
Eles, os detentos homossexuais, cabelos pintados, camisetas rasgadas nos ombros e batom nas bocas. Essa legião foi para trás do gol. Queriam ver a fera de perto. Uma das estrelas de um time que tinha Luiz Pereira, Dudu e Ademir, Leivinha. A Academia do Palmeiras ia jogar contra o time da cadeia mais famosa de São Paulo. E porque atrás do gol¿ Porque embaixo dos três paus estava uma das maiores personalidades do futebol brasileiro de todos os tempos. Um goleiro de quatro Copas do Mundo. Uma lenda que tinha pouco mais de vinte anos de idade e as pernas em out doors espalhados pela cidade numa propaganda de cuecas. Leão, o dono das pernas mais famosas da época. Foi uma gritaria geral, um escândalo dentro da cadeia. Lindo, lindo, gostoso, era o mínimo que ele ouviu durante o jogo, além é claro de promessas de amor e convites para encontro numa cela qualquer. Leão ria e se mostrava feliz. O Palmeir as era um timaço e fazia esse tipo de evento. Era correto politicamente e uma benção para os que viviam nas condições de vida que nós todos sabemos.
Hoje eu vi aqui no São Paulo o mesmo brilho nos olhos desse senhor sessentão. Ele voltou a sorrir, a brincar. Leão está trabalhando no São Paulo como jogava. Com alegria, com muita seriedade e profissionalismo. Ele está recuperando jogadores desmotivados e alguns sem vontade. Está ajudando outros que nem sabiam que ainda poderiam dar o que estão dando.
Leão está fazendo bem ao São Paulo e a ele também.
Em tempo, Leão não sai do São Paulo neste final de ano. A diretoria vai confirmá-lo para a proxima temporada. Palavra de um alto dirigente que me confirmou a satisfação da diretoria com seu trabalho.