do São Paulo (Foto: Luis Moura / Ag. Estado)
Bellini, Mauro, Roberto Dias, Oscar, Dario Pereyra, Ricardo Rocha. Nomes de alguns dos zagueiros que fizeram história com a camisa do São Paulo. E essa lista ganhou mais um integrante nesta semana. Após cinco anos no clube, Miranda deu adeus ao Tricolor para tentar vencer na Europa. Por três temporadas, vestirá a camisa do Atlético de Madri (ESP). E certamente deixará saudades no Morumbi.
Os números justificam tal condição. Miranda completou 260 partidas pelo Tricolor. Era o segundo atleta do elenco com mais jogos disputados, atrás apenas de Rogério Ceni. Foi tricampeão brasileiro (2006, 2007 e 2008) e por quatro vezes foi eleito o melhor zagueiro do Campeonato Brasileiro.
O camisa 5 soube cavar seu espaço no time do Morumbi. Foi contratado em 2006 por empréstimo do Sochaux (FRA) com uma missão complicada pela frente: substituir o uruguaio Diego Lugano, que após o vice-campeonato da Libertadores daquele ano, se transferiu para o Fenerbahçe (TUR). Ainda demorou um pouco para ser utilizado por Muricy Ramalho mas, quando entrou, não saiu mais. Acima da média com a bola nos pés, com rapidez nas antecipações e muita força no jogo aéreo, Miranda logo se tornou inquestionável no setor. Tanto que, um ano depois, foi contratado em definitivo por US$ 1,2 milhão (R$ 2 milhões).

Miranda foi contratado pelo São Paulo em 2006 para substituir Diego Lugano (Foto: VIPCOMM)
Embora sempre tivesse batido na trave em termos de Libertadores, Miranda foi destaque nos três títulos brasileiros. Em 2007, inclusive, formou a melhor defesa da história do nacional, com apenas 19 gols sofridos em 38 partidas. Logo começou a chamar a atenção de clubes europeus, mas o São Paulo sempre bateu o pé e resolveu segurá-lo. No ano seguinte, novo título brasileiro. Em 2009, mesmo com o início do jejum tricolor, Miranda seguiu com suas boas atuações, tanto que passou a ser convocado para a Seleção Brasileira comandada por Dunga.

Miranda jogou na Seleção Brasileira com Dunga,
mas ficou fora da Copa da África (Foto: Reuters)
Em 2010, pode-se dizer que o camisa 5 viveu seu inferno astral. Assim como o time, o nível de suas atuações caiu bastante. Na seleção, caiu em desgraça com Dunga após ser expulso contra a Venezuela e ficou fora da Copa do Mundo da África. No âmbito pessoal, sofreu um baque enorme com a morte de sua irmã. Depois de uma queda absolutamente normal, voltou a jogar bem em 2011, quando se despediu do Tricolor.
Abaixo, Miranda, em entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM, diz que marcou o nome na história do clube, agradece muito a Muricyo e revela ter um projeto de retornar ao clube do Morumbi após cinco anos na Europa.
Você chegou em 2006 como um desconhecido zagueiro vindo do Sochaux (FRA) e hoje sai como o Miranda do São Paulo. Acha que marcou o nome na lista dos grandes zagueiros da história do clube?
Eu penso nisso. Tive muitas conquistei, levei o nome do São Paulo para a Seleção Brasileira. Foram cinco anos de muita alegria. O que eu conquistei por aqui vai ficar marcado por toda a história, ninguém nunca vai apagar. Só tenho a agradecer. Cheguei em 2006 e soube percorrer o meu caminho. Tive sucesso pela minha performance e pela pessoa que eu sou. Tive personalidade quando necessário, mostrei comando quando foi preciso. Soube respeitar os companheiros e fui respeitado. Acho que saio consagrado, com vários títulos e muitos prêmios conquistados.

Mensagem escrita pela diretoria do São Paulo na placa que Miranda ganhou de presente na última quarta-feira, antes da partida contra o Botafogo, pelo Brasileirão (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)
Nos cincos anos de São Paulo, qual foi o melhor time que você jogou?
Sem dúvida foi o de 2007. Conquistamos o Brasileiro com rodadas de antecedência, e a defesa era algo fora do normal. Foi a melhor defesa em que joguei. Tinha eu, o Alex Silva, o Breno e o André Dias, que pouco jogou porque estava com um problema jurídico. Na época, o Muricy até falava que a qualidade da nossa defesa dava tranquilidade aos atacantes porque eles sabiam que era muito difícil nós tomarmos gol.
Uma pessoa muito importante nesse seu crescimento foi o Muricy Ramalho, não?
Sem dúvida, ele é quem acreditou no meu potencial, me passou confiança, me fez mostrar o meu melhor. Ele dava muita importância ao aspecto psicológico, fazia você entrar em campo acreditando que podia mostrar o seu melhor. O meu entrosamento com ele era realmente muito bom, só tenho de agradecer ao Muricy.
Se puder, penso em voltar no futuro para conquistar a Libertadores que ficou faltando"
Miranda
Em todo esse período, quais foram as derrotas mais doídas?
Duas me marcaram muito, foram difíceis de assimilar. A primeira foi a queda para o Fluminense em 2008, com aquele gol do Washington no Maracanã no último minuto. E a outra foi o tropeço para o Inter no ano passado no Morumbi. As vagas nas finais da Libertadores e no Mundial de Clubes estavam muito perto e deixamos escapar. Sem dúvida, faltou o título da Libertadores para marcar de vez a minha passagem no clube.
Individualmente, você sempre esteve muito bem, tanto que foi eleito por quatro vezes o melhor zagueiro do Campeonato Brasileiro. Em 2010, no entanto, você não esteve nada bem. Até pelos problemas que teve, pode-se dizer que foi seu pior ano no clube? (Nota da redação: no ano passado, Miranda perdeu a irmã e ficou fora da convocação para a Copa na mesma semana)
Não foi fácil, por muito tempo não consegui jogar 100%. Fisicamente, estava muito bem, mas a cabeça sentiu o baque. Mesmo assim, acho que pude ajudar de alguma maneira. É claro que cometi falhas, mas procurei sempre honrar a minha camisa.
Na sua chegada, o São Paulo era um time acostumado a conquistar títulos. Hoje, vive um jejum de três anos sem conquistas. O que aconteceu?
É um ciclo que qualquer clube enfrenta. Depois de três anos nos quais o São Paulo conquistou praticamente tudo, é normal cair de rendimento. A diretoria mudou sua filosofia, hoje o time é muito jovem e experiência e entrosamento não aparecem do dia para a noite. Tenho certeza que no futuro esse time voltará a conquistar títulos.

Qual sua expectativa para a sua segunda passagem pela Europa?
Agora vou preparado. Quando deixei o Coritiba para jogar o Sochaux, tinha apenas 19 anos e fui vendido depois de jogar apenas um ano pelo time profissional. Ainda fui sozinho e enfrentei muitas dificuldades. Agora tudo é diferente. Conquistei títulos no São Paulo, defendi a Seleção Brasileira, casei, tenho filhos. Atingi vários objetivos na minha carreira. Tenho certeza de que tudo dará certo.
Qual seu projeto para o restante de sua carreira? Pensa em voltar ao São Paulo?
Meu contrato com o Atlético de Madri é de três anos. Depois, ainda gostaria de jogar por mais duas temporadas na Europa antes de pensar em voltar. Na volta, ainda terei lenha para queimar no Brasil. É só ver o exemplo do Edu Dracena, que ficou muito tempo na Turquia, voltou para o Santos como capitão e acabou de ser campeão da Libertadores.
Quer deixar uma mensagem para a torcida tricolor?
Quero muito agradecer o apoio de todos e pedir desculpas para quem eu não pude agradar. Se puder, penso em voltar no futuro para conquistar a Libertadores que acabou faltando.

Miranda deixa o São Paulo idolatrado pela torcida tricolor (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)