A crise que se instalou no São Paulo desde a eliminação na semifinal da Copa do Brasil causou a demissão do técnico Emerson Leão, mas resvalou também num dos homens de maior confiança do presidente Juvenal Juvêncio.
Adalberto Baptista assumiu como diretor de futebol em maio de 2011. Desde então, três treinadores foram demitidos do clube e os resultados em campo foram pífios.
Já sob sua gestão, o time dispensou Paulo César Carpegiani, que falhou na Copa do Brasil de 2011, Adílson Batista, com péssima passagem durante o Brasileiro do ano passado, e, por último, Emerson Leão, com quem teve atritos expostos na imprensa.
Adalberto era o chefe do marketing antes de assumir o futebol. Colecionou elogios ao acertar bons contratos publicitários para o São Paulo.
Ganhou de vez a confiança de Juvenal ao negociar e concretizar a contratação de Luis Fabiano no começo do ano passado por € 7,6 milhões (R$ 17,7 milhões à época).
O "heroísmo" de Adalberto fez brilhar ainda mais os olhos do presidente pelo fato de que o Corinthians também lutava pelo centroavante do Sevilla, um dos que se destacaram na Copa-2010.
A jogada o colocou no centro das atenções no clube, e Juvenal decidiu capitalizar. Lançou-o como novo diretor de futebol ao anunciar a diretoria de seu terceiro mandato --que tem sido contestado na Justiça.
O presidente, que blinda Adalberto como pode, sonha transformar o dirigente em um líder da renovação política no São Paulo. Alguém que possa sucedê-lo no futuro.
A visibilidade do cargo é a arma para fazer disso uma realidade. Mas, para o plano funcionar, ainda faltam os resultados no gramado.
Junto com Juvenal, que centraliza as decisões, Adalberto promoveu uma forte reformulação no elenco no começo desta temporada. Mesmo assim, a equipe falhou.
O objetivo ainda é a vaga na Libertadores, algo que acreditava-se ser mais palpável pela curta Copa do Brasil do que pelo longo Brasileiro.
As críticas a Adalberto extrapolam a ínfima oposição são-paulina e ecoam até em colaboradores próximos de Juvenal Juvêncio.
Conselheiros ouvidos pela reportagem atacam sua inexperiência no futebol. E usam o episódio em que o zagueiro Paulo Miranda foi afastado do time quando já estava na concentração como exemplo. Argumentam que faltou sensibilidade ao cartola.
A distância que ele mantém da comissão técnica também é alvo de crítica. "Eu nunca tive uma grande convivência com o Adalberto", disse à Folha o técnico Leão, que passou oito meses no São Paulo e tinha no diretor, teoricamente, seu principal interlocutor com a cúpula.
"O Juvenal me disse que nas vitórias eu seria colocado no céu e que não deveria acreditar nisso. Na derrota, seria o inferno. E também não deveria crer. Estou preparado", defendeu-se Adalberto.
Crise no São Paulo mina homem forte de Juvenal
Fonte Folha.com
30 de Junho de 2012
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