"Sou PMDB", sorri o técnico para escapar de perguntas que podem complicá-lo. "Não é questão de parecer politicamente correto. Só tem coisas que não tenho necessidade de falar", tentou justificar, sem se arriscar nem a se declarar sobre Kleber, que viveu a melhor fase sob seu comando, no Cruzeiro, entre 2009 e 2010.
"É um bom menino, mas preciso vivenciar o São Paulo. Já tenho que administrar os meus aqui", desconversou, saindo pela tangente também para não se indispor com Luiz Felipe Scolari, seu mentor e, neste momento, desafeto do Gladiador. "Cruzei o Felipão e o Murtosa [auxiliar técnico do Palmeiras] em uma pizzaria em Perdizes esses dias e eles não falaram de nenhum dos problemas deles..."
Comentar a decisão do Palmeiras de jogar mesmo após a confusão entre o volante João Vitor e torcedores é mais uma chance de não se envolver em polêmica. "É função nossa proteger, ajudar, orientar para o profissional ter segurança. Mas não mando no time. Quem dá ordem é o presidente. E o sindicato deveria ser mais ativo", opinou, sem condenar nem os acusados de agressão ao jogador. "Violência não é só no futebol. Precisamos melhorar na educação e em um monte de coisa no País, como impunidade. É um reflexo da sociedade como um todo."
Embora não se destaque em suas entrevistas, Adilson faz parte de uma relação de técnicos que podem ser campeões brasileiros neste ano pela primeira vez na carreira. Ao lado dele, estão Tite, do Corinthians, o interino Cristovam Borges ou Ricardo Gomes, do Vasco, Caio Júnior, do Botafogo, e Abel Braga, do Fluminense. Mas é um erro esperar que o treinador do São Paulo se arrisque mesmo a elogiar seus colegas.
"Até o Dorival [Junior, técnico do Inter, sétimo colocado a sete pontos do líder] tem condições de ser campeão. E tem um no caminho que já tem cinco títulos, que é o Vanderlei [Luxemburgo, treinador do Flamengo, quinto colocado a três pontos do líder]. Estão todos brigando, fazendo bons jogos e um campeonato acirrado. Eu poderia falar individualmente da qualidade dos adversários, mas deixa quieto...", esquivou-se.
A recusa por entrevistas mais claras é uma característica antiga de Adilson Batista. O treinador até foi orientado por sua assessoria de imprensa particular a abandonar um hábito considerado irritante: fazer a pergunta "te ajudei?" depois de uma resposta evasiva e totalmente inconclusiva.
A mania foi abandonada, mas a postura de evitar polêmica, aparentemente, jamais será. "Vamos ter os devidos cuidados com o nosso elenco. Meu objetivo é o título." São declarações assim que pode se esperar de Adilson Batista.
João Neto/Vipcomm

Adilson Batista tem o costume de não se envolver em polêmicas, principalmente com adversários e amigos