Definitivamente, a briga por Paulo Henrique Ganso estremeceu a relação entre as diretorias de São Paulo e Santos. Na tarde desta sexta-feira, o diretor de futebol do Tricolor, Adalberto Baptista, concedeu entrevista coletiva no CT da Barra Funda para rebater a nota oficial divulgada no site do Peixe na noite da última quinta-feira.
Nela, além de recusar a nova proposta, no valor de R$ 30 milhões, o clube da Baixada reclamou da postura do time do Morumbi, que teria desistido da negociação e depois voltado atrás. Entre os cartolas santistas, inclusive, existia até o desejo de fazer um protesto formal na Fifa, acusando o rival de aliciamento. Mas o clube praiano ainda tenta segurar Ganso e, também nesta sexta, fez nova oferta de aumento salarial ao meia, que ainda não respondeu.
Adalberto desmentiu a nota oficial do Santos, disse que o São Paulo não tem nada a ver com os problemas existentes entre o clube e o atleta, e lamentou a postura do presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro e seus comandados, que, segundo o são-paulino, "falam uma coisa nas conversas particulares e mudam o discurso quando externam algo".
Veja os principais pontos da entrevista de Adalberto Baptista
Início do interesse por Ganso
O caso Paulo Henrique Ganso começou no início de julho, quando o atleta deu declarações de que não gostaria de continuar no Santos e seus empresários falaram que gostariam de colocá-lo no Internacional. Nessa mesma época, estávamos negociando o Lucas e três times estavam na briga: Manchester United, Internazionale e PSG. A partir daí, pensamos em um substituto. Tentamos o Nilmar, que fechou com um time do Qatar. Passamos, então, a pensar no Ganso.
Conversas com o Santos
Desde o primeiro contato com o presidente Luis Alvaro, o Santos manteve a chance de realizar a negociação. Fui autorizado a conversar com os procuradores do Ganso, que são donos de 55% dos direitos do Ganso. Em um determinado momento, se o Santos precisou vender parte dos direitos, não temos nada a ver com isso. Passei a falar pelo São Paulo e o Pedro Luiz Conceição pelo Santos. Foi tudo feito às claras, estava sendo bem conduzido por todas as partes. Mas aí houve um vazamento na imprensa e as coisas se complicaram, se distorceram. O vazamento não saiu daqui, o próprio Pedro ligou para pedir desculpas. O Santos começou a soltar notas oficiais porque se sentiu obrigado a prestar contas a seu torcedor. E era falado uma coisa na conversa particular e outra na imprensa.
Primeira proposta
Fizemos uma primeira oferta (R$ 10,7 milhões) para atender um pedido do próprio presidente Luis Alvaro, que precisava de algo concreto para tratar o assunto. Depois, por telefone, me foi falado que era preciso esperar três ou quatro dias para esperar a poeira baixar. Na última sexta-feira fui surpreendido com uma nota oficial, que falava que deveríamos pagar a multa ou não teria negócio. Após o jogo do Santos contra o Palmeiras (realizado no último sábado), consegui contato com o Pedro e combinamos que haveria uma nova reunião na quarta. Antes do encontro, ele me ligou e perguntou se pagaríamos a multa. E falei que não. Na sequência, fizemos uma nova oferta e pedi que tivessem mais tranquilidade para fazer a análise.
Acusação de aliciamento
Como posso ser acusado de aliciamento se foi o próprio Santos que me autorizou a conversar com o Ganso? A nota oficial divulgada pelo Santos contém inverdades. Como o São Paulo teria desistido do jogador? Isso nunca aconteceu. Nós nos reunimos novamente e avisei ao Pedro de que a informação era incorreta. O respeito que o São Paulo tem com o Santos sempre fui muito grande, mas algumas coisas precisam ser esclarecidas.
São Paulo quer o jogador, mas não paga a multa
Que o São Paulo continua interessado, é óbvio, até porque estou aqui falando. Fizemos uma proposta, enquadramos o salário do atleta dentro dos nossos padrões. Não vamos pagar a multa. Multa é para quem está descumprindo algo. A multa é para se romper contrato. Eu não vou fazer com os outros o que não gosto que façam comigo.
Acerto com o jogador e a parceira
Após algumas conversas, chegamos a um denominador comum com o jogador, que achávamos ser a parte mais complicada. Com a parceira também não encontramos problemas porque existe o desejo do atleta de sair e eles entendem que hoje o Ganso seria mais valorizado no São Paulo.
Relação arranhada entre os clubes
Hoje conversei por uma hora com o Luis Alvaro. Fiz questão de esclarecer alguns pontos, já que passei a duvidar do que estávamos falando até então. Faz dois meses que estamos negociando pelo Ganso. Eu atendo a uma coletividade de 20 milhões e não posso ficar aqui brincando. Quando o presidente Juvenal me dá carta branca, eu falo, negocio e depois volto e faço um relatório. Percebi que isso não estava acontecendo do outro lado. Acredito até que, agora, a negociação está suspensa para que a poeira possa baixar. Espero que picuinhas pessoais não atrapalhem essa questão. Até porque o São Paulo quer contratar, o jogador quer sair, o Santos desde o início se mostrou propenso a negociar e a parceira acha que o atleta será mais valorizado no São Paulo.
Dirigente do São Paulo rebate acusação de aliciamento por Ganso
Adalberto Baptista revela o histórico de toda a negociação, reitera interesse pelo atleta, mas diz que, no momento, as conversas estão suspensas
Fonte Globo Esporte
31 de Agosto de 2012
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