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O desafio do São Paulo vai além de conquistar os três pontos contra o Botafogo. Depois da impiedosa goleada por 5 a 0 que sofreu do Corinthians, o Tricolor quer provar hoje à noite no Morumbi que o resultado foi um acidente de percurso e que não está na liderança do Campeonato Brasileiro por acaso.
Os comandados de Carpegiani sabem que precisam vencer e convencer para não serem vaiados pelos desconfiados torcedores, que devem comparecer em pequeno número ao estádio.
“A melhor coisa é que vamos jogar logo, com chance de apagar essa imagem ruim que ficou depois da derrota para o Corinthians. Temos de vencer e vencer bem”, comentou o lateral-esquerdo Juan, que volta ao time depois de cumprir suspensão pelo terceiro cartão amarelo.
A goleada, segundo ele, foi um resultado atípico. “Estamos fazendo um grande campeonato, então foi um acidente de percurso. Acontece no futebol.”
O diretor de futebol Adalberto Batista se reuniu com o treinador e com o grupo. A conversa foi para mostrar que a diretoria confia neles e dizer que o trabalho está sendo bem feito.
“Temos de fazer o mesmo que fizemos depois da eliminação para o Avaí na Copa do Brasil. Levantamos a nossa cabeça, batemos a mão, tiramos a poeira e começamos bem no campeonato”, afirmou o volante Rodrigo Souto, outro que volta de suspensão, repetindo o discurso decorado pelo elenco para falar sobre o momento ruim.
Apesar da aparecente confiança da diretoria no trabalho do treinador, há quem defenda a demissão de Carpegiani em caso de insucesso hoje. A alegação é que ele só não caiu depois da eliminação da Copa do Brasil porque não havia um bom nome disponível para substituí-lo. Agora existe. Cuca, demitido do Cruzeiro, é admirado pelo presidente Juvenal Juvêncio.
Cuca na espreita
O treinador também gostaria muito de voltar ao Morumbi para continuar o trabalho que foi interrompido em 2004. Ele foi demitido pouco tempo depois da eliminação na semifinal da Libertadores para o Once Caldas.
Cuca inclusive já ligou duas vezes para o presidente. A primeira foi logo depois de ser demitido pelo Cruzeiro, quando lamentou não ter forçado sua saída antes para aceitar o convite que havia sido feito por Juvenal em maio. A outra foi segunda-feira para saber se Juvenal ainda tinha interesse em contratá-lo, até porque há outros clubes atrás dele. O dirigente pediu para ele esperar.
Carpegiani parece alheio à pressão. Ontem, apesar de a assessoria do clube pedir para ele dar entrevista coletiva, preferiu não antecipar sua entrevista, que normalmente acontece às sextas-feiras. No campo, ele não mudou sua rotina.
“O Carpegiani está tranquilo, não passa nenhum desespero nem preocupação”, disse Rodrigo Souto ao ser questionado sobre o assunto. Juan também não vê o treinador ameaçado no cargo, tanto que dispensou o discurso de que iriam jogar pelo emprego do chefe.
Os efeitos da derrota vexatória no clássico serão colocados à prova assim que o time entrar em campo hoje. A volta da tranquilidade depende do resultado contra o Botafogo. E todos pelos lados do Morumbi sabem disso.