Juntos, engataram uma sequência de vitórias que, após dez anos, levou a equipe do Morumbi de volta à Taça Libertadores da América. Oito anos depois, o interino de 54 anos tem a chance de repetir a dose.
Isso acontecerá se ele for bem contra Libertad e Coritiba, o que fará a diretoria efetivá-lo até 31 de dezembro para ter calma na hora de escolher o treinador para o ano que vem. Milton já se colocou à disposição para trabalhar como técnico até lá.
- Eu estou aí para o que precisarem. Sou funcionário do São Paulo há 17 anos e tenho um carinho enorme pelo clube. Eu sei que estão buscando um treino e, se vier amanhã ou depois do jogo contra o Libertad, não tem problema. Mas, se quiserem que eu permaneça, estou pronto. Sem dúvida, poder repetir o trabalho que fiz em 2003 é um fato que me anima bastante – afirmou o interino, em conversa com a reportagem do GLOBOESPORTE.COM.
Ao lado de Rojas, Milton Cruz dirigiu o time em 54 partidas e teve 61% de aproveitamento, com 28 vitórias, 15 empates e 11 derrotas. No ano seguinte, o chileno deixou o clube porque o técnico Cuca, contratado para assumir o clube, não aceitou a sua permanência como preparador de goleiros. E Milton retornou ao posto como auxiliar.

Aquele time, como o de agora, tinha Luis Fabiano no comando do ataque. E Milton lembra que o Fabuloso fez a diferença quando necessário.
- O grupo era formado por jogadores guerreiros. Mas, como a nossa situação não era das melhores, adotamos na época uma formação mais cautelosa, com três zagueiros, seis homens no meio-campo e o Luis Fabiano sozinho no ataque. Mesmo assim, ele fez a diferença. Ele
resolveu jogos na frente e o Rogério resolveu os jogos atrás – recordou Milton.
O interino diz que o grupo de agora é bem mais qualificado. E que ele acredita que pode recolocar o São Paulo no caminho das vitórias.
- Canso de ouvir outros treinadores e vários comentaristas dizerem que temos um dos melhores elencos do país. Você tem Rogério Ceni, que jogou Copa do Mundo, Luis Fabiano, que jogou Copa do Mundo, tem Lucas, que está na Seleção, Casemiro, que foi campeão sub-20 e já foi
convocado, Rhodolfo que já foi chamado. É questão de ajustar porque qualidade temos de sobra – afirmou.
Uma coisa é certa: se faltava apoio das arquibancadas para Adilson Batista, agora sobrará para Milton Cruz.
- A cobrança será a mesma. Se não jogarmos bem, serei criticado como o Adilson foi. Talvez pelo meu histórico, pelo tempo que trabalho na casa, acho que vão ter mais paciência comigo. Mas isso não quer dizer nada. Temos de entrar em campo, voltar a jogar bem e principalmente, ganhar. Só assim é que vamos trazer o torcedor para o nosso lado novamente – concluiu.