Ney Franco comemorou por pouco tempo o belo gol marcado por Osvaldo na vitória por 3 a 0 sobre a Ponte Preta, sábado, no Morumbi. Quando percebeu que o jogador havia tirado a camisa para festejar com a torcida, o técnico previu a punição com cartão amarelo, tirou o sorriso do rosto e ficou emburrado. Ele não aguenta mais o excesso de advertências aos jogadores do São Paulo.
A irritação de Ney com o tema é tamanha que ele já programou uma bronca para dar na reapresentação do elenco, na tarde de segunda-feira. “O tipo de cartão que o Osvaldo tomou também aconteceu com o Luis Fabiano e não pode mais ser concebido. Teremos que abordar esse assunto. Eu já deveria ter falado antes. Estamos com muitos jogadores pendurados”, reclamou, sem deixar de enaltecer o gol de seu atleta. “Vou morder e assoprar o Osvaldo”, disse, rindo.
Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Gesto de tirar a camisa para comemorar gol, como fez Osvaldo, não será mais tolerado por Ney Franco
Como prova de sua prudência em relação aos cartões amarelos, Ney fez substituições contra a Ponte Preta com a cautela de evitar suspensões. Até o meia-atacante Lucas, que jogava bem e não aparentava cansaço mesmo depois de voltar da Seleção Brasileira, acabou sacado do time porque já havia sido punido pela arbitragem.
“Recentemente, tivemos o Rodrigo Caio expulso depois de ter tomado um cartão amarelo. Como gato escaldado tem medo de água fria, resolvi fazer as substituições pensando no jogo contra o Corinthians”, explicou o treinador, que não evitou a suspensão do lateral esquerdo Cortez. “Eu estava reservando a última alteração para ele. Infelizmente, perdemos o jogador para o clássico”, lamentou.
De qualquer forma, Ney ressalvou que certos cartões amarelos não podem ser evitados. “Cada um tem a sua particularidade, mas precisamos eliminar alguns. Já temos problemas na lateral esquerda para ajustar contra o Corinthians por causa disso”, chiou novamente.
O que o técnico não quer de jeito nenhum é que seus jogadores recebam novos cartões motivados por gestos como o de Osvaldo contra a Ponte Preta. Para orientar o grupo, ele conta com a experiência do capitão Rogério Ceni. “Assim que vi o Osvaldo tirar a camisa, já dei risada para o assistente, que riu também. Isso não pode acontecer, né? Mas o nosso jogador estava há muito tempo só fazendo fisioterapia e fez aquilo por impulso”, relevou o goleiro.

Foto Tom Dib