Ney Franco vê falta de alma como problema: "Não marcamos ninguém"

Ney Franco nem completou duas semanas no São Paulo, só comandou o time em dois jogos, mas já percebeu o que muitos torcedores têm reclamado: falta alma à equipe. Antes do treino desta sexta-feira, no CT da Barra Funda, o técnico ficou uma hora mostrando em vídeo a apatia da derrota para o Vasco e, no campo, cobrou marcação mais próxima de seus titulares.
“A partir do momento em que você chega ao clube, vê uma sessão de treinamentos e os jogos, faz um diagnóstico. E o grande diagnóstico é que não estamos marcando ninguém”, disse o treinador, usando um tom de voz mais firme e alto do que costuma em sua entrevista coletiva.
“Essa questão tem que ser resolvida com envolvimento e comprometimento maior, para a equipe ter mais alma, ser aguerrida, com determinação. Foi a cobrança que fizemos aos jogadores. A partir de agora, precisamos de um empenho maior, fazer pressão”, indicou o técnico, que passou toda a atividade cobrando de cada um a área do campo que deve ser marcada. E simulando chegadas mais fortes nos adversários.
“Falta querer fazer, se entregar, e com zonas bem estabelecidas de atuar. Como treinador, defino zonas com e sem posse de bola, e os jogadores têm que querer fazer isso. Hoje, se o lateral esquerdo adversário pegar a bola, sei o responsável para marcá-lo. Se virarem o jogo para o zagueiro, também. Se a marcação não acontecer, saberemos qual jogador não está marcando e fica mais fácil a cobrança”, afirmou.
Neste aspecto, Cícero, além do estreante garoto João Schmidt, foram sacados do time que perdeu do Vasco, embora Ney Franco não os culpe individualmente. “Tirando o Denis, os outros dez jogadores foram responsáveis. E é lógico que não vou tirar os dez”, falou, sem esconder a irritação com a derrota. “O Vasco chegava à área de defesa nossa e nós com quatro homens no ataque, sem recomposição.”
Por isso, a ordem é não dar espaço. “No futebol de hoje, não cabe mais marcar com o olho, deixando jogar. O homem com posse de bola tem que ser pressionado. Não fizemos isso nos dois jogos em que dirigi e estoura no goleiro e na defesa. O Denis foi o melhor em campo, isso não se admite em uma equipe grande como o São Paulo”, sentenciou o técnico, que estreou empatando com um Palmeiras desfalcado, com Henrique expulso no início do segundo tempo e Denis ainda pegou pênalti.
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