Não há definição melhor para Milton Cruz que braço direito de Juvenal Juvêncio, o todo poderoso do Morumbi. “O Juvenal é como se fosse um pai para mim”, confidencia o eterno auxiliar-técnico são-paulino que, momentaneamente, pela 15ª vez na carreira, está sendo o técnico interino do Tricolor. Com 17 anos de clube — sendo dois como jogador profissional e outros 15 como integrante fixo da comissão técnica —, o profissional conversou com exclusividade com o MARCA BRASIL e, como sempre, muito franco em suas respostas, não deixou nenhum assunto sem ser comentado.
“O Juvenal Juvêncio me trata bem, tem muita confiança no meu trabalho, sempre conversa comigo, é muito autêntico e, mesmo às vezes falando mais firme, me respeita muito. Isso é legal, pois temos admiração mutuamente. Ele sabe que dou o retorno esperado”, afirma Milton Cruz, que é uma espécie de ‘faz tudo’ no Morumbi.
Vipcomm
Revelado no clube, onde atuou profissionalmente por dois anos, antes de rodar o mundo no futebol, o hoje técnico interino não se esquece de suas raízes e da amizade com aqueles que lhe estenderam as mãos.
“Parei de jogar em 1994, trabalhei por seis meses no Guarani, como auxiliar-técnico do Oscar (ex-zagueiro do Tricolor) e depois saí. Até que um dia passei na Avenida João Jorge Saad (próximo ao Morumbi), o Muricy Ramalho tinha uma farmácia ali, conversamos e fui convidado para trabalhar na base. Como era perto de casa, aceitei. Daí me indicou para o diretor e para o Telê Santana. Fui, ele me deu o aval, comecei a trabalhar aqui, onde estou até hoje”, recorda o profissional, que é endeusado no clube por seu jeito humilde e, principalmente, por suas funções importantes para o time.
“A minha função é ser coordenador. Os jogadores que vêm, sempre têm meu aval. No campo, ajudo o treinador nas atividades e faço o elo do técnico com os atletas, que normalmente não se abrem”, explica Milton Cruz, que segue. “Minha função é ampla, converso bastante com o presidente e com os diretores, principalmente sobre as reformulações que o elenco precisa ter anualmente”, ressalta o interino.
Aliás, Milton Cruz não vê a hora de voltar para sua função de auxiliar, preocupado em não prejudicar seu real cargo. “Futebol depende de resultado. Sou pé no chão e não tenho a intenção de ser técnico. Sou feliz no que exerço e isso não tem preço”, finaliza o homem que tem a cara do São Paulo.
Família e praia são prioridades
Além de prezar por seu cargo, Milton Cruz tem outro grande motivo para não querer ser treinador: a família. “Sou muito tranquilo, um cara família. Aliás, meus dois filhos e minha esposa são a explicação para eu não querer ser treinador, pois não gosto de ficar longe deles”, explica o auxiliar-técnico, que só deixa o sofá e a TV se for para ir à praia.
“Tenho uma casa na praia, no Guarujá e, quando estou de folga, gosto de ir para lá para respirar outros ares”, comenta.
'Amizade vale mais que dinheiro'
Querido pelos atletas, Milton Cruz faz uma revelação de amor. Por ser tão amigo dos jogadores, acaba ficando triste quando eles vão embora do clube. “Chorei quando o Júnior (lateral), o Kaká (meia) e o Rodrigo Souto (volante) foram embora”, recorda, antes de explicar os motivos para se ter tanta afinidade com os boleiros. “Sou querido pelos jogadores por causa da minha humildade. Companheirismo é tudo e a amizade vale mais que o dinheiro”, finaliza.
