Luiz Felipe Scolari caminha para o fracasso em sua sexta competição pelo Palmeiras. Já teve fortes atritos com o vice-presidente Roberto Frizzo, bateu de frente com Valdivia no fim de 2010 e agora brigou com Kleber, afastando-o do elenco alviverde.
Cobiçado pelo rival São Paulo, Felipão reafirma que não abandona o barco e não cogita “pular o muro”. A diretoria, apesar da falta de resultados em um ano e meio de trabalho, “morre abraçada” com o treinador, que muitas vezes expôs a sua insatisfação com o clube.
– Já disse e reafirmo que o Felipe faz parte do planejamento para 2012 – declarou Roberto Frizzo.
– Nunca pensamos em rescindir o contrato – disse Arnaldo Tirone.
Faltam oito jogos. Até dezembro, é difícil fazer apostas na sempre efervescente Academia. Há um mês, conselheiros acusavam o treinador de forçar a sua saída.
Mas hoje, nem mesmo o fato de a maioria do elenco acumular reclamações com a comissão técnica faz o presidente mudar de ideia.
Por que? Tirone está fechado com Felipão, algo reforçado com o afastamento de Kleber, mantido pelo treinador. Aposta que o técnico ainda irá vingar e assina embaixo mudanças a serem feitas no grupo para 2012.
O discurso de Scolari, antes explosivo, já é mais ameno nos últimos dias. Tirone estuda também a contratação de um diretor remunerado, para amenizar as tensões.
A promessa é de contratações melhores para o ano que vem, ao contrário do que ocorreu em 2011.
– Temos de dividir nossos erros em conjunto. Tínhamos um planejamento, entendíamos que com jogadores mais novos teríamos boas chances de chegar no Brasileiro. Não estamos fazendo isso. A culpa principal é minha. Fiz umas escolhas que até agora não estão correspondendo 100%. Quem sabe venham a deslanchar – disse Scolari.
Quem é contra a permanência de Felipão na Academia avalia que Tirone é “fraco” para fazer uma mudança drástica. A sombra de um rival faz o presidente temer vê-lo triunfar do outro lado do muro.
Sobe e desce
Positivo
Técnico tem apoio irrestrito do presidente Arnaldo Tirone, que confia na conquista de resultados para a próxima temporada. Felipão também acredita que pode reagir, com a expectativa de ter um elenco melhor em 2012. Multa de R$ 2,5 milhões não o segura no clube, mas sim o desejo de seguir na cidade e no Palmeiras, clube o qual tem identificação histórica.
Negativo
Felipão sofre contestações de muitas alas dentro da Academia, por causa do alto custo, dos poucos resultados e das contratações ruins. A relação com o elenco, que já foi ótima, se desgastou nos últimos meses. Briga com Kleber gerou nova crise na Academia. Política do clube, sempre conturbada, é motivo de irritação por parte do treinador.
Bate-Bola: Luiz Felipe Scolari
Em entrevista coletiva na sexta
Você pularia o muro (CTs são vizinhos) para dirigir o São Paulo?
A última vez que pulei o muro, era solteiro. Pulava o muro, sim. Agora, não tenho idade para isso. Já disse uma vez que o dia que eu terminar meu assunto, meu contrato, meu trabalho com o Palmeiras, sou livre para ir para qualquer clube do Brasil e do mundo. Tenho simpatia por alguns clubes pela forma de agir. Mas não posso escolher trocar A por B. Não quero trocar porque estou no Palmeiras.
Conversaria com o São Paulo?
Não tenho de conversar com ninguém. Tenho de conversar com Tirone, Frizzo, minha comissão técnica. Tenho de ver minha realidade, minha realidade é essa: fazer o melhor para o Palmeiras todos os dias.
Há alguém no Palmeiras hoje com quem você não jantaria?
Qualquer um que me convidasse e pagasse a conta, eu iria. O seu Frizzo principalmente. Ele me deu uma caixa de vinho semana passada. Antes, teve discordâncias normais.
O que o tiraria do Palmeiras?
A direção. Por mim, a direção que tem de me tirar. Não tenho intenção de sair. Por mim, não sou eu quem saio. Quem me tira é a direção.
Alguma proposta o tiraria?
É outro assunto. Se estou contente, se fiz projeto, se vim para São Paulo, vim para o Palmeiras, esperei um ano para trazer minha família... Se tivesse pensando só no lado financeiro, teria saído há seis meses. Não é com isso que estou preocupado.
É o momento que você mais enfrenta problemas dentro do clube?
Só estou triste com a campanha. Mas estou feliz pelo trabalho do dia a dia. Se eu não estou enganado, em 1993, fomos 16 pelo Grêmio. Mas no ano seguinte, começou aquela era. Situações ruins já vivi em muitos lugares. Mas estou vivendo essa situação com alegria. Fico triste pelo torcedor. Não com o meu trabalho.
A torcida não está satisfeita.
No dia que esteve o pessoal da Mancha aqui (após “caso João Vitor”), foi a colocação que fizeram. Estão super envergonhados. Vou dizer a eles que ninguém está mais envergonhado do que nós, que vamos para campo. Estamos mais sentidos do que todo torcedor.
Algo surpreende no clube?
Política. Não esqueça que já tive três presidentes nesta passagem atual, em um ano. É um pouco mais difícil do que tinha conhecimento.
Cobiçado, Felipão é forte no Verdão até com fracassos
Há temor no clube em vê-lo do ‘outro lado muro', algo descartado pelo técnico. Tirone não cogita fazer mudança
Fonte Lancenet
22 de Outubro de 2011
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