Debutante no showbol, árbitra rouba a cena e não descarta ensaio sensual

Filiada à Federação Paulista de Futebol, Katiucia Mota Lima espera abrir caminho para que outras mulheres também se destaquem na função

Fonte SPORTV
15 de Maio de 2013
Katiucia observa jogada próxima ao são-paulino Denilson: 'Não há mistério na regra' (Foto: Divulgação)
O torcedor que assistiu à primeira fase do Campeonato Paulista de showbol pode se deparar com uma grande novidade. Pela primeira vez na história da modalidade - criada em 2007 -, uma mulher foi escalada para apitar partidas oficiais. Trata-se da professora de Educação Física Katiucia Mota Lima, filiada à Federação Paulista de Futebol desde 2006. Natural de São José do Rio Preto (SP), a morena de 32 anos diz não querer seguir o caminho da ex-assistente Ana Paula Oliveira, que posou nua para uma revista masculina em 2007, tornando-se conhecida em todo o país. Entretanto, ela admite topar outro tipo de trabalho artístico, que lhe abra novos horizontes profissionais.
- Posar nua é algo que eu não tenho em mente, mas toparia até fazer um ensaio sensual. Com a Ana Paula, a carreira artística abriu um outro caminho e ela acabou debandando para área do jornalismo esportivo. Quero continuar apitando, mas também gostaria de criar um leque de opções profissionais para a minha vida - afirmou Katiucia, que confidenciou já ter sido paquerada durante o exercício da função de árbitra. - Já aconteceu, mas nada fora do limite do respeito - contou.
Apaixonada por futebol desde a infância, Katiucia chegou a ser jogadora do Juventude, equipe feminina de São José do Rio Preto. Com passagem também pelo futsal, ela lamenta a pouca participação das mulheres na modalidade.
- Já estamos quebrando tabus, mas ainda está muito lento. Por ser mulher, sou mais cobrada que os demais. Se cometo um erro, as pessoas logo dizem que errei por ser mulher. O preconceito ainda existe, seja por parte de jogadores, técnicos, torcedores e dirigentes. Até na arbitragem isso existe. Tenho colegas que não gostam de apitar partidas femininas- disse.

Paulista revela que chegou a tentar a sorte como jogadora em sua cidade (Foto: Divulgação)
Com sete anos de filiação à FPF, Katiucia costuma apitar jogos da Série A-3 do Paulistão, atuando também como quarto árbitro em partidas da A-2, equivalente à segunda divisão estadual. Procurando uma maior visibilidade na carreira, ela resolveu aceitar o desafio de apitar showbol, após ser convidada por Oscar Roberto Godói, principal árbitro da modalidade. Na primeira fase do Paulista, ela atuou nas partidas São Paulo x Ponte Preta e Barueri x São Paulo, ambas realizadas em Barueri (SP).
Segundo Katiucia, uma de suas maiores dificuldades neste início foi a regra do pênalti. No showbol, o árbitro é obrigado a assinalar a penalidade máxima sempre que um atleta comete a ação deliberada de colocar a bola para fora da arena em seu campo de defesa. Por gerar diferentes interpretações, as marcações são constantemente questionadas por jogadores e treinadores, mesmo com o recurso do replay, utilizado por cada equipe uma vez em cada tempo.
- A regra do showbol é um pouco diferente da do futebol, mas não há muito mistério. A questão do pênalti sempre gera reclamação porque, muitas das vezes, é um lance interpretativo. Recebi algumas reclamções nestas duas partidas do Paulista. Tirando um jogador, que se exaltou mais do que devia, não tive problemas quanto a isso - destacou.
Aguardando novos convites para apitar showbol, Katiucia espera apenas que não aconteçam novamente os incidentes que lhe custaram alguns minutos de dor.
- Levei duas boladas na primeira partida. Como o showbol é disputado em grama sintética e com tabela nas laterais e linha de fundo, o jogo fica muito mais corrido, fazendo com que o árbitro tenha que se posicionar com mais atenção. Só com o decorrer dos jogos, eu aprendi a me posicionar bem e agora estou pronta para outra - finalizou.
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