Denis se considera tímido, mas já começa a liderar o grupo do São Paulo (Foto: Tom Dib)
O garoto que foi criado até os nove anos na pequena cidade de Torrinha, no interior do estado, sabe que 2012 é o ano de maior responsabilidade de sua vida. Quando criança, Denis voltava da rua todo sujo de terra e sua mãe o mandava tomar banho de mangueira. Hoje, morando na maior cidade da América Latina, ele entra em casa e encontra sua esposa. Na cabeça, o pensamento é o trabalho e a missão de substituir Rogério Ceni pelos próximos seis meses.
Depois de um ano e meio morando juntos, o camisa 22 do São Paulo se casou com Carol em dezembro do ano passado. Cerimônia e festa foram realizadas no interior a pedido do goleiro, que queria um casamento mais rústico. Além do crescimento profissional, agora ele tem uma família para cuidar. Com 24 anos, ele planeja ter filhos mais para frente.
A grande mudança do ano passado para este obrigou o tímido atleta a aprimorar um quesito de sua personalidade: a força para liderar.
Antes observador das ações e ouvinte das palavras dos experientes Rogério Ceni e Luis Fabiano, agora Denis está aprendendo a falar mais com os outros jogadores. No jogo contra o São Caetano, ele voltou do intervalo como capitão do time, e um fato provou ao próprio goleiro que ele está evoluindo nesse aspecto:
– A gente se reuniu dentro de campo, e foi bem legal porque eu consegui falar com meus companheiros e orientá-los. Todos prestaram atenção no que eu falei, todo mundo fez o que pedi e se ajudou ali atrás.
– Acho que essa liderança, essa convivência e falar com os companheiros, eu estou adquirindo com o tempo – revelou ao LANCENET!.
A pressão e a responsabilidade tanto na vida pessoal como profissional não o assustam. Pelo contrário, o recém-casado faz com que esses fatores o ajudem a ter mais foco.
– Essa responsabilidade é boa, mas me faz concentrar mais no trabalho. Porque sei que têm pessoas que dependem de mim, então isso me motiva ainda mais no dia a dia.
E não são poucas pessoas. Em casa, a esposa. Em campo, time, técnico, presidente e a torcida são-paulina esperam que ele mantenha o nível de um dos maiores ídolos do clube.
Até julho, Denis poderá pôr em prática sua liderança. Depois, com Rogério Ceni de volta, ele terá mais “aulas teóricas”. Com contrato até 2016, tempo não faltará para o camisa 22 virar um líder do Tricolor.
Confira um Bate-Bola com Denis, em entrevista exclusiva ao LANCENET!:
Em 1996, o Rogério quase saiu do São Paulo porque a chance dele não chegava. Ele ficou só porque sabia que o Zetti sairia no ano seguinte. Já pensou em sair do clube?
Não. Que o Rogério jogue mais um ou dois anos, eu sei que ele vai fazer isso e vai parar. O que eu penso: se eu for para outro lugar, vou me sentir tão bem quanto me sinto aqui? Vou ter o mesmo reconhecimento? Sei que tenho de ter paciência e, quando o Rogério parar, tenho de estar pronto e acho que estou. Trabalho a cada dia e a hora minha e a do Rogério vai chegar.
Você se considera tímido?
Sou um cara bem tranquilo, reservado e tímido. Brinco com algumas pessoas. Eu falo que a gente brinca com quem a gente gosta. Então eu chego aqui no CT cumprimento todo mundo. Tenho de ter um ambiente bom para trabalhar.
E em casa, também é assim?
Lá eu converso um pouco mais.
Hoje moro com minha esposa e meu sogro. Chego em casa, geralmente muito cansado do treino, almoço, janto, converso um pouco e subo para o meu quarto. Eu gosto de conversar sobre os acontecimentos, como qualquer pessoa normal também. E não tem como fugir, em todo lugar que chego, as pessoas querem falar de futebol.
Acha que falhou em algum gol sofrido neste Paulistão?
Contra o São Caetano, eu saí no pé do Moradei, ele me driblou e fez o gol. Acho que se eu saio e paro na frente dele, em vez de cair, eu dificultaria mais o ângulo do batedor.
A postura do grupo mudou?
Você percebe o de hoje mais fechado, um grupo que todos brincam e cobram todo mundo. O ano passado o que faltou foi a cobrança. Um jogador errava, outro errava e não havia cobrança em cima dele.
O GOLEIRO PERFEITO
Denis considera que está em um estágio de 20% do ideal para sua profissão. Ele se espelha em três grandes ídolos para alcançar a perfeição
Rogério Ceni
Do capitão são-paulino, com quem ele convive diariamente, ele quer adquirir a qualidade com os pés. Denis treina reposições de bola ao estilo de Ceni desde os tempos em que jogava na Ponte Preta.
Taffarel
“Admirava o Taffarel pela tranquilidade e por ser um goleiro debaixo do gol muito rápido, difícil de cair, estava sempre muito bem posicionado”, analisa Denis.
Marcos
Recém-aposentado, o ex-goleiro do Palmeiras também é inspiração para Denis: “Era goleiro excepcional debaixo das traves, fazia defesas dificílimas.”
Casado e titular, Denis tem muita responsabilidade em 2012
Em dois meses, Denis se casou, ganhou maior chance da vida e já arrisca liderar o São Paulo
Fonte Lancenet
5 de Fevereiro de 2012
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