"Quanto a pênaltis e faltas, o Rogério foi o melhor sem nenhum tipo de dúvida e os números comprovam isso", afirmou Montoya em entrevista à GE.Net. Com 103 gols, o são-paulino é o recordista, seguido por Chilavert, contemporâneo do colombiano no futebol argentino e autor de 62 tentos.
Montoya defendeu o Boca Juniors de 1988 a 1996 e tem nacionalidade argentina. O folclórico ex-goleiro serviu como inspiração para Rogério Ceni por sua habilidade para repor a bola com os dois pés e pela maneira de sair do gol em X, incorporada pelo brasileiro.
Se elogiou a precisão do são-paulino com os pés, Montoya fez questão de destacar sua capacidade sob as traves. "Como ele fez tantos gols, muitos se esquecem da qualidade que tem como goleiro. Não é por acaso que chegará aos mil jogos e ainda jogando sempre pelo São Paulo, um dos maiores times do mundo", afirmou.

Inspirado em uniforme que ganhou de Montoya (e), Ceni festeja
Paulista-2000 com camisa estilizada
Ceni também admirava os uniformes espalhafatosos criados por Montoya. Então reserva de Zetti, ele pediu a camisa ao colombiano após a vitória por 3 a 2 do São Paulo sobre o Boca Juniors, na Supercopa de 1995. Para sua surpresa, foi atendido.
No livro "Maioridade Penal", Ceni lembra o episódio. "Passada meia hora, chega o roupeiro no vestiário com um saquinho na mão. Dentro, a camisa, e de quebra, o calção de Montoya. Tenho as duas peças guardadas até hoje", escreveu. Anos depois, o brasileiro se inspirou no uniforme, no qual Montoya aparece dirigindo um caminhão.
"Eu também me lembro desse jogo. O Rogério ainda era reserva do Zetti. Ele copiou o modelo do caminhão e depois criou outras camisetas baseadas naquela. Além dos uniformes, o Rogério já disse que aprendeu algumas coisas me vendo jogar. Para mim, é um verdadeiro prazer que ele me tenha como referência", afirmou.
Conhecedor da responsabilidade de vestir a camisa de um grande clube por várias temporadas consecutivas, Navarro Montoya reverencia Rogério Ceni, convocado para as Copas do Mundo de 2002 e 2006, e o coloca entre os maiores goleiros da história do futebol.
"Nos últimos anos, ficou cada vez mais difícil permanecer muito tempo no mesmo clube. Para conseguir isso, você precisa ser eficaz. Chegar aos mil jogos é um feito grandíssimo. O Rogério está no grupo dos grandes goleiros de toda a história. E não apenas pelos gols, o que é um complemento, mas pelo talento como goleiro", afirmou.
Montoya se aposentou em 2009 e chegou a abrir uma academia de goleiros na Espanha. Atualmente, além de participar de amistosos, trabalha como comentarista esportivo e vive em Madrid, onde espera por um convite para iniciar a trajetória como treinador. Ele chegou a receber propostas de clubes árabes e argentinos, mas não houve acordo.