garotos, quando oferece uma renovação, se dobrar o salário, vai chegar a quanto? 100k mensais? O atleta sabe que, se esperar mais 6 meses, arruma outro clube para jogar ganhando 250k. Por que ele iria renovar? Além disso, há um componente psicológico: o atleta fica mordido por ter saído e não faz esforço para voltar.
Com Tiago Couto aconteceu algo parecido. Ele poderia hoje ser um bom reserva no S.Paulo. Foi outro jogador perdido por ter sido “emprestado”. Hoje é titular no Sport.
Quem defende essa ideia de “emprestar os garotos” precisa mostrar um caso em que o jogador saiu, foi bem, voltou e conseguiu jogar aqui; Eu não lembro de nenhum recente. O caso mais próximo disso foi o Brenner, mas ele não foi bem no Fluminense (se fosse bem, nem teria voltado). Ele foi emprestado, não se destacou muito, retornou, a torcida pressionou, ele finalmente foi entrando aos poucos até virar titular.
Se não estou enganado, o último atleta da base que saiu, voltou e se firmou foi o Hernanes, Mas já faz quanto tempo? 20 anos?
Beraldo, Lucas Ferreira, Matheus Alves, William Gomes: nenhum deles teve de sair para jogar aqui. Subiram, jogaram aqui e depois saíram.
Emprestar os garotos pode dar alguma experiência a eles, mas, conforme eu mostrei aqui, não resolve problema do clube e, caso o jogador vá bem, a chance de ele nunca mais voltar é quase 100%.
Jogador da base tem de subir e tentar jogar no próprio clube. Se não der certo, quando acabar o contrato ele vai embora. Ficar emprestando achando que, com isso, ele volta para jogar aqui é, repito, conversa fiada. Não acontece nunca. E, como no caso do Paulinho, SE ele for bem, adeus, nunca mais volta.
A única exceção seria se o jogador tem pelo menos 3 anos de contrato, o empréstimo é de no máximo 1 ano e a opção de compra é alta. Por exemplo, no caso do Paulinho, poderia ser uma multa de 5 milhões por metade do passe. Aí, se ele fosse bem e não quisesse retornar, o clube ainda conseguiria um valor razoável. Mas do jeito que ele foi, é até melhor ele ir mal. Imagina se ele arrebenta, o time português compra ele por 1 milhão e revende por 10? Vai ser uma tragedia, semelhante a dispensa do Endrick.
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Respeito sua opinião, mais vou discordar um pouco... nao vejo que o problema é emprestar, e sim a forma como é conduzido esse empréstimo. Sobre seu exemplo do Eric/Mailton, não são jogadores da Base, e entendo q ta provado q sao jogadores de time pequeno, não conseguem fazer a diferença aqui. Voltando aos jogadores da Base, quando vc empresta um jogador vc alivia sua folha mensal, oferece experiencia e rodagem, e dá mais oportunidades para jogar (algo que talvez não teria aqui) e tudo isso sem perder seu patrimionio. Poucos torcedores lembram, mas o inicio do Hernanes no SP foi ruim, as poucas oportunidades que teve apresentou um futebol bem discreto, após sua passagem (de emprestimo) ao Santo André ele voltou outro jogador.... não to falando q isso acontecerá sempre, mas é uma estratégia interessante. O problema (e aí eu concordo contigo) são os emprestimos com preço de compra fixado abaixo... ai nao é emprestimo, é vc meio que "vender a prazo" o jogador.
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