Sem Tardelli, ainda lesionado, Cuca reforçou o lado direito no Morumbi com Serginho. Mas manteve Marcos Rocha na lateral duelando com Osvaldo. Durou vinte e cinco minutos para o treinador perceber que a lógica sugeria a inversão.
O Atlético-MG, já classificado, parecia tenso e preocupado demais em defender. Em vários momentos, até Jô voltava para marcar, deixando Ronaldinho isolado à frente. Só não sofreu mais no primeiro tempo porque o São Paulo tentava jogar pelos lados para não depender de Ganso, bem vigiado por Pierre no centro. Mas pouco ou nada criava objetivamente, apesar das boas atuações de Wellington, Denilson e, claro, Osvaldo.

O rápido atacante foi para o lado direito no segundo tempo, invertendo com Douglas. Provavelmente para explorar a fragilidade atleticana pela esquerda com a troca do desorientado Luan por Alecsandro que deslocou Jô para o setor. Richarlyson ficou isolado na marcação e já com cartão amarelo. Um convite.

Foto: Reinaldo Canato
Por ali, Osvaldo arrancou após o desarme de Paulo Miranda e achou Aloísio. Leonardo Silva, mal colocado, se precipitou e cometeu o pênalti que o tricolor paulista precisava para ir às redes. Rogério Ceni preciso, mais uma vez.
Com espaços e em comunhão com a torcida num clima saturado de eletricidade, o São Paulo controlou o jogo. Ganso cresceu, Ronaldinho passou a se esconder atrás de Wellington. Cuca trocou Serginho por Neto Berola. Ney Franco acelerou os contragolpes com Ademilson na vaga de Aloisio. Outra decisão correta na noite de redenção do contestado treinador.
De Ganso para Osvaldo e mais um passe decisivo, desconcertando a defesa atleticana e achando Ademilson. Vitória e classificação garantidas com o triunfo do Arsenal sobre o Strongest por 2 a 1.

O Galo tem os importantes desfalques de Tardelli e Bernard e a primeira colocação no grupo garantida como atenuantes. Continua sendo time forte. Mas completar noventa minutos sem uma conclusão na direção da meta de Ceni é preocupante e algo a refletir para o reencontro com o São Paulo.
Assim como um certo descontrole emocional no primeiro desafio real na Libertadores longe do Independência. Cautela excessiva no primeiro tempo, desespero no segundo.
Fatores que não tornam o tricampeão sul-americano favorito nas oitavas-de-final. Mas com Ney Franco seguro, a fase iluminada de Osvaldo, a recuperação de Ganso e o retorno de Jadson e Luis Fabiano, este apenas no jogo da volta, o cenário é outro.
A Libertadores recomeça para os dois brasileiros com novo duelo que promete.