“Não acredito que o ambiente tenha mudado, os jogadores se empenhavam com o Leão. Mudamos a forma de jogar, procuramos dar liberdade”, disse Milton Cruz, que conta ter procurado Kaká, José Mourinho e Pep Guardiola, entre outros, para se “atualizar” sobre treinos e estratégias – Leão era avaliado como antiquado até por comandar coletivos, atividade que, na visão de Milton Cruz, desgasta e chateia os atletas.
“Futebol é 75% confiança que você dá para o jogador, formação tática é só o resto. Você tem que conversar com a peça que não está rendendo. Não é só cobrança, dar cacetada. Jogador gosta de carinho e procuro dar isso para quem está jogando e quem não está. Pode ter certeza que não tem bicudo aqui”, assegurou o coordenador técnico.
Até a montagem da equipe de Leão é contestada publicamente. Milton Cruz relatou que nesse domingo, no ônibus que levou a delegação para o jogo contra o Coritiba, no Morumbi, conversou com Ney Franco sobre a dificuldade de escalar só dois zagueiros sem contar com os marcadores Wellington e Fabrício, machucados – exatamente como fazia Leão.
“Você monta o time de acordo com as peças que tem. Coloquei três zagueiros porque achei que não temos um primeiro volante de marcação, que seria o Fabrício ou o Wellington, e sempre jogamos com um segundo volante, como o Maicon e o Denilson, e dois laterais com força no apoio – o Cortez era ponta esquerda e o Douglas, meia. Jogar com dois zagueiros deixa o time muito exposto”, opinou o interino.
Para motivar o elenco, Milton Cruz, após vencer o Coritiba, voltou a citar que, antes de bater o Cruzeiro, recebeu as ligações de Muricy Ramalho, Paulo Autuori, Ricardo Gomes e Paulo César Carpegiani elogiando o grupo de jogadores que, agora, terá o “moderno” Ney Franco como comandante.
“O Ney vai herdar um time com condições de ser campeão. O São Paulo tem grandes jogadores e agora tem o Ney, que é um grande treinador, moderno, sabe lidar com jogadores dentro e fora do campo. E vai encontrar jogadores jovens e inteligentes, que vão saber fazer o que ele pedir”, garantiu o coordenador técnico.
As vitórias nas duas últimas rodadas, e a presença na quarta colocação do Brasileiro, são os argumentos de Milton Cruz. “Para o Ney, vai ser legal. É bom pegar um time bem colocado após duas grandes vitórias e dar continuidade ao trabalho. É gostoso. Vitória chama vitória, como sempre falamos aqui”, falou, repetindo uma das expressões mais usadas por Leão em seus oito meses de trabalho no Tricolor.