Para quem tem memória futebolística que contemple pelo menos os últimos dez anos, ouvir que o São Paulo está em crise é tão estranho quanto ouvir que o Corinthians é campeão da Libertadores. Mas os dois fatos são verdadeiros. No caso do Tricolor, por sequência de problemas que, não resolvidos pela diretoria ou comissões técnicas do clube nos últimos tempos, se avolumaram.
O último título da equipe foi o do Brasileirão de 2008. O terceiro nacional consecutivo na era Muricy Ramalho, treinador que gozava de estabilidade quase plena no cargo. A ingerência de Juvenal Juvêncio existia, mas não tão descarada como hoje. O presidente, aliás, era visto como um dos mais vitoriosos do futebol nacional.
Muricy montou um esquema defensivo que, se não era inexpugnável, foi o que mais perto disso o campeonato já viu. Em 2007, levou apenas 19 gols em 38 rodadas. Rogério Ceni parecia ser um goleiro quase indestrutível e figura onipresente comandando a zaga (ao lado, o DIÁRIO elenca outras coisas que mudaram muito).
Caminhos/ “A realidade, agora, é diferente e estamos tentando encontrar o melhor caminho para o time”, resume Ney Franco, contratado para o lugar de Emerson Leão. Desde 2009, quando o discípulo de Telê foi demitido após eliminação na Libertadores, houve 11 trocas de técnico, contando cinco períodos como interino do auxiliar Milton Cruz.
Até isso é diferente. Há pouco tempo, torcedores, diretoria e jogadores tinham como obsessão estar na Libertadores e ir bem. Em 2012, após os triunfos de Corinthians, Palmeiras e Santos, até a Copa Sul-Americana está valendo. “Para marcar a minha passagem pelo São Paulo, preciso de uma conquista”, constata Lucas.
