Analisei os principais fundamentos dos times do Brasileirão ao longo até o final do primeiro turno.
A ideia é apresentar uma comparação entre o São Paulo e demais times, de duas maneiras:
- contra a média de todos os 20 clubes e,
- contra as médias do G4.
Aos “espíritos de porco” de plantão, reitero que a análise não é exaustiva e é apenas uma maneira que eu utilizei para interpretar os números. Jamais poderá – e não tem a pretensão de - ser considerada definitiva, pela simples razão que números são números e futebol se joga dentro do campo.
A CEREJA DO BOLO
Tenho que começar com o melhor. E o melhor é Luis Fabiano, pois além de ser o artilheiro com 9 gols marcados apresenta médias fantásticas comparados com os demais artilheiros da competição (Vágner Love e Fred):
Outro ponto de destaque, é que aparentemente os matadores experientes estão se firmando como artilheiros, aqueles que definem jogos.

Cabe aqui uma conjectura: LF9 jogou apenas 9 jogos, contra os 19 que fez o SPFC. Caso ele tivesse mantido seu desempenho individual, porém atuado mais vezes, a sorte do tricolor na tabela teria sido outra.
Outro ponto de destaque ao nosso Fabuloso – neste caso negativo – é o elevado número de cartões. Tomou 6 (5 amarelos e 1 vermelho), o mesmo número que Fred e Vágner Love juntos...
CRUZAMENTOS
O SPFC ainda cruza muito pouco, é o 15.o no ranking em número de cruzamentos certos. Entretanto é o time que menos erra cruzamentos, tendo um aproveitamento alto neste fundamento: 25,2%, ou seja, de cada 4 cruzamentos, acerta um.
Neste quesito, também fica evidente o mau desempenho de Cortez e Douglas, com médias de 1,4 e 1,8 cruzamentos por jogo, muito baixas se comparadas a outros jogadores da mesma posição (superiores a 3 cruzamentos por jogos).
Insisto que Ney Franco precisa trabalhar este fundamento com nossos laterais, pois o fato é que nossos alas seguem apoiando mal e cruzando mal. Quem tem nos salvado neste quesito tem sido Jádson, que cruza uma média de 7,4 bolas por jogo. Cabe destacar o crescimento do Jádson neste fundamento, especialmente após a 10.a rodada.
DEFESAS DO GOLEIRO
Até a décima rodada, nossa defesa furada expos Denis à média de 4,6 defesas por jogo. Após o término do turno, já contando com a chegada de Tolói, o retorno do M1TO somados à melhora (ainda discreta) no sistema defensivo, reduziu este número para a média 3,7 defesas por jogo, colocando o SPFC na quinta posição no ranking. É claro que o mais correto é medir a defesa de um time pelo número de gols sofridos (Fluminense, o melhor com 11 gols). Claro que o goleiro é parte integrante da defesa e deve defender tantas bolas quanto possível, entretanto esta visão mostra o nível de exposição do goleiro ao ataque dos adversários.
DESARMES
Mudamos pouco desde a décima rodada. Seguimos desarmando pouco, ficando novamente à frente apenas do Atlético GO com pífios 102,3 desarmes por jogo contra os 134,3 do Corinthians – o melhor neste quesito. Ainda nos falta pegada no meio, Paulo Assunção jogou pouco e Wellington ainda não retornou da contusão. Denílson continua sendo nossa exceção que melhorou ainda mais seu desempenho para 12,6 desarmes por jogo (era 11,4 até a décima rodada). Insisto que Wellington e Paulo Assunção podem dar uma força neste fundamento.
PASSES CERTOS
Tivemos grande evolução neste fundamento. Ocupamos a segunda posição no ranking – atrás apenas do Internacional – com 262,3 passes certos por jogo. Nosso melhor passador é Denílson, com a média de 35,1 passes certos por jogo. À medida que o time ganha em entrosamento, ganha também na qualidade do passe.
GOLS
Com 29 gols marcados, ocupamos a quinta posição no ranking, ficando atrás de Atlético MG (33), Coritiba e Fluminense (ambos com 31), e Botafago (30). Se até a décima rodada havíamos feito 12 gols e tomado outros 11, melhoramos nosso desempenho ao fazermos 29 gols, tomando 24. Apesar disso, seguimos tomando muitos gols se compararmos aos 11 gols tomados pelo Fluminense, que é a melhor defesa do campeonato. Nosso calcanhar de Aquiles foi definitivamente a bola aérea. Sofremos horrores com essa fragilidade e precisamos seguir trabalhando a melhora do posicionamento dos zagueiros e proteção da zaga. No ataque, Luis Fabiano vem se consolidando cada vez mais como “o cara” e Lucas mostrou entrega, mesmo após ser negociado com o PSG.
FINALIZANDO
Novamente, reforço que números não são a essência do futebol. Por outro lado, a estatística faz parte da análise do esporte moderno e, combinada à técnica, tática e sobretudo ao talento dos jogadores, constitui um poderoso elemento na construção de uma equipe competitiva.
É claro que a vitória sobre a cachorrada deve injetar uma injeção de ânimo ao time. Entretanto, não podemos tapar o sol com a peneira, uma vez que os números mostram claras deficiências que devem ser trabalhadas pelo grupo.
Adicionalmente, o retorno dos lesionados deve empreender qualidade ao time dentro de campo.
Força TRICOLOR!
Fonte: UOL Esporte
Sérgio Monteiro