Cañete elogia Leão e diz que pode ser o meia do São Paulo em 2012

Argentino, porém, só deve voltar aos gramados no mês de junho, já que se recupera de uma lesão no joelho. Leia entrevista exclusiva

Fonte IG

Já faz algum tempo que o grande problema do São Paulo é no meio-campo, mais precisamente setor de criação da equipe. Buscando alternativas para superar esse defeito de anos, a diretoria já acertou a contratação de Maicon, do Figueirense, e ainda tem na pauta de reforços os nomes de Montillo, do Cruzeiro, e Jadson, do Shakhtar Donetsk.
Entretanto, a solução pode estar no próprio elenco, mas somente a partir de junho de 2012. O meia argentino Marcelo Cañete disse em entrevista exclusiva ao iG que, quando se recuperar da cirurgia que fez no joelho, pode exercer essa função com tranquilidade. "É minha posição, é o que eu faço e sempre fiz. Tenho muito para mostrar aqui no São Paulo, mas é preciso ter paciência agora", avaliou o atleta.
Contratado em julho por R$ 4,6 milhões, Cañete rompeu o ligamento cruzado posterior do joelho no duelo contra o Vasco, pelo Brasileirão, e só deve voltar aos gramados daqui seis meses, prazo estipulado para total recuperação. Quando foi operado, no começo de novembro, recebeu a visita do técnico Emerson Leão no hospital, fato que deixou o argentino bastante contente.

"Agradeço muito ao Leão. Quando eu fiz a cirurgia ele foi até o hospital com o Milton Cruz, gostei muito dessa atitude", disse Cañete, que aproveitou para alfinetar Adilson Batista, antecessor de Leão no comanto tricolor. "Com o Adilson eu ficava só no banco e não entrava, mas o Leão chegou e, sem ter tanto conhecimento em mim, me colocou para jogar. Gostei muito dele, ele mostrou interesse por mim e fiquei feliz com isso".
Caseiro, o meia do São Paulo disse que suas diversões no período de folga são passeios em shoppings e jogar videogame. E Cañete disse que se não seguisse a carreira de jogador de futebol, poderia ser fisioterapeuta, já que cursou a faculdade durante o período de recuperação de outra lesão grave que sofreu quando ainda defendia o Boca Juniors.
Leia abaixo a entrevista na íntegra:
iG: O São Paulo está buscando um meia para 2012. Você acha que o time precisa?
Cañete: Acho que o São Paulo tem bons jogadores, mas precisa também de um jogador que pegue a bola e organize o time nessa posição de meia, com uma técnica boa. Se contratar esse meia, é bom para o time. Mas se não contratar, temos jogadores que vão conseguir fazer esse trabalho.
iG: E você pode ser esse jogador que tanto faz falta na equipe há anos?
Cañete: É minha posição, é o que eu faço e sempre fiz. Agora não posso ajudar por conta da lesão, ainda tenho seis meses para me recuperar, mas vou seguir trabalhando para voltar a jogar. Tenho certeza de que posso atuar tranquilamente nessa posição.
iG: Você ficou 8 semanas imobilizado e sem pisar no chão. Como está sendo a recuperação?
Cañete: Sinto muitas dores na hora de dobrar o joelho. Eu estava ficando no CT depois da cirurgia, fiquei um mês. Mas moro na Pompéia em um apartamento alugado.
iG: E nas horas vagas o que costuma fazer na cidade?
Cañete: Fico mais em casa com os amigos, com meu irmão, jogo futebol no Playstation, ping pong. É tranquilo, assisto filmes. Saio mais para fazer compras, ir no shopping. Estou pensando em comprar um lugar para morar também, então saio para procurar.
iG: E tem o jogador com seu nome no videogame?
Sim, estou no São Paulo, mas sou muito fraco. De bom do time tem o Dagoberto, Luis Fabiano, o Carlinhos Paraíba é bom também. Eu sou ruim, fico só no banco do São Paulo.
iG: Você disse que é caseiro, mas nada de se relacionar com alguma brasileira?
Cañete: Tenho uma filha na Argentina, mas não sou casado e nem namoro. As mulheres brasileiras são muito bonitas, mas ainda não estou enrolado com nenhuma, só penso no trabalho por enquanto.

lance
iG: Agora falando da carreira, jogar a Copa de 2014 na Argentina está nos seus planos?
Cañete: Não, nem penso nisso. Tenho muito o que fazer para jogar na seleção argentina. Ainda sou novo, tenho 21 anos, tenho muito tempo para mostrar o que eu posso fazer em campo. Tenho esperança de jogar, mas não agora. Tenho que mostrar muito ainda.
iG: Você se machucou e teve pouco contato com o técnico Leão, mas já deu para ter uma opinião sobre ele?
Cañete: Agradeço muito ao Leão. Quando eu fiz a cirurgia ele foi até o hospital com o Milton Cruz, gostei muito dessa atitude. Com o Adilson eu ficava só no banco e não entrava, mas o Leão chegou e, sem ter tanto conhecimento em mim, me colocou para jogar. Gostei muito dele, ele mostrou interesse por mim e fiquei feliz com isso.
iG: Tem algum jogo inesquecível na sua carreira?
Cañete: Pela Libertadores de 2011, contra o Grêmio, no Olímpico, quando eu estava na Universidad Católica. Nosso time não era conhecido, eu também não era, mas a gente teve gana no jogo. No Chile era considerado impossível vencer esse jogo e ganhamos, por isso sempre lembro e gosto muito.
iG: E por que sua negociação com o São Paulo virou uma novela e quase não aconteceu?
Cañete: Meu empresário estava tratando disso. Eu estava no Chile, fiquei lá até o último momento, ele me ligava e me contava as coisas que estavam acontecendo. Depois tive que vir para o Brasil para fechar o negócio. As coisas são difíceis mesmo, para todo jogador, são muitos detalhes que precisam ser discutidos e às vezes se complicam.
iG: E só o São Paulo te procurou?
Cañete: Também teve a possibilidade de eu jogar no Fluminense, mas defini atuar pelo São Paulo e estou feliz aqui. Sempre quis jogar num time brasileiro, gosto de como jogam no país, tentam jogar futebol e queria fechar contrato com o São Paulo.
iG: Na Argentina falam que você é o sucessor de Riquelme. É isso mesmo?
Cañete: Lá falam que sou, mas eu sabia que o Riquelme ainda jogando pelo Boca eu não ia ter oportunidade de atuar, entrei em campo poucas vezes, então decidi ir embora para o Chile. Sou um jogador que gosta de pegar a bola, encarar o adversário, chutar, dar passes para os atacantes, mas gosto de defender e marcar também. Tenho muito para mostrar aqui no São Paulo, mas é preciso ter paciência agora. Tenho muito tempo aqui.
iG: Já se rendeu à música brasileira?
Cañete: Na Argentina se escuta muito samba, sertanejo. Eu eu sempre ouvi, gosto muito e continuo ouvindo aqui.
iG: Você é daqueles jogadores que fazem comemorações diferentes quando fazem gol?
Cañete: Sim, eu gosto de comemorar dançando. A torcida do São Paulo pode esperar porque gosto de fazer essas coisas.
iG: Se não fosse jogador de futebol, o que acha que seria na vida?
Cañete: Um vagabundo (risos). Brincadeira. Eu gosto dessa área de fisioterapia, fisiologia, reabilitação.
iG: Mas chegou a estudar?
Cañete: Quando eu me machuquei no Boca Juniors fiquei um ano e dois meses sem jogar. Não queria jogar mais futebol naquele momento, comecei a estudar de novo e acho que eu seguiria essa área de fisioterapia se não fosse jogador. Cheguei a parar de jogar, não conseguia voltar, fiz a faculdade por algum tempo, mas depois voltei aos campos, deu tudo certo e deixei os estudos.
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