Convidado do especial "Mundo Tricolor", homenagem da TV Gazeta aos jogadores que levaram o São Paulo pela primeira vez ao topo do planeta, o ex-atleta concedeu rápida entrevista à Gazeta Esportiva.Net pouco antes da gravação do programa que vai ao ar neste domingo, às 21h30.
Além de lembrar do salto alto azul-grená - Cruyff disse que não temia os atacantes tricolores e abdicou de treinar pênaltis por acreditar que o título seria resolvido no tempo normal -, Adilson declara amor ao clube do Morumbi, lembra do bom ambiente entre os jogadores no início da década de 1990 e dá seus palpites sobre a má fase recente vivida pelo time.
Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Ex-zagueiro Adilson (à frente) ao lado de Pintado durante gravação do especial "Mundo Tricolor", na TV Gazeta
GE.Net: Você lembra dos dias que antecederam o confronto com o Barcelona? Os espanhóis chegaram ao Japão muito confiantes.
Adilson: Eles ficaram chateados com o São Paulo porque ganhamos deles por 4 a 1 no Torneio Teresa Herrera, na Espanha, no meio do ano. Isso deve ter motivado o Cruyff a falar tanta besteira como falou, mas no final deu tudo certo para nós e até hoje fico muito feliz com isso. Ele não respeitou Raí e Telê Santana que já naquela época eram mitos e estavam em um patamar muito alto.
GE.Net: Ainda acompanha o São Paulo?
Adilson: Acompanho sempre, eu amo o São Paulo. A gente não vê aquela garra de antigamente. Não sei o que acontece, vejo só de longe e, para dar opinião sobre alguma coisa, é importante estar vivenciando aquilo, estar dentro do grupo para saber o que acontece. Como eu não sei, não posso falar muito.
GE.Net: Então você se considera um torcedor são-paulino?
Adilson: Eu gosto do São Paulo e gosto do Juventude, mas em primeiro lugar no coração está o São Paulo.
GE.Net: Está faltando esse sentimento aos jogadores atuais?
Adilson: Eu não recrimino os caras por pensarem no dinheiro. Os clubes hoje são assim: se está bem, ótimo, se não está bem, manda embora e não quer nem saber. Os jogadores têm que correr atrás da parte financeira mesmo, mas naquele nosso tempo você tinha que jogar um ano bem para poder renovar. Hoje, o cara faz contrato de cinco anos de cara e não esquenta muito, sabe que o empresário vai arrumar um lugar para ele jogar depois.
GE.Net: Lembra de alguma história curiosa do grupo de 1992?
Adilson: São muito fatos engraçados. Uma vez fomos jogar um torneio em Barcelona e estávamos sentados na rua esperando o início do treinamento quando chegou o Macedo, com aquela simplicidade dele, e disse assim: "nossa, aqui só tem carro importado". Começamos a rir muito, essas coisas faziam a alegria do grupo, o ambiente era muito saudável.
GE.Net: Como está sua vida apóa a aposentadoria?
Adilson: Trabalho na prefeitura de Cruzeiro (no Vale do Paraíba), no departamento de esportes, e tenho uma escolinha de futebol.
GE.Net: Tem um recado para a torcida do São Paulo sobre os 20 anos do título Mundial?
Adilson: Gostaria que eles comemorassem. Eu ficaria muito feliz se a torcida fizesse uma homenagem no estádio. Ver o pessoal cantando o nome dos jogadores ou fazendo qualquer tipo de lembrança já me deixaria muito feliz, mesmo estando longe.