Foram oito, nove horas por dia na sala de fisioterapia. Apesar de tudo que já viveu no futebol, Ceni tinha uma disposição que impressionava a todos, principalmente os mais jovens, como Lucas e Wellington. O volante, que também se recuperava de uma lesão no joelho esquerdo, fez uma aposta com o veterano: quem voltasse mais cedo, ganharia uma camisa autografada do concorrente. É claro que Ceni voltou antes.

Rogério Ceni: campeão mais uma vez com a camisa do São Paulo (Foto: Agência EFE)
A "reestreia" ocorreu no dia 29 de julho, na goleada por 4 a 1 sobre o Flamengo. Nesse momento, o desafeto Emerson Leão já havia sido demitido. Ceni reencontrou o São Paulo nas mãos de Ney Franco. E, após ter convivido com a insegurança em algumas partidas, o goleiro voltou a mostrar tudo o que sabe.
Teve grandes atuações, fez gols (um deles contra o Bahia, de falta, pela Copa Sul-Americana) e voltou a ser o comandante que uma titubeante equipe necessitava em campo. No meio do caminho, chegou a se estranhar comNey Franco por não concordar com uma substituição durante a partida contra a LDU de Loja, pela Copa Sul-Americana, mas nada que não fosse consertado na base da conversa. A coroação de um ano que parecia perdido veio com o inédito título da Copa Sul-Americana. O capitão voltou a erguer uma taça após quatro anos.
– O legal é a história, são os quadros que você deixa na parede do CT, do Morumbi e na casa dos são-paulinos. Eu tinha quadros com Waldir Peres, Zetti... O São Paulo tem a torcida que mais cresce no Brasil devido aos títulos que ganha – celebrou.
Mesmo fechando o ano com uma conquista, Ceni mantém os pés no chão e deixa claro que o São Paulo termina a temporada em débito com o seu torcedor.
– Fomos semifinalistas no Campeonato Paulista, o que é uma obrigação. Na Copa do Brasil, paramos na semifinal. No Campeonato Brasileiro, reagimos muito tarde, mas pelo menos conseguimos atingir o objetivo de garantir vaga na Libertadores. Pela grandeza do São Paulo, sempre temos de pensar em títulos. Por isso, que falo que o ano foi apenas razoável.
– Esse título traz confiança, é legal, mas temos de evoluir. Com a ausência do Lucas, temos de remontar o time para o ano que vem, temos de ser mais fortes. Ainda estamos abaixo do Fluminense, por exemplo. O Corinthians também está há mais tempo junto, mesmo que tenhamos vencido eles no Brasileiro – completou, após a decisão.
O desempenho em campo foi tão elogiado que Ceni aceitou o desafio de esticar sua carreira por mais uma temporada. Se der tudo certo, baterá o recorde de Pelé, que atuou em 1.114 partidas oficiais pelo Santos. Na vitória sobre o Tigre, o defensor entrou em campo pela 1049ª vez. O capitão garante: 2013 será o seu último ano. E, com a Libertadores na alça de mira, ele já projeta o que espera da temporada que começará no mês que vem.
– Conquistar uma Libertadores pela terceira vez seria algo fantástico, coisa que nem Pelé conseguiu. Aí seria algo a ser comemorado. Teremos dificuldades, tenho muita preocupação que esse título possa mascarar alguns defeitos que temos. Mas vamos brigar. É o que o torcedor são-paulino espera – finalizou.