Leão duvida ter sido derrubado pelo time e insinua Juvenal como erro

Fonte Gazeta Esportiva
No jogo seguinte à demissão de Emerson Leão, o São Paulo venceu o Cruzeiro, então líder do Brasileiro, em Minas Gerais, sob o comando interino do coordenador técnico Milton Cruz e comemorou de forma intensa no gramado. O ex-treinador do time, porém, duvida que o elenco não o queria mais no clube. E avisa: os culpados pelo jejum de títulos podem não ser os atletas e técnicos que passaram pelo Morumbi.
“Antes de eu chegar, os treinadores saíram muito mais rápido que eu e foram demitidos porque eram considerados os culpados. Depois, os culpados eram os jogadores. Depois, de novo foi o treinador, no caso, eu. E se não for nem o treinador nem os jogadores?”, apontou Leão durante sua participação no programa Mesa Redonda, da TV Gazeta, nesse domingo.
A declaração é em cima das afirmações do presidente Juvenal Juvêncio, que ao contratar Leão, em outubro, responsabilizou os jogadores pelos insucessos desde o Brasileiro de 2008, reformulou o elenco e, ao demitir Leão, passou a culpar o técnico. “O Juvenal gosta de dar entrevista, é folclórico, diferente. Temos que respeitá-lo até pela idade e deixar passar muitas coisas”, falou Leão.
Leão, pelo menos, afirma que os atletas não foram problema para ele, e usa como prova a derrota para o Vasco, na quarta-feira passada, acabando com a invencibilidade que o técnico tinha no Morumbi neste Brasileiro. “Se tivessem perdido para me derrubar, não teriam perdido para o Vasco, já que comigo nunca perdíamos no Morumbi.”

O ex-goleiro conta até ter parabenizado Milton Cruz depois da vitória em Minas Gerais após sua saída do Tricolor. “Depois do jogo contra o Cruzeiro, até liguei para o Milton para parabenizá-lo e ele me disse: ‘você viu, pus os três zagueiros que você falou’. Está tudo certo”, sorriu.
Com os dirigentes, os problemas ficaram expostos quando os dirigentes mandaram Paulo Miranda, homem de confiança de Leão, sair até da concentração para não enfrentar a Ponte Preta na Copa do Brasil. “Até quando não existia novidade, a relação com a diretoria foi boa. A partir do caso Paulo Miranda, todos sabiam que era uma questão de tempo. A partir dali, ficou gozado.”
Não poder opinar na formação do elenco também gerou cenas curiosas. “Eles perguntavam sobre jogadores a quem estava do meu lado, e não para mim. Está certo, perguntem a quem quiser. Era uma maneira de colocar cada um em seu devido lugar. Como eu não interferia em contratação e dispensa, não era consultado. Mas a pessoa consultada perguntava para mim”, contou o técnico, que já havia trabalhado no clube entre 2004 e 2005, sendo campeão paulista há sete anos.
“Nesta segunda vez, eu me senti mais silencioso. Mas não tenho nada para reclamar, está tudo certo. Não tenho vaidade para achar que deveria ser diferente. E minha vivência no futebol não me permite ficar chateado”, afirmou. “O São Paulo é uma excelente casa de trabalho, a recomendo a todos os treinadores. Só tem uma filosofia que não concordo para se impor”, completou.
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