Depois das decepções com Sérgio Baresi e Ricardo Gomes, a cúpula são-paulina está certa de que a torcida não aceitaria um treinador pouco rodado e sem títulos no currículo.
Revirando o mercado, os cartolas também desenvolveram uma fobia por comandantes muito religiosos. Ouviram que técnicos dedicados à religião costumam criar ambiente propício à formação de uma panela de rezadores no elenco.
No caso de Dunga, o problema maior é o currículo breve, apesar de ilustrado por duas copas conquistadas: América e das Confederações. A diretoria crê que a torcida teria pouca paciência com ele.
Porém, os dirigentes também querem saber mais sobre a relação de Dunga com o grupo de evangélicos da seleção. Ele dava total respaldo à turma liderada por Jorginho, seu auxiliar. Na África do Sul, eles tinham uma sala para cultos e podiam receber um pastor na concentração, enquanto parentes e amigos dos atletas não eram desejados por perto.

Silas também não tem uma coleção de taças. Ostenta um título catarinense e um gaúcho, mas poderia contar com mais paciência da torcida por causa de seu passado como jogador no Morumbi. Mas Silas é muito religioso, chamado até de fanático entre os são-paulinos. Assim, seu nome não empolga.
Entretanto, os cartolas não descartam categoricamente ninguém enquanto sonham com Felipão. Scolari está longe de ser considerado um fanático religioso, tem carteira de trabalho surrada e bagagem lotada de troféus, ainda que empoeirados pelo tempo.
Seu pecado poderia ser a ligação umbilical com o Palmeiras, mas a diretoria acredita que a torcida não seria radical a ponto de rejeitá-lo por causa do sotaque italiano.