A expulsão de Carlinhos Paraíba, aos 40 minutos do primeiro tempo, foi determinante para o resultado, mas a questão maior é como Paulo César Carpegiani tratou do problema. A culpa não é do árbitro, vai ficar chato se o São Paulo insistir com isso e atribuir a Rodrigo Braghetto a goleada sofrida no Pacaembu como se ela fosse obra de uma injustiça.
Não é por aí. O placar estava 0 a 0, o Corinthians tinha mais posse de bola mas não conseguia transformá-la em finalização. O grupo respeitava muito o desenho tático da prancheta de Tite, enquanto o rival resistia sem apuros no meio de campo. Isso levou o treinador são-paulino a acreditar ser possível consertar a equipe sem reforçar a marcação.

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Além de retirar o jogador fundamental na recuperação da bola, o cartão vermelho contribuiu para deixar expostos Rodrigo Caio e Welington, dois garotos da base. Arrumado e bem comportando, só cabia ao Corinthians desfrutar.
A ausência de Casemiro foi o penúltimo golpe no time desfalcado em todos os setores. O São Paulo perdeu força no jogo aéreo e uma via para entregar a bola a Marlos, Dagoberto e Fernandinho. Mesmo sem Lucas, o ataque era o único setor mais ou menos preservado, e que também se beneficiou pela falta de mobilidade do Corinthians no primeiro tempo.
Com dez jogadores, o São Paulo perdeu a direção logo no primeiro minuto da segunda etapa, chamando o Corinthians para a área de Rogério Ceni, inaugurando uma série de falhas coletivas e individuais.
Jogador não precisa de motivação em clássico, precisa é de confiança, perceber que não está sozinho, que existe alguém no banco de reservas enxergando o jogo e as necessidades da equipe.
A falta de sensibilidade de Carpegiani foi o molho usado por Tite para manter o formato do time e defender Danilo como titular. Descartá-lo devido a chegada de Alex significaria ganhar um e perder o outro.
Ao lado de Liedson, que soube aproveitar as oportunidades criadas no segundo tempo, Danilo fez seu grande jogo, abrindo o placar e a goleada com classe, muita classe.
E mais: por ter menor quantidade de pontos perdidos e se manter invicto, a goleada dá ao Corinthians o melhor aproveitamento do campeonato.

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Libertadores de Neymar. Pode ser a rivalidade clubística ou simplesmente a superexposição do produto. Mas como tem gente com dificuldade para curtir o futebol desses tempos modernos e midiáticos! A Libertadores disparou a inveja e a ira de uma gente incapaz de ver o esporte além de uma disputa rasa.
Quanta dificuldade para admitir a beleza e a contundência do jogo de Neymar. O menino caminha para a camada social mais elevada do futebol, o futuro só depende dele. Possui a essência dos jogadores geniais, daqueles que estabelecem ciclos. Se vai chegar lá, se vai atingir o ponto que o presente insinua, só o tempo responderá. Isso, porém, não deve nos impedir de saborear o momento.
Não foram poucos os céticos dispostos a recomendar calma em plena euforia. Será que uma Libertadores não basta para confirmar a beleza e a eficácia do futebol de Neymar? Ele ainda vai tentar cavar mais faltas do que deveria, ainda vai fazer firulas que refletem pouco no sucesso da equipe, mas é um espetáculo.
Com ele e Ganso, a seleção brasileira muda de patamar na Copa América, deixa de ser uma concentração de jogadores comuns, ganha alma. Tomara que os dois sejam suficientes.
Poder vê-los jogando no Brasil, por mais que isso contrarie o sentido natural do negócio por aqui, causa certa estranheza, daí encontrarmos os conservadores à espera da confirmação no grande cenário do futebol, a Europa. Precisamos aprender a nos divertir mais e melhor.

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