Mas não é apenas o treinador que está na berlinda. A diretoria são-paulina entende que, se a equipe não der resultado até o fim do ano, os jogadores serão os responsáveis pelo insucesso no ano.
"Se até o final deste ano a equipe se mostrar impotente em relação aos resultados, conclui-se que o problema não é mais o treinador, mas o time", declarou o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, ontem, à Folha.
Com contrato até o fim deste ano, Emerson Leão, então, tem a chance de salvar não apenas a sua pele como também a de jogadores que não têm rendido o esperado.
Ninguém no Morumbi, porém, imagina que o vínculo com o treinador possa ser estendido para o ano que vem.
A reportagem apurou que o São Paulo continua em busca de um treinador de primeiro escalão para a próxima temporada. A intenção é aguardar as mudanças do mercado de dezembro para tentar buscar nomes como o de Luiz Felipe Scolari, Paulo Autuori ou Muricy Ramalho.
"Sobre o ano que vem, depende deste ano. Cada um tem que demonstrar o dia a dia, a qualidade, o resultado", afirmou Leão, ontem, em entrevista coletiva.
João Paulo de Jesus Lopes, vice-presidente de futebol, propaga que são grandes as possibilidades de Leão continuar no clube em 2012.

"A intenção é que ele fique. Isso fez parte da nossa conversa. Vamos sentar após a última partida da temporada. Se os resultados forem muito bons e ele estiver feliz com o trabalho, ele pode até se aposentar aqui", disse o cartola.
O discurso é o mesmo da apresentação de Adilson Batista, que também tinha contrato curto e foi demitido.
Na realidade, o plano original da diretoria era manter o auxiliar Milton Cruz como interino o máximo de tempo possível, à espera de um dos "medalhões" desejados.
Mas a sequência de sete jogos sem vencer no Brasileiro e a apatia mostrada nas duas partidas depois da demissão de Adilson Batista fizeram o clube mudar de ideia.
Daí a contratação de um técnico desempregado há 14 meses --desde que deixou o Goiás "atirando" contra a diretoria--, mas com fama de chacoalhar ambientes e obter resultados rapidamente.
São justamente essas as características que o São Paulo deseja para não ficar fora da Libertadores do próximo ano.
Leão terá de oito a 14 jogos (se for à final da Copa Sul--Americana) para alcançar o objetivo de convencer a diretoria a mudar de plano e desistir de buscar outro técnico.