O efeito foi imediato. Na primeira bola que chegou aos pés de Lucas, jogadores, torcida e treinador tinham certeza de que as coisas estavam diferentes em relação à noite da última quarta-feira, na derrota para o Náutico.
A dúvida se o jogador mais caro da história do futebol brasileiro já estaria com a cabeça bem longe do Morumbi se dirimiu em pouco tempo. O primeiro cartão amarelo do jogo foi o camisa 7 são-paulino quem levou, por uma entrada com excesso de força em Rildo, da Ponte Preta, na tentativa de ajudar o sistema defensivo.
Com Lucas em campo, o São Paulo pareceu outro time e, com facilidade, venceu a Ponte Preta por 3 a 0, ontem, no Morumbi.
O retorno de Lucas ao time foi celebrada com a vitória, com direito a um golaço dele e a tantas outras jogadas em que ele enfileirou os defensores da Ponte e só parou quando foi derrubado.
E, com as atenções do rival voltadas para seus dribles e sua velocidade, ficou mais fácil para outros jogadores subirem o nível de suas atuações. Jadson, Maicon, Ademilson e Cortez se beneficiaram da liberdade que encontravam quando recebiam a bola com uma marcação menos aperta, já que boa parte dos esforços dos jogadores da Ponte estavam voltados para parar Lucas.

Com tanta preocupação em parar Lucas, a Ponte quase não ofereceu perigo ao São Paulo. Foram poucas as vezes que o time campineiro passou do meio de campo e arriscou-se – mesmo depois de ter levado o primeiro gol, em pênalti cobrado por Rogério Ceni.
A Ponte também não soube testar a zaga são-paulina com a jogada que mais tem causado falhas do time: as jogadas aéreas. Rafael Toloi e Edson Silva tiveram vida fácil pelo alto.
Mexida tática
A formação tática são-paulina, que entrou para jogar de um jeito mas se arrumou em campo e atuou de outro, também contribuiu para que o time interrompesse a série de três derrotas seguidas. Paulo Assunção começou a partida no lugar de Douglas, como ala pela direita. Mas ainda no primeiro tempo, Paulo Miranda passou a fazer a função de lateral-direito, fazendo o time trocar o 3-5-2 pelo 4-4-2, e Assunção foi para o meio jogar em sua função original, como volante. A mudança deu maior consistência ao setor e aumentou a proteção à zaga, dando liberdade a Maicon e Jadson.
Em vez disso, era Lucas quem ocupava aquela região do campo. Ocupava e preocupava a Ponte cada vez que buscava jogo no meio e saía em disparada.
A saída de Lucas, poupado por Ney Franco, deixou claro como o São Paulo teve o ritmo ditado por ele. Sem o camisa 7, o time voltou ao ritmo mais lento e pouco eficaz no ataque das últimas três partidas. Coube a Osvaldo, que entrou em seu lugar, fazer a grande jogada do segundo tempo, que terminou em golaço.
Com o jogo resolvido desde a primeira etapa, o técnico ganhou a chance de também experimentar outras substituições. Graças a Lucas, o São Paulo teve a sua esperança de ver uma equipe jogando bem renovada. E mais tempo para se acertar.
Osvaldo correu para comemorar com a torcida são-paulina
Foto: Fernando Borges/Terra