Juvenal Juvêncio não se importa com que os outros pensam ou desejam.
O São Paulo é seu.
E ele vai demonstrar isso de uma péssima maneira.
Outra vez.
Depois de errar a mão nas contratações de Ricardo Gomes, Carpegiani...
E, principalmente, Adilson Batista...
O presidente volta a atacar...
Conseguiu acabar com toda a alegria da vitória sofrida diante do Libertad...
Do festejado gol de Luís Fabiano...
Juvenal mandou seus dirigentes avisarem que ele não fará o lógico, o recomendado...
O desejado por seus jogadores...
Não manterá Milton Cruz até o final do Brasileiro.
Restam apenas oito partidas para a competição acabar.
O time vinha de uma humilhante derrota diante do Atlético Goianiense por 3 a 0.
Milton juntou os cacos...
E os jogadores que estavam descontentes com Adilson.
Conseguiu dar união, vontade de ganhar e um desenho tático definido.
Ganhou do bom time paraguaio.
O que deveria trazer tranquilidade.
Deveria.

Por que Juvenal garante que contratará um treinador em dez dias.
Deixará Milton ficar dois ou três jogos.
E deu.
Ou seja: o novo técnico terá de chegar e assumir a equipe por cinco partidas.
Sem conhecer profundamente o elenco.
Implantar a sua filosofia.
Com a obrigação de conquistar, no mínimo, a classificação para a Libertadores.
Menos, será um fracasso.
Fracasso instantâneo.
O nome não importa.
Pode ser Paulo Autuori, Dunga, Jorginho, o ressuscitado Leão.
Ou José Mourinho.
A proposta de Juvenal é caótica, improvisada, amadora.
Mal o time comemorava a vitória ontem, fez questão de deixar seus subalternos falarem mal de como o São Paulo venceu.

As declarações são explícitas.
Não deveriam levantar a moral do improvisado Milton Cruz.
Reconhecer os seus méritos.
O importante para a cúpula são paulina era mostrar que tudo foi ruim.
Por que não fez isso quando o time rastejava na insegurança de Adilson Batista?
Milton é um personagem que fez uma opção de vida.
Pela família.
Não tem ambição, mas garante o seu emprego.
Não quer fazer como Rojas que desejou ser o treinador e acabou sendo demitido rapidamente.
Foi dirigir clubes cada vez menores até sumir do cenário.
Excelente caráter, Milton aceita tudo o que a diretoria propor.
Ele quer é continuar trabalhando no São Paulo.
Essa é a sua meta de vida.
Não importa se está sendo duramente injustiçado outra vez.
Nem que os jogadores estão completamente do seu lado.
E desejavam que ele acabasse o Brasileiro.
Não.
Nada disso interessa a Juvenal.
O São Paulo é dele.
Faz o que quiser.
Até porque faltam pessoas na diretoria que tenham coragem de dizer 'não' ao presidente.
Não enfrentá-lo.
Mas ao menos mostrar os absurdos que tem feito com o clube desde que o Morumbi perdeu a Copa.
O presidente ficou desnorteado e até agora mostra os efeitos do golpe.
Outra vez sua precipitação vai atrapalhar, jogar contra o São Paulo.
Ao desprezar Milton Cruz e não se importar pelo que os jogadores queriam...
Juvenal outra vez acabou com a alegria no Morumbi.
Essa virou sua marca registrada nos últimos anos....