
Técnico Emerson Leão orienta o time do São Paulo durante a semana Foto: João Neto/Vipcomm/Divulgação
Três meses de contrato. A ideia de trazer o técnico Emerson Leão por este período curto de trabalho tem um objetivo: a diretoria do São Paulo quer criar um sentido de urgência nos jogadores. A trinca que comanda o futebol no Morumbi – o presidente Juvenal Juvêncio, o vice João Paulo de Jesus Lopes e o diretor Abalberto Batista – percebeu que o problema do time não era treinador, mas sim apatia dos atletas.
O diagnóstico saiu logo depois do empate sem gols contra o Coritiba, no dia 23 de outubro. Sem Adilson Batista, demitido uma semana antes, e orientado pelo auxiliar Milton Cruz, o São Paulo tinha vencido o Libertad por um a zero no meio da semana.
Juvenal, João e Adalberto notaram a ausência do que consideram a marca registrada do São Paulo: disposição e garra dos atletas. “O São Paulo sempre foi uma equipe em que o torcedor acredita até o final”, afirmou o vice de marketing Júlio Casares. No mesmo domingo, à noite, os três se reuniram para discutir nomes que já vinham sendo analisados há uma semana.
Adalberto informou que Luiz Felipe Scolari não seria liberado facilmente pelo Palmeiras. Ouviu do presidente alviverde Arnaldo Tirone que o treinador era intocável até porque servia como “para-choque” do dirigente. Paulo Autuori ainda está sob contrato com a Federação de Futebol do Catar.
A necessidade de um técnico de pulso forte, que coloque talentos jovens como Casemiro, Wellington e Lucas para correr mais do que estão correndo ou que faça com que atletas mais experientes como Carlinhos Paraíba, Juan, Rivaldo e outros mostrem mais vivacidade, levou os dirigentes ao nome de Émerson Leão.
“E ele sabia que havia uma necessidade mútua”, disse João Paulo. Desempregado há mais de um ano, Leão queira voltar. O São Paulo, lembrando a passagem do treinador sete anos antes, sabia que ele tem estilo e coragem para encarar a situação.
No domingo à noite, Juvenal conversou com Leão por telefone. O técnico estava em Belo Horizonte. Disse que voltaria a São Paulo naquela noite e poderia conversar na segunda-feira de manhã. O presidente do São Paulo passou em linhas gerais o que queria dele nos próximos três meses.
No dia seguinte, Leão manteve um encontro com João Paulo e Adalberto. O vice-presidente repassou várias instruções e deixou o diretor de futebol com a tarefa de acertar salário. Isto foi feito em cerca de cinco minutos. Leão aposta que vai dar certo no São Paulo. “Vou pro pau”, disse ao Blog do Boleiro logo depois de sair da reunião.
Perguntado sobre a duração de seu contrato, Leão disse que não sabia. Na verdade, ele aposta no trabalho e sabe que, se conseguir colocar o São Paulo entre os quatro ou cinco primeiros colocados do Campeonato Brasileiro, vai poder conversar no final de dezembro em condições de ganhar mais. O trio do futebol sabe disso e já está preparado para negociar.
A primeira medida tática tomada pelo novo técnico agradou João Paulo de Jesus Lopes. “Desde que Oscar e Dario Pereyra pararam de jogar, o São Paulo só jogou bem e ganhou títulos com três zagueiros”, disse.
Outras atitudes de Leão ajudam a demarcar território: em entrevistas coletivas, ele tem mandado recados públicos aos mais jovens, cobrou mais participação dos mais velhos, avisou que Rogério Ceni não pode ser a única voz de comando em campo.
vipcomm
Aliás, o goleiro e o técnico debateram – para não dizer que discutiram – depois da derrota do São Paulo para o Libertad (0 x 2). Motivo: Leão não gostou que Ceni tivesse chamado Luis Fabiano para marcar um atacante do time Paraguai na jogada de bola parada. O atacante cometeu um pênalti.
A fome de bola de Leão, disposto a mostrar serviço e garantir novo contrato, é a aposta dos dirigentes para acender os jogadores. Para garantir que os atletas entendam o recado, Juvenal Juvêncio avisou que, se o desempenho não melhorar até o início de dezembro, o elenco será modificado. Ou seja: vai ter gente dispensada.
Pressionada pela diretoria e estimulada pelo treinador - que usou várias técnicas motivacionais e de espírito de equipe nos treinos – a equipe tem uma tarefa para realizar: conseguir um vaga na Copa Libertadores da América do ano que vem.
Resta saber como os jogadores reagem à nova situação, que tem cara de emergência. Até aqui, sob o comando de Leão, o São Paulo perdeu para o Libertad e empatou, sem gols, com o Vasco da Gama. Neste sábado, em Salvador, a tarefa é vencer o Bahia, equipe que também precisa vencer seus fantasmas e a ameaça de rebaixamento.