Nesta segunda-feira, na volta ao Centro de Treinamento do clube na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, Adilson conversou com o meia Rivaldo, ex-atleta do Barcelona. Pediu para o jogador indicar alguém do Barça para que ele possa articular um estágio.
Adilson é um estudioso. Ele impressionou jogadores e comissão técnica do tricolor com a dedicação como estudava os adversários. O pessoal que providencia vídeos ao departamento de futebol, trabalhou como nunca durante a passagem do ex-zagueiro.
A saída dele foi emocionante. Logo depois da derrota para o Atlético Goianiense (0 x 3), na sexta partida seguida sem vitória no Campeonato Brasileiro (duas derrotas e quatro empates), ele foi chamado pelo diretor de futebol Adalberto Batista em um canto do vestiário. Foi informado que a diretoria tinha decidido demiti-lo porque precisava criar um fato novo, urgente, e também para evitar pressão maior da torcida nos jogos seguidos.
Adilson já esperava esta atitude. Concordou até em falar com os jornalistas. Por orientação da assessoria de imprensa, ele apenas fez uma declaração. Não foram permitidas perguntas. Depois de 22 jogos, com sete vitórias, nove empates e seis derrotas, ele admitiu que deixou o time em situação pior no Brasileiro. “Peguei o time em segundo e estou deixando em sexto lugar”, disse.

Respeitado, mas nem sempre entendido pelos jogadores, o técnico ainda teria um outro discurso a fazer. Ele voltou com a delegação para o hotel em Goiânia. O São Paulo reservou uma sala para que Adilson conversasse com os atletas. Foi uma fala emocionada, com direito a lágrimas.
O técnico retornou a São Paulo no mesmo vôo. No Aeroporto de Congonhas, ele saiu com Adalberto Batista por outra porta, deixando o elenco diante da imprensa. Os dois seguiram o ônibus até o CT em um carro particular.
Na Barra Funda, Adilson recolheu seu material e fez a mala. Ele morava lá. Dormia pouco. Estudava muito. Mas, por algum motivo, não conseguiu com que o time repetisse em campo o que praticava nos treinos. Sentia falta de garra de alguns atletas. Nunca reclamou em público. Nem vai fazê-lo.
Depois de uma sequência de trabalhos interrompidos pelos maus resultados (Corinthians, Atlético Paranaense e São Paulo) e de uma demissão quando estava acumulando vitórias e pontos (Santos), ele pretende descansar, reciclar e voltar a trabalhar.
Até lá, estuda um jeito de ir à Europa para ver o Barcelona em campo e nos treinos.