Primeiro gol não tira o foco de Ademilson, que dedica feito à família

Fonte Globo Esporte
A cena vai demorar para sair da memória. Desde que retornou de Florianópolis, onde o São Paulo venceu o Figueirense por 2 a 0, no último domingo, Ademilson já viu o lance do seu gol, o primeiro pela equipe profissional do Tricolor, umas dez vezes pelo menos. Esbanjando bom humor, o garoto até se arrisca como narrador e relembra mais uma vez do feito que ajudou a equipe do Morumbi a conquistar a reabilitação no Campeonato Brasileiro.
– William domina a bola, toca na direita para Jadson, que cruza para a área. A zaga afasta, na sobra Denilson bate de primeira, a bola sobra para Ademilson, que bateu... E é gooool do São Paulo. É dele, Ademilson – narrou, animado.
Para quem tem 18 anos e disputou sua primeira partida como titular, Ademilson mostra personalidade. Fala pausadamente, mostra que sabe o que quer e principalmente, mantém a pressão longe.
– Já tem muita pressão no São Paulo. Pressão de torcida, pressão do clube. Se você se pressionar, as coisas ficam ainda piores. O grupo me passou tranquilidade, o professor Ney me passou tranquilidade. Felizmente, as coisas deram certo, pude marcar um gol com um minuto e isso me deu mais confiança. Quando isso acontece, você quer pegar a bola e ir para cima, fazer novas jogadas. Acredito que fiz uma boa estreia – ressaltou.
Ademilson sabe que não pode se deslumbrar com o início promissor que teve no São Paulo. Apesar do clube do Morumbi ter uma política de apoio a quem é revelado na base do CT de Cotia, o atacante sabe que precisa continuar buscando seu espaço jogo a jogo, treino a treino.

– O clube e o professor Ney sabem lidar com garotos. Eu tenho de fazer o que sei e gosto, que é jogar futebol. Tenho de manter os pés no chão para não me prejudicar. Saí da partida contar o Figueirense porque estava cansado, mas, se precisarem de mim na quarta-feira, contra o Atlético-GO, estou à disposição – disse.
A camisa do jogo do primeiro gol será transformada em um quadro e colocada na casa da mãe, Mara Lúcia, com quem Ademilson mora em São Vicente (SP). Com a rotina de jogos, ele se divide entre o alojamento do CT da Barra Funda e a casa da namorada, Jéssica, com quem se relaciona há um ano e nove meses.
– Não poderia apenas dedicar o gol ao meu clube e aos meus companheiros. Preciso lembrar da minha família, que sempre me deu suporte e acreditou no meu potencial. Minha mãe está na Bahia e conversamos logo após a partida, ela estava feliz demais. Minhas irmãs ligaram, meu irmão ligou, foi um domingo especial. Isso, sem dúvida, dá mais confiança para as próximas partidas – analisou o jovem promessa.
Ademilson diz que não tem pressa de ir para o futebol europeu. Seu contrato foi renovado em 2011, vale até 2016 e sua multa está estipulada em € 30 milhões (R$ 72 milhões).
– Sou muito novo, não preciso ter pressa. Tenho um carinho enorme pelo São Paulo e preciso primeiro conquistar títulos e fazer história. Depois a gente pensa em jogar fora – finalizou.
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